Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

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De A noite dos mortos vivos a Guerra mundial Z

 

A noite dos mortos vivos (1968) , de George Romero.

Após a estreia de Guerra mundial Z, um filme de zumbis no qual o galã Brad Pitt faz o papel principal, não há dúvida: Os zumbis realmente estão em alta!

 

Nunca se produziu tanto material com os enigmáticos mortos que andam e se alimentam de humanos. Eles estão em todo o lugar. Na TV (a série The Walking Dead), nas HQs (The Walking Dead e Marvel Zombies, nos Estados Unidos, ambos publicados no Brasil e as produções nacionais Planeta Morto e uma antologia chamada Zumbis e outra criaturas das trevas), em livros (Guerra Mundial Z, Orgulho e Preconceito e Zumbi) e até na propaganda da Seguradora Allianz que apresenta as normas de segurança em salas de cinema.

 

E, por falar em cinema, assunto que trataremos aqui, nos últimos anos foram lançados diversos títulos. Apenas para citar alguns, a franquia Resident Evil, Extermínio (2002) e sua continuação de 2007, Madrugada dos Mortos (2004), Planeta Terror (2007), Rec (2008), Zumbi nas neves (2009), as comédias, Todo mundo quase morto (2004), Zumbilândia (2009) e Meu namorado é um zumbi (2013), e a animação ParaNorman (2012). Devemos lembrar ainda de Juan dos Mortos (2010), uma produção da Espanha e de Cuba, e os brasileiros, Capital dos Mortos (2008) e Desalmados – O Vírus (2013).

 

O palhaço zumbi da comédia Zumbilândia (2009).

Mas, nada disso seria possível se não fosse o grande mestre dos filmes de zumbis, George Romero, responsável por Noite dos Mortos Vivos (1968), O Despertar dos Mortos (1978) e Dia dos Mortos (1985), entre outros. Romero popularizou as características principais dos zumbis, apreciado pelos fãs do gênero. Criaturas irracionais e com movimentos lentos, cujo único objetivo é alimentar-se da carne humana, e “mortas” apenas quando alvejadas na cabeça, bem diferente das práticas espirituais do vodu afro-caribenho, que da origem a palavra zumbi, e é retratado em Zumbi Branco (1932), um dos primeiros filmes de zumbis, estrelado pelo, no mínimo excêntrico, Bela Lugosi. Romero nem usa o termo zumbi no seu filme de 1968.

White Zombie, o filme de 1932 com Bela Lugosi.

Mas afinal, o que isso significa?

 

Ao compararmos o primeiro filme de George Romero (A Noite dos Mortos Vivos) com o filme de Marc Forster (Guerra Mundial Z), alguns aspectos merecem comentários. Uma das primeiras coisas que chamam a atenção é a voracidade dos zumbis do filme de Forster. Se, em Romero, os zumbis andam devagar, em Guerra Mundial Z, a rapidez dos zumbis não pouparia nem o velocista jamaicano Usain Bolt. E isso é realmente assustador!

Guerra Mundial Z (2013), com direção de Marc Forster.

Outro ponto é a questão da crítica político-social que sempre acompanhou os filmes (ou pelo menos, boa parte deles) estrelados por tais criaturas. De um lado, a década de 1960 marcou nossa história com uma série de transformações políticas, sociais, culturais que são trabalhadas metaforicamente, nos zumbis de Romero. Do outro, vivemos em um mundo de 7 bilhões de habitantes, dito globalizado, minando seus recursos naturais, com a Europa em crise, a China aumentado sua importância na ordem mundial, o Brasil em alta e os Estados Unidos recuperando-se economicamente, mas, ao mesmo tempo, digladiando com o seu mais novo inimigo, os terroristas. Serão os dias atuais, na verdade, uma grande dúvida sobre o nosso futuro?

 

Talvez, por isso, essa grande quantidade de filmes de zumbis e, diga-se de passagem, de todos os tipos de fantasias, de super-heróis a contos de fada e criaturas da noite de plantão.

Nesse sentido, o filme de Romero saí-se melhor, pois se os zumbis representam algum tipo de alienação, ela também existe nos homens, corroborado pelo final primoroso de A Noite dos Mortos Vivos (que ninguém nunca conta e eu também não contarei, tem que conferir). Enquanto em Guerra Mundial Z, há apenas dois lados, o bom (os homens, isto é, o herói Brad Pitt, ex-ONU e novamente recrutado para ajudar o mundo) e o mal (os zekes, que são dizimados em um genocídio assustador, para assim extirpar todo o mal da terra provocado por uma epidemia viral).

Cena de Guerra Mundial Z: zumbis e muita ação.

 

Enfim, os zumbis sempre servirão a nós para expurgarmos todo o mal que existe no mundo, seja ele qual for e onde quer que esteja. Presente nas grandes cidades ou no interior, as criaturas canibais estarão sempre à espreita de nossas ações. Resta saber como nos sairemos no mundo real.

 

Helder Oliveira

Doutorando em História da Arte IFCH/Unicamp, Docente de História da Arte PUC-Campinas e Pesquisador em Arte e Cultura Contemporânea da Tendere

leia o post no blog.

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