Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

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Direita e esquerda por Demétrio Magnoli. Ou: Segura que o filho é teu!

Fonte: Veja

No artigo de estreia na Folha, Demétrio Magnoli argumenta que o lulopetismo não é de esquerda, que mancha a imagem da esquerda, que ele, o sociólogo, defende. Entendo os pontos de Demétrio, e reconheço que os termos direita e esquerda quase perderam seus sentidos no Brasil. Mas vou sustentar que Lula e o PT são de esquerda sim. Por partes:

Impossibilitado de internar dissidentes em instituições psiquiátricas, o lulopetismo almeja isolá-los num campo de concentração virtual. No processo, devasta o sentido histórico dos termos até virá-los pelo avesso: eles é que são “de direita”; eu sou “de esquerda”.

Eles financiaram com dinheiro público a bolha Eike Batista. Na fogueira do Império X, queimam-se US$ 5,2 bilhões do povo brasileiro. “O BNDES para os altos empresários; o mercado para os demais”: eis o estandarte do capitalismo de Estado lulopetista. Anteontem, Lula elogiou o “planejamento de longo prazo” de Geisel; ontem, sentou-se no helicóptero de Eike para articular um expediente de salvamento do megaempresário de estimação. O lobista do capital espectral é “de direita”; eu, não.

Financiar grandes empresarios os países socialistas sempre fizeram. Isso não os tira da esquerda. O termo “capitalismo de estado” é justamente o tal socialismo real: como a propriedade privada não é abolida totalmente, o avanço do poder estatal acaba controlando tudo de facto, ainda que não necessariamente de jure. Usar o BNDES para criar “campeões nacionais” é uma bandeira que vários esquerdistas aplaudem, e nenhum liberal ou conservador de boa estirpe o faz. Esquerda, sim senhor!

Eles são fetichistas: adoram estatais de energia e telecomunicações, chaves mágicas do castelo das altas finanças. Mas não contemplam a hipótese de criar empresas públicas destinadas a prestar serviços essenciais à população. Na França, os transportes coletivos, que funcionam, são controlados pelo Estado. Eu defendo esse modelo para setores intrinsecamente não-concorrenciais. O Partido prefere reiterar a tradição política brasileira, cobrando de empresários de ônibus o pedágio das contribuições eleitorais para perpetuar concessões com lucros garantidos. “De esquerda”? Esse sou eu, não eles.

Ora, no Brasil, assim como na França, vários serviços públicos são ofertados e controlados pelo estado. Se não funcionam, isso é outra história! Nosso estado é ainda mais incompetente. Mas será que Demétrio esqueceu da Eletrobras, Petrobras, Cedae, Valec, estradas federais etc.? Ainda temos mais de cem estatais! De onde Demétrio tirou que nossa infraestrutura não é controlada pelo estado? É sim! E por isso é esse lixo…

Eles são corporativistas. No governo, modernizaram a CLT varguista, um híbrido do salazarismo com o fascismo italiano, para integrar as centrais sindicais ao aparato do sindicalismo estatal. Eles são restauracionistas. Na década do lulismo, inflaram com seu sopro os cadáveres políticos de Sarney, Calheiros, Collor e Maluf, oferecendo-lhes uma segunda vida. O PT converteu-se no esteio de um sistema político hostil ao interesse público: a concha que protege uma elite patrimonialista. “De direita”? Isso são eles.

Quer dizer que Sarney é de direita agora? Quer dizer que o patrimonialismo é de direita? Não! A direita liberal ou conservadora não quer nada com essa gente, com esse corporativismo, com esse patrimonialismo, com Vargas e a CLT! Queremos flexibilizar as leis trabalhistas, por exemplo. Bandeira de direita. O PT fez? Não! Manteve esses encargos absurdos que só interessam aos sindicalistas. Esquerda.

Eles são racialistas; a esquerda é universalista. O chão histórico do pensamento de esquerda está forrado pelo princípio da igualdade perante a lei, a fonte filosófica das lutas populares que universalizaram os direitos políticos e sociais no Ocidente. Na contramão dessa herança, o lulopetismo replicou no Brasil as políticas de preferências raciais introduzidas nos EUA pelo governo Nixon. Inscrevendo a raça na lei, eles desenham, todos os anos, nas inscrições para o Enem, uma fronteira racial que atravessa as classes de aula das escolas públicas. Esses plagiários são o túmulo da esquerda.

Como assim? As cotas raciais, as ações afirmativas, os estudos de “minorias” no mundo acadêmico, tudo isso tem sido, no Brasil e no mundo, uma luta da esquerda, combatida pela direita liberal. Igualdade perante as leis? Sinto muito, Demétrio, mas isso é um dos princípios mais nobres dos liberais. A esquerda não quer nada com isso. Quer igualdade de resultados. Quer punir ricos. Quer privilégios para “minorias”.

“Esquerda”? O lulopetismo calunia a esquerda democrática enquanto celebra a ditadura cubana. Fidel Castro colou a Ordem José Martí no peito de Leonid Brejnev, Nicolau Ceausescu, Robert Mugabe e Erich Honecker, entre outros tiranos nefastos. Da esquerda, eles conservam apenas uma renitente nostalgia do stalinismo. Sorte deles que Praga é tão longe daqui.

Concordo que o PT mancha o nome da esquerda. Mas isso não o retira da esquerda! Existe uma esquerda civilizada, democrática, com a qual o diálogo é possível e até saudável. Essa é o PSDB. Mas jogar o PT para a direita é absurdo. Demétrio cai na velha falácia de que a esquerda monopoliza as boas intenções, e a direita é o que há de pior, de corrupto, de patrimonialista. Nada mais falso. Foi um começo ruim de Demétrio da Folha. Uma bola fora e tanto

http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/

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Comentário de Romildo de Paula Leite em 27 outubro 2013 às 9:08

O Partido prefere reiterar a tradição política brasileira, cobrando de empresários de ônibus o pedágio das contribuições eleitorais para perpetuar concessões com lucros garantidos. “De esquerda”? Esse sou eu, não eles.

Comentário de Romildo de Paula Leite em 27 outubro 2013 às 9:07

Na década do lulismo, inflaram com seu sopro os cadáveres políticos de Sarney, Calheiros, Collor e Maluf, oferecendo-lhes uma segunda vida.

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