Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

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A política de preços implementada pela VF Corporation parece estar a dar os seus frutos. Apesar da prudência dos seus responsáveis, as previsões apontam para que a dona das marcas Wrangler, Lee e The North Face, entre outras, continue a crescer a bom ritmo no médio prazo.

A onda positiva gerada pela divulgação, na semana passada, dos resultados da VF Corporation foi temperada com as preocupações com o aumento dos preços e as subidas dos custos com as matérias-primas. Embora todas as divisões de produto tenham gerado aumentos de dois dígitos no volume de negócios no segundo trimestre e dos lucros terem crescido 17% em comparação com igual período do ano passado, a empresa de vestuário norte-americana manteve-se prudente em relação às perspectivas para o resto do corrente ano.

O presidente e CEO Eric Wiseman afirmou que «estamos cada vez mais confiante de que estamos no caminho certo», mas rapidamente acrescentou que «os nossos aumentos de preços até à data, cuidadosamente pensados em sequência, revelaram pouco impacto nos volumes de vendas. A expressão “até à data” é importante. Tal como toda gente, estamos a esperar para ver como decorre o segundo semestre, já que os consumidores enfrentam preços cada vez mais altos em vestuário e calçado. Não sabemos – ninguém sabe – como vão responder. Por isso estamos a abordar o segundo semestre com cuidado e a controlar o que podemos, incluindo a despesa, preços e inventários».

O único lado negativo inevitável nos resultados diz respeito às margens brutas, que caíram 120 pontos base, para 45,9%, no segundo trimestre, mas teria sido pior (menos 185 pontos base) se não fosse o encerramento de uma unidade na Europa. O director financeiro da VF, Robert Shearer, sublinhou que isto está em linha com as expectativas e que as grandes questões revolvem agora em relação ao que acontece a seguir e, em particular, de como os consumidores vão reagir aos aumentos de preços programados para o resto do ano.

O declínio da margem bruta no terceiro trimestre vai, no geral, espelhar o declínio ajustado para os últimos três meses, simplesmente porque os aumentos de preços não estão no mesmo ritmo dos aumentos no preço do algodão, por exemplo. Aumentos de preço mais fortes vão surgir no quarto trimestre e esses, juntamente com uma previsão de melhorar o mix do negócio de retalho em expansão da VF, irá ajudar a contrabalançar os aumentos de custos. As margens brutas ainda vão cair – mas não por tanto. A consequência, segundo Shearer, é um declínio de cerca de 100 pontos base na margem bruta ao longo do ano, a maior parte devido ao negócio de jeans nos EUA, apanhado entre o aumento do preço do algodão e a sensibilidade de preço do mercado. Mas a estratégia – aumentar os preços, mas não o suficiente para manter as margens – irá apenas dar fruto em 2012.

Assumindo que os consumidores continuam a não se assustar com o aumento dos preços – e o volume de vendas se mantém acima das expectativas até agora, por isso parece bem – a VF irá, então, beneficiar dos subsequentes declínios nos preços do algodão, com artigos que chegarão às lojas no início do próximo ano. Por isso, embora a prudência de Wiseman seja compreensível e racional, a estratégia de preço parece saudável e tem, se não mais, funcionado melhor do que alguém poderia esperar.

Para além da questão dos preços e custos, o foco da VF na internacionalização está mais do que em marcha, com o volume de negócios internacional a representar possivelmente um terço do total das vendas este ano – bem posicionado para atingir o objectivo de 40% no plano de crescimento da empresa a cinco anos.

E depois há a Timberland: essa aquisição, que deverá ficar concluída no terceiro trimestre, deverá acrescentar 700 milhões de dólares (cerca de 491 milhões de euros) de volume de negócios e 0,25 dólares em rendimento por acção apenas em 2011. Além disso, irá permitir à VF ir além de mais um dos objectivos a cinco anos, levando a quota de volume de negócios da área Outdoor&Actions Sports para 50% até 2012.

No geral, há muitas razões para Wiseman e companhia estarem satisfeitos com o médio prazo do negócio – independentemente das cautelas imediatas que possam ter.

 

Fonte: just-style.com

Portugal Têxtil

 

Por Kris Melo

 

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