Fonte:|dci.com.br|
O setor automotivo responde por 7,4% da produção de não-tecidos e por 6,7% da de tecidos técnicos
Mesmo com a crise econômica mundial, o Brasil se manteve em destaque no mercado internacional. Em 2009, o setor automobilístico tornou-se o quinto maior produtor de veículos de passeio do mundo, com mais de 2,5 milhões de unidades fabricadas. A indústria automobilística é um dos termômetros da economia nacional. Guardadas as proporções, o setor só tem paralelo em intensidade de investimento com a China, atualmente.
Quando o governo reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para que o setor não sofresse os abalos da crise, a venda aumentou ainda mais. No mês de março deste ano foram licenciados mais de 353 mil veículos. A expectativa este ano é de 5,1 milhões de carros emplacados no País, um salto de 8,46% sobre 2009. Além de ser a paixão do brasileiro - o quarto maior consumidor de carros no mundo -, essa produção gera empregos diretos e indiretos e é a grande cliente de diversas indústrias.
Uma delas é a de não-tecidos e tecidos técnicos. Assim como outros tipos de materiais sintéticos e plásticos, os não-tecidos e tecidos técnicos começaram a ser mais utilizados em veículos em função de uma mudança de postura que vem ocorrendo ao longo dos anos, tanto do consumidor como da indústria. Os fabricantes passaram a usar nos veículos produtos que oferecessem maior desempenho e eficiência, além de melhor resposta ambiental, mais economia e segurança das pessoas.
Na matéria-prima também, uma vez que o setor de não-tecidos é o maior reciclador de PET para produção de artefatos para indústria automobilística. Consome 21% do PET coletado no Brasil e só não consome mais por falta de oferta deste material. Outras fibras utilizadas nesta indústria são as naturais, como de coco, curauá, sisal, algodão e juta. Assim, hoje, os não-tecidos são encontrados no isolamento térmico e acústico, na base de peças moldadas, no acabamento de superfície, carpete do assoalho, nos filtros, no revestimento de bagageiros, bancos, teto, entre outras aplicações para automóveis.
O setor automobilístico corresponde por 7,4% da produção de não-tecidos. Enquanto nos tecidos técnicos, corresponde a 6,7%.
Com a forte demanda do setor automotivo e também de outros setores (como construção civil, calçados, fraldas e absorventes femininos, por exemplo), as perspectivas dos empresários do setor de não-tecidos e tecidos técnicos são otimistas, ainda que o crescimento seja maior que a sua infraestrutura.
A indústria brasileira de não-tecidos e tecidos técnicos conta com cerca de 220 empresas, algumas as maiores do mundo no setor, e investe R$ 170 milhões em modernização e ampliação do parque produtivo. Representa um faturamento de mais de US$ 1,8 bilhão por ano, produção de 517 mil toneladas e responde pela geração de mais de 40 mil empregos diretos e dezenas de milhares de indiretos.
Seus produtos são encontrados nas mais diversas aplicações. Garantem a proteção da produção agrícola em forma de mantas, por exemplo; estão em roupas, toucas, aventais máscaras e outros utensílios usados na medicina para evitar contaminações; estão também nas soluções que trazem comodidade à vida moderna, como é o caso dos higiênicos e descartáveis (fraldas, lenços umedecidos e absorventes); fazem parte da estrutura das construções, como na forração de telhados, impermeabilização, revestimento acústico, etc; e protegem o ambiente, quando usados na forma de mantas geossintéticas (barragens, isolamento de aterros sanitários etc), entre várias outras aplicações.
Nos últimos cinco anos, a indústria de não-tecidos investiu mais de US$ 200 milhões em tecnologias de última geração, porque há espaço para o crescimento. No País, consome-se hoje cerca de 1,08 quilos por habitante por ano, enquanto nos Estados Unidos, por exemplo, o consumo é quatro vezes maior. Uma das oportunidades de mostrar às diversas indústrias os investimentos e as inovações do setor de não-tecidos e tecidos técnicos é a NT&TT Show, feira internacional a ser realizada em outubro de 2011 em São Paulo.
O setor acredita que o Brasil e a indústria automobilística estão no caminho certo e que as indústrias de não-tecidos e tecidos técnicos irão refletir todo esse crescimento. Outros pontos da economia, como a necessidade de manter uma taxa de juros que consiga controlar o consumo sem que isto resulte em retrocesso, a diminuição do custo de capital e do acesso mais amplo e fácil ao crédito são alicerces para um trabalho em prol de maior competitividade, tanto aqui como no exterior.
Mas o Brasil também precisa das reformas fiscal e trabalhista, da diminuição da burocracia na máquina governamental e de maior atenção na fiscalização quanto às importações. São essas as ações que darão condições para que os índices de investimentos que vinham se seguindo sejam mantidos pelo setor.
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