Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

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“Na vida profissional, não há espaço para quem para no tempo ou fica se lamentando”

Juliana Verboonen encontrou o lado positivo da demissão: mais tempo para pensar em novos projetos, almoçar com calma e estar com quem ama.

por Juliana Verboonen

Uma das piores sensações que já tive a oportunidade de experimentar é o ócio. Não o criativo. Não aquele merecido, momento de relaxar e fazer nada depois de longa jornada de trabalho. Esse tipo de ócio é maravilhoso.

Refiro-me aqui ao ócio do não ter o que fazer — e não saber o que fazer. E se isso já deve ser difícil de encarar numa aposentadoria, na vida ativa, plena, na fase profissional mais produtiva, é ainda pior.

A vida tem dessas coisas. De repente, todos os planos mudam. E a felicidade está na capacidade que temos de nos adaptar a esses desafios

Quando saí do trabalho, em 2018, recebi muitos telefonemas e mensagens. E percebi que todos — de um jeito ou de outro — relatavam as mesmas coisas. As sensações eram as mesmas. Não importava se era uma pessoa mais jovem, com pouco tempo na empresa, ou se era alguém mais experiente. Também não fazia diferença se o corte aconteceu por uma fusão da organização ou por alguma substituição específica daquele profissional. Todo mundo tem a mesma dor.

Neste mesmo período, um grupo grande de pessoas deixou a empresa para a qual eu trabalhava. E as pessoas entravam em contato, algumas realmente perdidas. Não sabiam por onde começar. Às vezes, gastavam dias e dias pensando em respostas para questões como “por que comigo?”. “Isso não é justo”. “Ninguém reconhece o meu esforço no período em que estive lá”.

Eu percebia que as pessoas que mergulhavam mais profundamente nesses pontos se afundavam um pouco mais que as outras. E tentava mostrar a elas que, passado o momento susto, era a hora de seguir adiante, olhar para frente.

E foi assim que surgiu o Vamos em Frente – carreira. Fui colocando no papel o que eu sentia, como eu lidava com as questões mais delicadas e o que eu via os amigos fazerem. Cada situação é diferente e, na prática, cada um sabe onde o sapato aperta

Ao longo desse processo de redescoberta e acomodação dos sentimentos após a demissão, pode acontecer da pessoa achar que todos devem lhe dar mais atenção. Em outras palavras, querer um mimo a mais, um paparico, porque está mais sensível. Destaco do livro um trecho no qual abordo sobre isso:

Há muitas armadilhas fáceis de cair nesse momento de maior sensibilidade. Uma delas é achar que, como o seu mundo desabou, todas as pessoas a sua volta devem paparicar você. Sim, é uma delícia ganhar um mimo. Sim, você está frágil.

O mundo não parou porque você saiu do trabalho. Todos têm suas ocupações, preocupações e problemas. E cada um deve tentar achar o seu caminho. As pessoas que amam você vão ajudá-lo a se levantar, mas não viverão em função de você

O papel da família e dos amigos mais próximos é dar um suporte para que você reencontre o equilíbrio e consiga colocar a cabeça no lugar. Se você chorar, desabafar, eles estarão ali para ouvir e dar o ombro de que você precisa.

Não abuse dessas pessoas queridas chorando todos os dias, gritando, ficando nervoso, descontando nelas o mau momento que você vive. Elas não merecem isso. E você não vai querer trazer todo mundo para a sua tempestade, certo? Ao contrário, você quer a ajuda delas para voltar a ver o sol.

Pense nisso.

Na vida profissional, não há espaço para quem para no tempo. Não há oportunidade para quem fica se lamentando. A realidade é que cada um precisa buscar um caminho e tocar a vida.

E a pergunta mais difícil é: qual caminho?

Em vez de se deprimir, Juliana ponderou o que havia de positivo na demissão e escreveu o “Vamos em frente – carreira”.

Quando uma pessoa perde o emprego, perde muita coisa: salário, amigos, desafios, possibilidades de crescimento, rotina, happy hour, convites para festas. Em contrapartida, a pessoa também ganha: liberdade, almoços com calma, indenização, possibilidade de ficar mais com os filhos. E o principal: passa a ter tempo livre. Isso sem falar em reuniões chatas que nunca levaram a nada e colegas que fazem piadas bobas e todo mundo é obrigado a ouvir. Tudo isso deixa de existir.

No livro Vamos em Frente proponho que a pessoa que está vivendo este momento coloque numa balança as perdas e os ganhos. Se analisar com calma, é possível reconhecer que o momento não é tão terrível assim.

Mas, para enxergar as vantagens de ter sido demitido, é fundamental ter a mente em paz. Entender que isso é algo que pode acontecer com todas as pessoas ao longo da vida profissional. Basta estar empregado para viver o risco de perder o emprego.

Num trecho do livro, abordo o foco. É preciso olhar para frente:

Agora que você está mais calmo, percebeu que existe vida fora da antiga empresa, é hora de procurar um foco. Adivinhe onde ele está? No futuro. Parece óbvio? Não é.

Esqueça os planos anteriores. É hora de reavaliar. O momento é de sair da zona de conforto. Proponha um novo desafio.

