Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

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Intervenção militar é realmente uma coisa amaldiçoada? Afinal, o que isso significa?

Quando observo as manifestações de ilustres analistas políticos, como, por exemplo, a do senhor Reinaldo Azevedo (do qual sou fã), declarando aversão total contra uma nova e possível intervenção militar no governo brasileiro, eu até entendo, porque quem ama um estado democrático de direito e luta por ele é, obviamente, contrário a qualquer ato de arbitrariedade e de ameaça à democracia. Mas quem diz que os militares querem ditaduras? Militares nunca quiseram ditadura. Em 1964, não houve um golpe, mas sim uma intervenção militar para atender ao grande clamor popular, para salvaguardar uma democracia seriamente ameaçada pelo bando de esquerdistas que, se tivessem conseguido chegar ao poder, teriam transformado o Brasil numa “super Cuba”, sócio e economicamente falido e podre. Feito isso, bastou a sociedade pedir por democracia para que, em 1985, os militares entregassem o poder.

Na época, o povo achou que estivéssemos já seguros de qualquer ameaça comunista, mas, na verdade, os cupins da esquerda estavam lá entranhados na sociedade, disfarçados de democratas, para invadir o poder utilizando a ingenuidade e a boa-fé do povo brasileiro. E cupins dão nisso: quando mais tempo se passa, mais se proliferam e mais depressa acabam com a prosperidade de qualquer árvore, mesmo gigantescas. Depois de tê-la destruído, eles têm a “cara de pau” de dizer que estão lá para defender a árvore (seja essa árvore o governo, a Petrobrás etc.).

Hoje, o povo esclarecido brasileiro está se sentindo impotente diante de tanta impunidade política, desmandos, corrupções e abuso de poder. Só que, dentro dessa classe esclarecida, se encontram também os militares, com suas famílias e filhos, porque eles também são povo e eles também estão vendo a bandidágem política indo longe demais.

Devem eles intervir? Não. O exército não intervém arbitrariamente para dar golpe, ele apenas dá apoio ao povo se este estiver sendo ameaçado em suas instituições democráticas e clamar por socorro, porque o exército, institucionalmente, está com o povo.

Alguém já viu no mundo alguma ditadura militar se perpetuar? Isso não acontece porque, mesmo se existir um líder, os outros militares não permitiriam. As verdadeiras ditaduras defendem o poder e não a democracia; elas criam dinastias – vejam a Coréia do Norte, vejam Cuba. As verdadeiras ditaduras podem ser fruto de golpe de um militar, mas não dos militares. Por isso, impor esse tipo de medo aos brasileiros, é bobagem.

Agora vamos nos perguntar: estamos precisando de uma intervenção militar? Gostaria dizer que não, mas o que os políticos estão fazendo para que nós não venhamos a precisar? Nada! Graça à seriedade, à honestidade e ao patriotismo de algum juiz e de alguns patriotas da Polícia Federal e do Ministério Público, estamos vendo diretores e manipuladores do propinoduto da Petrobrás sendo processados, mas e os do lado interno do comando, blindados pela cumplicidade parlamentar, quando responderão pelos crimes?

As empresas e empreiteiras não são corruptas porque querem, mas porque são obrigadas. Para as empreiteiras fazerem negócios com empresas estatais e órgãos públicos, têm de entrar no esquema por eles ditado, condição sine qua non para fechar negócios. Mas o esquema é criado e usufruído pelos diretores das estatais? Jamais. Os diretores são indicados pelos governantes e exercem um cargo de confiança. E confiança quer dizer seguir fielmente as diretrizes do “chefe”. Aliás, não existe uma organização criminosa sem um chefe. O chefe, por sua vez, nunca costuma entrar pessoalmente no esquema, ele apenas cobra resultados.

Veja como funciona uma organização criminosa perfeita: nos “morros” do Rio de Janeiro, uma organização criminosa, para poder atuar, necessita do apoio dos moradores locais, então os bandidos distribuem benefícios para esses moradores e, com isso, além de terem seu apoio, passam a ser considerados os “protetores” dos moradores. Temos aqui alguma diferença com o que está acontecendo em nosso governo? Quase nada. Os moradores seriam os eleitores incultos, os bolsistas, os apadrinhados etc. Mas onde colocamos os parlamentares? Nos moradores ou nos componentes do bando? Acho que eles têm o privilégio de pertencer aos dois lados. Eles são comprados com os benefícios das e, ao mesmo tempo, a maioria deles faz parte do bando. Tudo sob o manto da impunidade!

Nós vivemos num país onde apoio popular e votos são transformados em álibi e permissividade para cometer qualquer abuso. Acreditar que as coisas possam mudar por iniciativa dos políticos (e contra eles) não é ser ingênuo, é ser burro mesmo.

Então, não adianta dizer que se é contrário a esse tipo de socialismo e ao mesmo tempo achar que com jeito tudo será resolvido, porque não será. Precisamos entender que o socialismo só funciona com a pobreza generalizada, e nós já estamos nesse caminho, com suborno e aliciamento de eleitores e a destruição do capitalismo.

Será que ainda não dá pra ver que o capitalismo já está em boa parte destruído? Só há dois modos de “socializar” uma nação: 1) Estatizando empresas; 2) Impondo tributações e obrigações sociais excruciantes porque impagáveis, descapitalizando assim todas as empresas. Visto a impossibilidade da primeira, o PT optou pela segunda. Como? Com o aperfeiçoamento do sistema arrecadatório, subtraindo mais de 40% de toda nossa produção, além de inúmeros encargos trabalhistas que transferem para o gerador de empregos tarefas sociais que só competiriam ao Estado.

Assim não há empresas que possam sobreviver. Quem não sucumbiu sucumbirá, com raras exceções das empresas de fachada, usadas para corruptos legalizarem seu dinheiro sujo.

Está claro, então, que, ao ponto em que o país chegou, os militares poderiam resolver os problemas, mas eles somente interviriam após muitas e grandes manifestações públicas da sociedade – manifestações estas que não acontecem porque são inibidas por um bando de criminosos a mando da estrutura política dos governantes, chamados de black-blocs, razão pela qual, quando você, leitor, fizer uma manifestação contra o governo e vir um mascarado, ele, com certeza, não será seu companheiro, mas seu inimigo, e a polícia merece seu apoio para poder identificá-lo e prendê-lo.

Bom seria se, antes de exigir dos militares, as entidades empresariais, cansadas de reclamar, tomassem iniciativas e fossem às ruas com seus colaboradores, para dizer em voz alta que os “verdadeiros trabalhadores do Brasil” querem um basta aos desgovernos e aos múltiplos estelionatos eleitorais.

Esse é o meu ponto de vista.

 

Cav. Giuseppe Tropi Somma é empresário, membro da Abramaco e presidente do Grupo Cavemac.

giuseppe@cavemac.com.br

Foto: Divulgação

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Comentário de Antonio Silverio Paculdino Ferre em 1 abril 2015 às 11:39
Só acrescento que a corrupção militar dá mais medo do que a civil!

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