Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano VI

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano VI

Fonte:|gazetaonline.globo.com|

No dia 11 de fevereiro será conhecido o novo proprietário do terreno onde fica a antiga fábrica

Jean Marie Roussel, representante da empresa francesa que adquiriu parte da empresa Brasperola, mostrando equipamentos
Jean Marie Roussel, representante da empresa francesa que adquiriu parte da empresa Brasperola, mostrando equipamentos. A fábrica fechou as portas em setembro de 2001 e, no mesmo período, os 670 funcionários do grupo foram dispensados


Os mais saudosos, que lamentaram o fechamento da fábrica de tecidos Braspérola em setembro de 2001, terão mais um motivo de tristeza. Em fevereiro, a partir do dia 11, o novo proprietário do terreno e do imóvel onde funcionava a maior fábrica de linho da América Latina poderá instalar o que preferir no local ou até mesmo demolir a antiga fábrica de tecidos.

Até o dia 26 de janeiro, os interessados em adquirir a área total de 463.706,67 metros quadrados, com cerca de 220 mil metros quadrados de área de preservação ambiental, poderão retirar o edital de venda do terreno e do imóvel.

No dia 11 de fevereiro serão abertos os envelopes com as propostas de compra. Até meados da semana passada, sete solicitações do edital já haviam sido feitas ao síndico da massa falida da Braspérola, Paulo França.

França não idealiza o que poderá obter com a venda e diz que o total obtido será depositado em conta judicial e vai servir para quitar as dívidas ainda pendentes no processo de falência da Braspérola. Mesmo sem falar em preço, no mercado imobiliário, corretores calculam em
R$ 400 o valor do metro quadrado na região.

Procurados, os representantes da Vivabras, empresa que arrematou os equipamentos da antiga Braspérola, não se manifestaram. A empresa terá que retirar as máquinas que ainda estão no local, já que decidiu não mais reativar o empreendimento no Estado, ao contrário do que fez com a planta da Braspérola em Pernambuco, onde a Vivabras está produzindo algodão e linho.

As informações não oficiais são de que os franceses encontraram máquinas depenadas, dificuldades intransponíveis e pouca disposição de autoridades para ajudar a reativar a unidade da antiga fábrica de linho no Estado.

A história da fábrica de tecidos

Dispensa. Depois de passar por dificuldades financeiras, o grupo controlador da Braspérola decidiu fechar as fábricas de Cariacica, onde fabricava linho puro, considerado de altíssima qualidade, e de Camaragibe, em Pernambuco, onde produzia algodão e linho misto. No dia 4 de setembro de 2001, os 670 funcionários foram dispensados. A fábrica, apesar das tentativas, nunca mais voltou a operar.  

Pagamento. Depois de muitas negociações e idas e vindas, a Justiça do Trabalho determinou a venda dos equipamentos das fábricas de Cariacica e  de Pernambuco. O dinheiro obtido foi utilizado para o pagamento da dívida trabalhista, que foi praticamente quitada. 

Hipoteca. O grupo francês Vivalin, por meio da empresa que criou no Brasil, a Vivabras, arrematou a fábrica de Camaragibe, em Pernambuco, e os equipamentos da fábrica de Cariacica. Não pôde arrematar a fábrica de Cariacica porque tanto o terreno quanto o imóvel já estavam hipotecados em financiamentos concedidos anteriormente.

Dívidas. O dinheiro obtido foi utilizado para o pagamento da dívida trabalhista,
mas a massa falida da Braspérola ainda precisa quitar débitos tributários com os municípios, Estados e governo federal, além de pagar fornecedores e prestadores de serviços.

Produção.  Em Camaragibe, os franceses conseguiram reativar a fábrica utilizando, inclusive, equipamentos levados da fábrica de Cariacica.

Perdas.  Na unidade do Espírito Santo, as dificuldades foram maiores. As máquinas estavam mais danificadas do que imaginavam os empresários compradores, faltavam peças básicas nos equipamentos, e existia todo o passivo ambiental que precisaria ser resolvido para garantir a reabertura da unidade. A decisão foi por não reativar a unidade de Cariacica. Com isso, o país perdeu, definitivamente, uma fábrica têxtil moderna e um linho de qualidade inquestionável.

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Tags: braspérola, falencia

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Comentário de NATALIE OLIFFSON RODRIGUES em 13 abril 2011 às 13:49

oLÁ. Vcs podem me confirmar qual é a empresa que comprou a Brasperola?  Att

Comentário de Romeu Cancelli Baldissera em 27 janeiro 2011 às 16:33

Pessoal, preciso o telefone de contato da Vivabrás, pois o mesmo sempre está ocupado.

