Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

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"Gostaria de ser lembrado como o homem que sutilmente quebrou as regras de moda", diz Giorgio Armani

Giorgio Armani
Divulgação

ESCRITO POR

RENATA PIZA

Ele tem 80 anos de vida, 40 de moda e já está imortalizado nas passarelas, livros e no cinema – como não se lembrar dos terninhos de Richard Gere em Gigolô Americano? Italiano, bon vivant (adora esporte e vida ao ar livre, de preferência em um barco) e reconhecido pela alfaiataria impecável, ele ganhou a América com a geração yuppie e, na sequência, o mundo.

Reservado e multitask – faz de roupas a hotéis –, é praticamente impossível conseguir um espaço em sua agenda. Mas, em Milão, onde mostra as coleções da marca homônima e da Emporio Armani, ele concedeu esta entrevista à ELLE Brasil e conta como de que maneira gostaria de ser lembrado.

Moda, decoração, restaurantes, hotéis. Como ser criativo em tantas áreas diferentes?

Tenho que admitir que é um processo natural para mim. Nesses 40 anos, sempre quis criar um lifestyle completo, que refletisse minhas ideias e pudesse ser aplicado em outros campos, além da moda, como o design de interiores e de hotéis. O princípio básico não muda porque tudo é uma expressão do meu gosto. Ele vai se encaixando nas técnicas necessárias para cada área.

Você começou na moda tarde, aos 40 anos, e criou uma empresa praticamente sem ter experiência na área. Acredita que teve sorte no começo da carreira?

Não acho que comecei tarde, mas no momento certo. Lancei minha marca quando estava pronto, um pouco mais velho, mas não é verdade que não tinha experiência. Tinha conhecimento tecnológico e educação em desenho. E isso, mais do que sorte, certamente influenciou minha performance e sucesso porque eu sabia exatamente o que queria dizer e como fazer.

É impossível pensar na Armani sem se lembrar de Gigolô Americano. O filme mudou sua carreira?

Gigolô Americano teve um impacto que eu poderia chamar de crucial. Ninguém poderia imaginar o sucesso que o filme faria. Ele marcou o imaginário dos anos 1980, se tornando um importante veículo para a minha moda. Acabou ajudando a me tornar mais conhecido nos Estados Unidos e fez com que os pedidos começassem a acontecer.

Armani Privé, Giorgio Armani, Emporio... Como você vê a consumidora de cada etiqueta dentro do seu grupo? Existem musas ou fórmulas prontas para cada uma delas?

Não tenho musas ou diferentes fórmulas para as marcas. Minha ideia de estilo é uma só, e meu gosto continua o mesmo desde que comecei. As diferentes linhas são apenas variações desse estilo, endereçadas a diferentes tipos de consumidora. No final, o que une tudo é o apreço pelo que é elegante, simples e confortável. C

Como desenvolver tantas linhas na mesma temporada?

Sem dúvida esse é um desafio para todos os designers, dada a velocidade da moda contemporânea. Minha solução é optar pela continuidade. Trabalho no meu próprio ritmo e desenvolvo minhas ideias constantemente. As mulheres e os homens que visto esperam isso de mim.

Você ainda tem alguma ambição fashion? Algo pelo que gostaria de ser lembrado? Minha ambição é me manter em sintonia com o tempo.

Gostaria de ser lembrado como o homem que sutilmente minou as regras de moda que eram válidas nos últimos 20, 30 anos. Como alguém que impôs uma elegância mais natural e espontânea, removendo, por exemplo, a estrutura rígida dos paletós masculinos e dando conforto aos homens, ou imaginando que as mulheres poderiam se vestir como eles, mas com um toque de feminilidade.

Suas roupas são feitas para mulheres reais, que trabalham, têm uma vida moderna. Acredita que a moda hoje é mais realista e menos sonhadora do que era no passado?

Não diria isso. Atualmente, vejo um monte de roupas de sonho nas passarelas, criadas apenas para capas de revistas e mídias sociais. Mas, depois de 40 anos, não é desse jeito que trabalho.

Como se mantém atualizado? Gosta de mídias sociais, por exemplo?

Minhas fontes de informação ainda são as tradicionais: jornais, TV etc. Sou um entusiasta da tecnologia, mas admito que prefiro usá-la o mínimo possível.

Os 40 anos da sua marca foram marcados por uma série de tributos no site oficial. Se você tivesse que escolher apenas um, qual seria?

Não saberia. Admito que nunca tive nenhum grande herói profissional, salvo Coco Chanel, pela força da sua visão. Minha real heroína é minha mãe. Ela era uma mulher com força e dignidade imensas e, apesar do pouco que tínhamos, nunca deixou que nos faltasse algo.

Em algum ponto da sua carreira, teve dúvidas?

Sempre há crises e dúvidas. Sem elas não pode haver progresso e evolução. Elas nunca me fizeram pensar em desistir, porém. Sempre encaro a adversidade com calma e de forma decisiva.

Você, aliás, é sempre descrito como uma pessoa zen, sua casa é bem clean e é notória sua admiração por culturas orientais. Como mantém a calma em um meio tão turbulento quanto o da moda?

Meus muitos anos de experiência contribuem para essa tranquilidade. Com o tempo, também fui me cercando de colaboradores organizados e qualificados, o que sem dúvida me poupa muito estresse.

Passado, presente ou futuro. Qual seu período de tempo favorito?

Sempre o presente, mas com um olho no que está por vir.

 

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