Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

Colatina abandona a lavoura de café e se transforma em polo de moda

Fonte:|Valor online|

De polo de destruição da Mata Atlântica, passando por um período no qual foi o maior produtor brasileiro de café do tipo robusta, o município de Colatina, no noroeste do Espírito Santo, encontrou na produção de confecções de grife uma atividade econômica mais sustentável e perene, tornando-se o principal centro da indústria têxtil e de confecções do Estado. A recente compra da grife mineira Vide Bula pela capixaba PW Brasil, atraiu o foco das atenções à cidade, que emprega no setor quase 10% da sua população de 106,6 mil habitantes (IBGE, 2007). Para estimular o setor, o governo do Estado reduziu há dois meses a alíquota do ICMS para vendas interestaduais de 7% para 5%.

Segundo dados da Câmara de Vestuário da Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (Findes), o setor de confecções emprega 9 mil pessoas em Colatina e 16 mil na região em torno da cidade, mais da metade dos 30 mil empregos gerados pelo setor de vestuário (que engloba, além de confecções, as indústrias têxtil, de calçados e de acessórios).

São 720 empresas formais na região, mais de 400 em Colatina, sendo que pelo menos 12 delas empregam entre 150 e 500 pessoas, sem contar os serviços terceirizados às firmas de menor porte. O município de Baixo Guandu (28,6 mil habitantes), na divisa com Minas Gerais, concentra a maior parte da empresas que trabalham para as marcas consagradas do Estado e de outras regiões. Segundo Paulo Vieira, presidente da PW Brasil e da Câmara de Vestuário da Findes, Colatina e arredores produzem 2,5 milhões de peças de vestuário por mês, metade da produção estadual, que tem em Vila Velha, na grande Vitória, o segundo maior polo.

A crise pegou o setor de confecções de Colatina em plena recuperação, após cinco anos ruins. Mas, segundo Vieira, seus efeitos foram baixos na cidade e os cerca de 300 empregos perdidos já começam a ser recuperados, principalmente porque o mercado interno quase não foi afetado.
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Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o saldo de empregos formais no setor têxtil, de vestuário e confecções de Colatina de janeiro a setembro deste ano foi positivo em 197 vagas, resultado de 1.942 admissões e 1.745 demissões. O número é melhor do que o do mesmo período do ano passado, quando foram admitidas 1.969 pessoas e demitidas 1.810, com saldo de 159 vagas. Em dezembro o saldo do ano fechou em apenas 34 vagas.

O presidente da Câmara de Diretores Lojistas (CDL) de Colatina, Moacyr Menegatti Júnior, disse que o comércio da cidade, que é o centro de compras de uma região formada por 15 municípios, emprega aproximadamente 5 mil pessoas e que pouco mais de 50% das lojas são do setor de vestuário e de confecções, muitas delas lojas das fábricas existentes na cidade. "As confecções, o comércio e os serviços, especialmente de saúde, são os setores mais importantes da nossa economia", afirmou.

O prefeito da cidade, Leonardo Deptulski (PT), disse que até outubro de 2010 estará pronto um shopping de pronta entrega que será construído em um velho galpão do extinto Instituto Brasileiro do Café (IBC) para servir de centro de vendas por atacado das indústrias da cidade. O investimento de R$ 6 milhões, segundo ele, visa atrair compradores do comércio de artigos de grife em um raio de mil quilômetros, abrangendo as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador.

Duptulski disse ainda que, embora o efeito direto das confecções na arrecadação municipal seja pequeno, elas são decisivas para aumentar a cota do município no bolo do ICMS do Espírito Santo. Segundo ele, o Valor Adicionado Fiscal (VAF, a base para o cálculo da divisão do ICMS) do município passou de R$ 280 milhões em 2001 para pouco mais de R$ 1 bilhão previstos para este ano. O orçamento de receitas da prefeitura para este ano é de R$ 215,78 milhões.

Vieira, da PW Brasil, disse que a baixa escolaridade é uma característica do setor de confecções e que há um programa em andamento com o objetivo de aumentar o grau de instrução dos operários. Outro programa, voltado para os pequenos fornecedores das grandes empresas, busca evitar que mais de 50% das suas vendas dependam de um só comprador.

Ele contou que antes de comprar a marca Vide Bula, focada em jeans, por R$ 21 milhões, seu plano era adquirir a Yes Brazil, criada pelo paranaense Simon Azulay, já morto, que teve o apogeu nos anos 80. As negociações, segundo ele, acabaram retroagindo após a morte de David Azulay, irmão de Simon e fundador da grife Blue Man, em fevereiro deste ano.

Segundo Vieira, a transferência total da produção da Vide Bula (a compra não incluiu as instalações) vai gerar 500 empregos em Colatina, 80 dos quais já foram criados nos dois primeiros meses desde a compra da marca. Além disso, somando a Vide Bula à Missbella, a marca tradicional da empresa, exclusiva de moda feminina, Vieira disse esperar que o faturamento da PW Brasil passe de R$ 32 milhões em 2008 para R$ 45 milhões este ano. Ele espera atingir R$ 70 milhões anuais a médio prazo.

A empresa instalou o centro de criação da Vide Bula em São Paulo e está acelerando a concessão de franquias do grupo, inclusive uma no Panamá. Mas Vieira afirma que o que assegura a rentabilidade e o crescimento das marcas é o mercado interno. "Fazemos mercado externo só para não perder o vínculo", disse. Segundo o empresário, a confecção brasileira é muito taxada no exterior, porque o Brasil só possui acordos bilaterais no setor com países que não têm poder de compra.

A PW Brasil, hoje com 510 empregados e 64 empresas prestadoras de serviços, é um desdobramento da PWE, empresa fundada por Vieira e seus irmãos Wallace e Edvaldo. Este último é hoje dono da Confecções Mimo, fundada pela mãe dos três e que detém a marca Lei Básica, uma das mais conhecidas do polo de Colatina. Segundo Vieira, a Lei Básica possui cerca de 250 empregados, além de terceirizados. A empresa vem trabalhando na reintrodução no mercado da marca Fiorucci.

A PW Brasil tem uma fábrica moderna, com área de 70 mil metros quadrados, concluída em 2003, que custou R$ 12 milhões, segundo Vieira. As roupas são todas exclusivas e, assegura o empresário, a inovação é perseguida como meta número um do planejamento estratégico. Mais de 80% dos empregados são mulheres e os salários são baixos. Uma costureira, com ganhos de produtividade, consegue R$ 730 mensais. Sem produtividade, o salário cai para R$ 585. (CS)

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