Já comprei Linho deles, juntamente com o Sr. Felipe Alchorne, e temos novas demandas pra fibra de Linho.

 

Comentário de Luiz Bento Pereira em 27 janeiro 2011 às 8:18

No comentário abaixo, onde digitei:

...eles tinha espaço...

Leiam

... eles tinham espaço...

escusas.

Comentário de Luiz Bento Pereira em 27 janeiro 2011 às 8:15

O primeiro grande e duro golpe na Braspérola, antes do tombo fatal, foi o crescimento dos mixtos com o fantástico crescimento da Feltrim que dominou rapidamente o mercado em 3 ou 4 anos, seguida de perto pela Leslie, Barbieri(Teba), Metidieri, Carambei e depois a Fama que pressionou e dominou o mercado também.

O problema da Braspérola foi dormir por vários anos sem acreditar no que estava acontecendo e o pior sem tomar qualquer atitude. A perplexidade anulou a capacidade de reação.

Claro que deve ter havido alguma dificuldade para investimentos novos visando uma diversificação na linha, mas a pose não mudava nunca e talvez os acionistas da época não abrissem mãos de contimnuar sacando dividendos, aliás o grande cancer de empresas industriais que crescem, na mesma proporção do crescimento da familia que começa a agregar filhos, genros, noras, netos e todos querem dinheiro, cavalos de raça, passeios na Europa e que pensam que capa de revista é de graça.

De qualquer forma mesmo sem entender nada da parte técnica, eles tinha espaço fisico e não deveria "doer" tanto fazer misturas nas fibras para competir com os mixtos.

 

E assim, se foram, como foram também um pouco depois todos os seus concorrentes que ao que parece agiram da mesma forma.

 

Isso chega a ser intrigante e parcialmente tem uma explicação com a invasão da Malharia que evoluiu muito e contribuiu com a quebra da formalidade nas grandes instituições como Bancos, empresas publicas e outras instituições.

Eu conheço vários empresários do ramo atacadista aqui em Goiânia, que compram 10 ou 20 mil metros de tecidos, vestindo uma bermuda, um tênis e uma camiseta e não sabem o que é uma camisa social e nem querem saber. Esta sem dúvida é uma das respostas.

 

Comentário de Tadeu Bastos Gonçalves em 26 janeiro 2011 às 22:45
Miranda, seu último parágrafo é a resposta. "MERCADO CATIVO E NENHUMA CONCORRÊNCIA". Até 10 anos atrás, qualquer empresa que pensasse que tinha estes créditos, os diretores passavam a ser arrogantes e a dormirem em berço explêndido... Felizmente esse pensamento mudou já para a maioria.
Comentário de António Manuel Miranda em 26 janeiro 2011 às 15:07

Como todos aqueles que vivem e respiram o têxtil, tive e tenho o prazer histórico de ter vivido a época áurea de empresas como Scala'Doro, Matarazzo, Cia Hering, Santista, Cianê, Garcia, Calfat, entre outras, bem como a Braspérola, que de fato foi um ícone.
Em algumas delas eu foi funcionário e outras visitei por motivos profissionais ou para conhece-las já que, por aquilo que representavam no mercado, viviam no nosso imaginário de excelência têxtil.

E por isso  é difícil de entender o porque de algumas delas terem um fim tão melancólico, mesmo sabendo que tinham um mercado cativo e com pouca ou nenhuma concorrência.

Comentário de Luiz Eduardo Mello em 25 janeiro 2011 às 7:05
Prezados

E' importante que se conheca a genese das coisas antes de qualquer comentario.
Por exemplo temos que pesquisar qual a participacao de cada pessoa como na historia da Brasperola.
Quem foram as pessoas responsaveis pela sua falencia?Quem estava envolvido nessa empresa?Quais eram os contratos de venda e distribuicao de seus tecidos e quem estava atras deles?
Nessa ponte da historia da Brasperola passou muita agua.....e que deixou bastante magoa......
Luiz Eduardo
Comentário de Felipe Alchorne em 24 janeiro 2011 às 16:46

É bom que se esclareça alguns pontos, que para alguns me parece de pouco entendimento. A Unidade Industrial que pertencia a antiga Braspérola e que está sob os cuidados da massa falida da Braspérola é a da cidade de Cariacica-ES, pois encontra-se assim desde seu fechamento no ano de 2001.

Para os que viveram a era Braspérola e possuem saudade dos seus produtos, podem encontrá-los nas boas lojas do ramo. Mesmo com dificuldades e sem o apoio dos governos e representantes financeiros dos mesmos, a nossa Unidade de Camaragibe-PE, mantida com capital próprio, está produzindo os mesmos artigos da antiga Braspérola, inclusive com equipamentos renovados, reformados e atualizados. Hoje já produzimos em pequena escala, os mais famosos tecidos Braspérola: YS129, 499F, 3001, 3019, entre outros.

