Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

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Customização de roupas atrai cada vez mais clientes

Mercado de transformação de roupas, calçados e acessórios cresce e se transforma em microempreendedorismo sustentável.

Marinella Castro


'Por R$ 40, dá para transformar uma jaqueta comum em um modelo rock and roll, que nas lojas custaria pelo menos R$ 200. Por R$ 25, um vestido pode virar macacão', Aline Viana, estilista (Beto Magalhaes/EM/D.A Press)
'Por R$ 40, dá para transformar uma jaqueta comum em um modelo rock and roll, que nas lojas custaria pelo menos R$ 200. Por R$ 25, um vestido pode virar macacão', Aline Viana, estilista


Na adolescência, Aline Viana, de 28 anos, transformava as próprias roupas em peças diferentes, acrescentando detalhes à peça original. Aos 15, decidiu aprimorar o talento em um curso de estilismo. Mais tarde, na faculdade de comunicação, recebia elogios pelo visual, mas foi só no fim do ano passado que ela decidiu transformar o hobby em trabalho e passou a se dedicar à customização, modelo de microempreendedorismo sustentável. Roupas, sapatos, acessórios, o importante para o segmento é girar o guarda-roupa, dar cara nova ao usado e fazer prosperar o consumo consciente.


Nas ruas e no mundo virtual, os produtos que remetem ao consumo consciente estão ganhando pontos na preferência do consumidor. “Existe uma tendência de as pessoas desejarem cuidar do planeta e os consumidores, de modo diferente, estão aderindo ao conceito. Alguns de forma bem mais ativa e consciente, outros porque querem fazer parte dessa onda em que o desperdício começa a ser questionado seja por clientes da grande indústria ou das microempresas”, observa o professor do Ibmec Marco Antônio Machado, que é especialista em marketing e finanças.

O vestido da mão de Camila Augusto, guardado no armário, virou macacão novo (Beto Magalhaes/EM/D.A Press)
O vestido da mão de Camila Augusto, guardado no armário, virou macacão novo

No fim do ano passado, depois do curso de corte e costura do Senac, Aline comprou seu primeiro equipamento de trabalho, uma máquina industrial, por R$ 1,8 mil, e passou a se dedicar ao negócio. Criou o Barato de Luxe, onde procura mostrar que, por preços camaradas, a partir de R$ 20, é possível transformar um vestido que está guardado com etiqueta no armário, ou mesmo usar uma peça que foi um presente querido, mas não serve mais. “Com a customização, conseguimos personalizar roupas, converter uma peça em outra.”


O preço depende do grau de dificuldade da interferência. “Por R$ 40, dá para transformar uma jaqueta comum em um modelo rock and roll, que nas lojas custaria pelo menos R$ 200. Por R$ 25, um vestido pode virar macacão”, explica Aline. Antes de transformar a roupa, ela vai até a casa da cliente em uma espécie de consultoria, onde ajuda a identificar as transformações possíveis. Aline já faz planos: “Em dois anos, pretendo alugar um ateliê e contratar ajudantes.”


Na mesma linha, da reutilização, Camila Cançado acredita que transformar os óculos do avô, adicionando a eles lentes degradês, pode ser um charme exclusivo alcançado ao custo de R$ 30. Camila herdou da família, que ao longo de muito tempo trabalhou com óticas, a paixão pelas armações. Começou a reformar óculos antigos e customizá-los com lentes diferentes como hobby, até perceber que estava dentro de um mercado interessante. Além de dar um ar retrô e ao mesmo tempo moderno aos óculos antigos, Camila também vende armações de outros tempos e tem em seu pequeno acervo marcas conhecidas, como a francesa Bonnet. “O preço varia conforme a marca e o tempo, que pode transformar uma armação em relíquia”, diz ela, que tem peças a partir de R$ 150. “Reutilizar é uma tendência e as peças antigas trazem a mensagem, falam de um outro tempo, onde não havia o desperdício”, observa o professor Marco Antônio Machado.

LEMBRANÇA A estudante de arquitetura Camila Augusto guardava no armário, como lembrança de sua mãe, um vestido de que ela gostava. Não podia usá-lo até que decidiu customizar o modelo. Pelo custo de R$ 20, a roupa foi transformada em um macacão curto. “Agora, posso vesti-lo e gosto muito porque a roupa era da minha mãe”, comentou.


Camila gostou tanto da ideia que já tirou do armário outras quatro peças que vão fomentar o negócio da customização. “Uma delas é uma blusa de que eu gosto muito, mas meu cachorro comeu. Vou poder usá-la novamente.” Já a despachante Mirian Coelho tirou do armário um blazer, uma saia longa e um sobretudo, todos guardados ainda com etiqueta, peças novas que nunca haviam sido usadas. Por R$ 60, ela transformou os modelos e passou a gostar das roupas, que agora são usadas por ela e as filhas. “Tenho várias outras peças que quero transformar.”


No segmento de sapatos, Luciana Miranda está há 29 anos no mercado e tem agenda lotada. Ela transforma sapatos dando a eles nova cobertura, com tecido, cor e detalhes escolhidos pelos clientes. Com a técnica, o sapato gasto, mas macio, pode ficar novo para a festa. O trabalho artesanal é feito da mesma forma que, há mais de 30 anos, ela aprendeu com sua mãe, que aprendeu com seu avô, fabricante de sapatos sob medida. Luciana não usa máquinas e a cobertura é feita a mão, usando o tecido escolhido pela consumidora, na maioria noivas e donas de sapatos para festas. Luciana tem clientes em Minas, vários outros estados e também no exterior. “Muitas clientes cobrem modelos que elas já usaram bastante, que gostam e estão macios.” O custo médio do trabalho artesanal para um par de sapatos é de R$ 150. “Sapatos usados ficam novos.”

 

Sapatos veganos
Usando como palavra-chave o reaproveitamento, a Insecta produz sapatos originais e exclusivos, com apelo de cada modelo ser único. A produção é feita utilizando também peças de roupas usadas que são transformadas em sapatos ecologicamente corretos, que não usam nenhuma matéria-prima de origem animal. Barbara Mattivy, sócia da empresa, conta que a Insecta, com sede em Porto Alegre (RS), começou a funcionar em janeiro e o nome diferente veio da paixão dela e de sua sócia por insetos e besouros. “Vendemos calçados veganos (sem uso de material de origem animal). Reaproveitamos e reciclamos matéria-prima para produção dos calçados, incluindo o reaproveitamento de roupas usadas”, explica. Os sapatos feitos no modelo de botas e oxfords são fabricados no Sul e vendidos pela internet no site da empresa por, em média, R$ 249. 

http://www.em.com.br/app/noticia/economia/2014/09/21/internas_econo...

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