 A grande vantagem desta fase é que você não tem nada a perder. Viu só? Mais uma coisa boa lá para a lista de ganhos. Você tem tempo para realizar o que quer e tem a oportunidade de arriscar porque isso não vai obrigar você a abrir mão do emprego. Não havendo “o garantido”, você tem a liberdade de testar, de se jogar numa ideia nova.

É importante ressaltar que o livro não tem viés acadêmico ou científico. Não foi feito baseado em experimentos. Nem tem este propósito. Há muita gente capacitada e habilitada para tratar da psique. No livro, minha proposta é dar um ânimo, oferecer uma nova forma de pensar, ajudar a pessoa a enxergar que a vida não acabou. Apenas um ciclo se fechou.

E sempre ressalto sobre a possibilidade de buscar ajuda de profissionais. Há especialistas que podem ajudar caso a pessoa esteja caminhando para uma depressão. Outros que podem orientar sobre finanças. E também há profissionais especializados em elaboração de currículos, por exemplo.

Como tenho pós-graduações em Administração, em Comunicação Organizacional e estou concluindo uma outra pós-graduação em Marketing, muito desses estudos e aprendizados entram na minha forma de conduzir a vida profissional. Mas, repito, minha intenção é levantar o astral, motivar, dar uma luz.

Dito isto, parto para a segunda parte do livro. Quando a pessoa já se reequilibrou, já conseguiu se estruturar emocionalmente, é hora de começar a planejar a carreira. Não adianta sair enviando currículos e falando com todo mundo que precisa de um emprego. Este não é o melhor caminho.

Uma forma de descobrir o que fazer é pensar em alguns pontos estratégicos. É olhar para o futuro e elaborar:

– Que rotina gostaria de ter?

– É importante ter os fins de semana livres?

– Que salário é necessário para manter/aumentar o padrão de vida?

Com essas respostas em mãos, é possível partir para o próximo passo. É chegada a hora de definir se prefere voltar para uma organização ou empreender.

Nem todas as pessoas tem habilidades para ter o próprio negócio. Existe uma falsa ideia de que sendo o dono da empresa a pessoa a ser dona do próprio tempo. Isso não é verdade.

Ser empreendedor significa estar disponível dia e noite para qualquer necessidade e disposto a resolver todo problema que vier a acontecer.

É claro que existem variações de um business para outro. Quando o negócio envolve alimentação, por exemplo, tudo muda. Produtos perecíveis, em geral, exigem um controle muito maior para evitar contaminações, desperdícios e prejuízos.

Quando a atividade requer muitos funcionários, surgem novos desafios. O empreendedor tem que aprender a selecionar o perfil ideal para cada função e identificar profissionais responsáveis. Pessoas que faltam por qualquer motivo ou que não cumprem exatamente o que foi estabelecido criam dificuldades no processo de produção. E, no fim das contas, recai sobre o dono do negócio a obrigação de consertar, de cobrir a ausência do funcionário etc.

Outra habilidade que quem quer ser empreendedor deve avaliar bem é a capacidade de organização. Isso significa ter um estoque bem planejado, contas pagar, impostos recolhidos e caixa conferido. Com o crescimento do business, outras pessoas passarão a dividir essas responsabilidades. Mas, nos primeiros meses ou até anos, toda essa atividade fica nas mãos do dono. Não há muito como fugir disso.

Para quem pensa em voltar ao mercado e trabalhar novamente para uma empresa, garantindo o salário fixo e certo no fim do mês, elaborando um plano de carreira, é importante neste momento identificar o tipo de vaga que quer ocupar. Pode ser a chance de sair de uma função técnica para algo mais gerencial. Pode ser a oportunidade de migrar para algo que tenha relação com uma pós-graduação ou MBA já concluído. O profissional que se candidata a fazer qualquer coisa e aceitar qualquer função perde a chance de dar um passo adiante.

É fato que a ansiedade e a necessidade de pagar as contas no fim do mês acabam gerando uma angústia e isso é prejudicial. Diante de um gestor, de um headhunter ou um profissional de RH, quanto mais clareza o profissional tiver sobre os desejos, os caminhos que quer seguir, melhor.

Não adianta aceitar uma vaga por impulso e medo de não parecer algo melhor e logo na sequência estar insatisfeito e infeliz

Acredito que o segredo da vida está na forma como encaramos cada situação. Sempre há um lado positivo. Se o leitor me permitir dar um conselho, digo o seguinte: quando um problema aparecer e os planos tiverem que mudar, pense numa maneira de transformar o erro em uma solução fantástica, uma saída vitoriosa. Assim, é possível construir uma história linda, cheia de reviravoltas deliciosas e muitos causos para contar.

 

Juliana Verboonen, 37, jornalista, trabalhou nas TVs Gazeta, Band e Vanguarda (afiliada da Globo), além de na Rádio Bandeirantes, BandNews FM e SulAmerica Trânsito. É cofundadora da Mount Olive Partners, colunista do portal by Monaco e integra a equipe de apresentadores do ClickTube. Escreveu os livros  “Vamos em frente – carreira” e “Mobilidade, muito além de trânsito”.

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