Sabemos que a luta é grande e o caminho cheio de obstáculos, mas não estamos medindo esforços para mantermos a marca viva no mercado. Hoje, representada pela Vivabrás, pertencente ao grupo Vivalin, que comprou todo o Parque Industrial da Unidade de Pernambuco e todos os maquinários da Unidade de Cariacica, manteremos o mercado abastecido com os produtos Braspérola, com a mesma qualidade conhecida por muitos.

 

Quem desejar comprar os nossos produtos, favor entar em contato através do e-mail: comercial@vivabras.com.br    

Comentário de Luiz Bento Pereira em 24 janeiro 2011 às 15:08

Eu digo sempre, o mercado é cruel principalmente com as vaidades.

Não adianta ser capa de revista Veja e nem figurar entre as 100 maiores. Estou no ramo desde 1968 e continuo assistindo "a banda passar".

A minha reciclagem já recomendada em alto e bom som às vezes, é feita de forma silenciosa e dolorida, assistindo espetáculos nos quais não posso interferir por falta de poderes- rsss.

Ela é feita também vendo coisas erradas de empresas que represento e já representei e que ficam pra traz como um ensinamento. Existem empresas que em muitos casos remetem uma cartela de um produto e você tem que ligar pra saber largura, composição, estrutura, etc. e tem que ficar correndo atras para saber prazo de entrega, etc.

Existem empresas que os funcionários gastam interurbanos para perguntarem coisas que já constam em documentos que você já mandou e ficam engavetados e portanto sem uma sequencia, um fluxo para alimentar todos os departamentos - Vendas, Faturamento, crédito, cobranças e contabilidade.

Querem saber mais? Você responde e dá a informação que já existe, dois dias depois liga um(a) outro(a) funcionário(a) de um setor diferente para perguntar a mesma coisa.

 

Tem muita gente para resolver tais coisas por si só e falta uma chefia, um lider para fazer os funcionários se interagirem e principalmente que os documentos "girem" ou que informações básicas sejam digitadas em softwares que òbviamente são interligados.

Uma grande empresa pode ir à falencia até mesmo por um simples detalhe onde as pequenas autoridades arrotam pelos donos. Um jogo de empurra, uma cartela mal elaborada, uma desatenção em detalhes pequenos mas importantes, podem minar o poderio que se imagina ter.

A Bangú, uma das poucas que estampava musseline em reativo, cometeu o suicidio de vender toda a produção num certo periodo somente para as Casas Pernambucanas que "determinava" os preços e quando ela quis abrir o mercado já era tarde. Foi-se embora de forma dolorosa. A Nova America achava-se dona do mercado e ficou somente na 25 de março e dançou. A Cianê, a gente nem consegue explicar, a não ser supor que inchou demais e ficou dificil administrar.

Mas de qualquer forma, tudo que você vê desmoronar tem sempre dois motivos de grande relevancia: Vaidade e morosidade e logo atras vem a centralização do poder, onde numa convenção por exemplo, muitas vozes falam ou se calam e de uma forma ou de outra, vale a voz apenas de um que se diz o dono da verdade.

 

Empresas assim, mesmo jorrando dinheiro, têm vida curta.

 

É claro que reservo-me o direito de estar errado e/ou estar sendo injusto, porque não sou formado em administração e sequer fiz um curso de comportamento humano na empresa, mas falo com a autoridade que tenho do alto dos meus 65 anos portando um diploma de técnico em contabilidade e que me habilitou a trafegar por 40 anos  de experiencia vendendo "pano".

 

 

Comentário de Tadeu Bastos Gonçalves em 24 janeiro 2011 às 13:24

O mundo corporativo tem dessas coisas. A economia de mercado não perdoa os românticos e também os mal intencionados.

Desde que o cônsul Carlos Renaux em Brusque-SC e o comendador Matarazzo em São Paulo iniciaram a indústria têxtil no Brasil, dando oportunidade para a vasta indústria do vestuário, apareceram mais mal intencionados que românticos. Como disse o LB Pereiria abaixo, a indústria do vestuário precisa aprender a enxugar custos,(principalmente os românticos) nem que para isto precise reduzir o tamanho do ego e fundir a empresa com um concorrente, como fazem os grandes investidores (ex. de Itaú e Unibanco) Empresas com 150 modelos numa coleção que vende 20 mil peças por mes não é competitiva e a hora que os bancos fecharem a torneira do capital de giro ou desconto de duplicata irão para o mesmo caminho da Braspérola. Esse filme passa quase diariamente, e haja reprise...

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