Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XI

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XI

Fonte:|portugaltextil.com|

Os responsáveis norte-americanos identificaram diversas marcas de fibras, têxteis e vestuário que estavam a vender produtos fabricados com viscose, alegando tratar-se de fibras de bambu. A publicidade enganosa afirmava mesmo que os produtos mantinham as propriedades anti-microbianas e biodegradáveis associadas ao bambu.


A Federal Trade Commission (FTC), agência governamental norte-americana, tomou medidas peremptórias para desencorajar o que considera serem garantias ambientais e benefícios de saúde injustificados em relação aos produtos de fibras celulósicas provenientes do bambu.

A agência governamental acusou quatro vendedores de vestuário e outros produtos têxteis de falaciosamente rotularem e publicitarem esses produtos como “fabricados com fibra de bambu”, quando na realidade a fibra é tecnicamente viscose. A sua acção terá implicações para muitas outras marcas têxteis, cujos produtos contêm polímeros sintéticos de celulose, derivados de fontes vegetais, em vez de usarem a própria fibra vegetal.

As denúncias abrangem ainda o facto de as empresas fazerem falsas e infundadas alegações ecológicas, ao referirem que as suas roupas e produtos têxteis são fabricados usando um processo “amigo do ambiente” que conserva as propriedades naturais anti-microbianas da planta de bambu e que as fibras resultantes são biodegradáveis.

Três das empresas – Sami Designs (comercializada como Jonäno), CSE Inc (comercializada como Mad Mod) e Pure Bamboo – chegaram a acordo com a FTC, aceitando pôr um fim às reivindicações falsas e respeitar o disposto no Textile Fiber Products Identification Act (Textile Act and Rules). A acção contenciosa continua contra o The M Group que comercializa os produtos com a designação Bamboosa.

«Com o enorme crescimento das alegações ecológicas no mercado de hoje, é particularmente importante para a FTC analisar as declarações ambientais, de modo a que os consumidores possam confiar que os produtos que compram possuem os atributos ecológicos que querem», defende David Vladeck, director do gabinete de protecção ao consumidor da FTC. «Quando as empresas vendem produtos de fibras sintéticas, tais como viscose, é importante que o indiquem claramente no rótulo e na promoção desses produtos - tanto no que diz respeito às fibras que utilizam como às qualidades que essas fibras possuem», explica Vladeck.

Segundo as acusações, as empresas alegaram falsamente que as suas roupas e outros produtos têxteis de viscose eram de fibras “100% bambu”. Estes produtos eram comercializados com nomes como ecoKashmere, Pure Bamboo, Bamboo Comfort e BambooBaby.

A viscose é uma fibra não natural, criada a partir da celulose encontrada nas plantas e árvores e tratada com uma substância química que liberta perigosos poluentes atmosféricos. Qualquer planta ou árvore pode ser utilizada como fonte de celulose – incluindo o bambu – mas a fibra produzida é a viscose.

Segundo a declaração da FTC, mesmo que a viscose utilizada nos produtos das empresas seja fabricado utilizando o bambu como fonte de celulose, a fibra não conserva as propriedades anti-microbianas naturais do bambu. O processo de fabrico da viscose, que implica a dissolução da planta de base em produtos químicos, elimina qualquer propriedade natural da planta de bambu. Da mesma forma, a FTC aponta que os têxteis e vestuário das empresas em causa não são produzidos usando um processo ecológico.

As empresas responsáveis pelas marcas Jonäno, Mad Mod e Pure Bamboo concordaram em garantir que vão utilizar as designações certas para rotular e publicitar os seus produtos e não vão violar o Textile Act and Rules no futuro. O acordo impossibilita estas empresas de afirmarem que qualquer produto têxtil é: feito de bambu ou de fibra de bambu; fabricado através de um processo amigo do ambiente; anti-microbiana ou mantém as propriedades anti-microbianas, a menos que a reivindicação seja apoiada por evidências científicas de confiança.

A Pure Bamboo está ainda impedida de reivindicar que os seus produtos são biodegradáveis, a menos que consiga fornecer provas científicas fiáveis. Os acordos também impedem as três empresas de fazer quaisquer declarações sobre os benefícios, desempenho e eficácia de um produto têxtil ou de vestuário que vendam, a não ser quando suportadas por evidências fidedignas.

No entanto, a decisão da agência norte-americana permite que as empresas possam descrever os seus produtos como “viscose feita de bambu”, desde que isso seja verdade e possa ser provado.

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Comentário de Moda&Business em 10 março 2010 às 10:18
Nossa to abismada!

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