Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

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NO SONHO do governo, o trem-bala estaria pronto para a Copa (Foto: Divulgação)

NO SONHO do governo, o trem-bala estaria pronto para a Copa (Foto: Divulgação)

Reportagem de Marcelo Sakate, publicada em edição impressa de VEJA

O PIB NO ATOLEIRO

O crescimento médio nos anos Dilma será um terço do prometido, em razão de baixos investimentos e pouca produtividade

A eleição de Dilma Rousseff para a Presidência, há pouco mais de três anos, ocorreu em um momento extraordinário para a economia. Em 2010, o PIB teve alta de 7,5%, o ritmo mais acelerado em um quarto de século. A indústria foi o motor do crescimento, com avanço de 11%. A confiança dos empresários e a disposição deles para investir na expansão de seus negócios estavam próximas de níveis recordes.

O governo Dilma deu partida nesse clima de otimismo. As projeções oficiais para o quadriênio seguinte eram ambiciosas. Estimavam um crescimento médio anual de 6% entre 2011 e 2014, capaz de fazer o Brasil consolidar-se como a quinta maior economia do mundo, deixando para trás potências como a França e a Inglaterra.

No discurso de posse, a presidente enfatizou a necessidade de promover os investimentos produtivos, sobretudo em infraestrutura, que passariam a ditar o dinamismo na economia.

Sonho do governo versus realidade do Brasil

Sonho do governo versus realidade do Brasil

Que diferença podem fazer três poucos anos. Em 2013, segundo o IBGE, o crescimento do PIB ficou em 2,3%, aquém das expectativas pelo terceiro ano consecutivo. O ritmo médio dos três primeiros anos do governo Dilma foi de 2%.

De acordo com consultorias econômicas, em 2014 o avanço, mais uma vez, ficará ao redor de 2%. Com isso, a taxa média nos anos Dilma será um terço da estimada originalmente pelo governo. O ritmo lento e a desvalorização do real farão o Brasil perder posições no ranking do PIB global, sendo ultrapassado por Índia e Rússia e caindo para o nono lugar.

A economia, além de tudo, terá de enfrentar, neste ano, alguns fatores adversos, como o agravamento da crise na Argentina, o principal destino das exportações de produtos manufaturados.

A taxa básica de juros tem sido elevada pelo Banco Central, uma ação necessária para conter a inflação mas que trará efeitos negativos à atividade econômica. Na semana passada, a Selic subiu para 10,75% ao ano, o mesmo nível em que estava quando Lula passou a faixa presidencial para Dilma.

Foi o oitavo aumento seguido desde abril passado, quando era de 7,25%, sua taxa mínima histórica. A inflação renitente acima da meta oficial, de 4,5%, entretanto, comprovou que os juros caíram rápido demais, sem que outros ajustes, como o controle mais incisivo dos gastos públicos, fossem postos em prática.

NA REALIDADE, a riqueza do campo é desperdiçada na lama das estradas (Foto: Werther Santana / Estadão Conteúdo)

NA REALIDADE, a riqueza do campo é desperdiçada na lama das estradas (Foto: Werther Santana / Estadão Conteúdo)

A mudança de humor não se deu da noite para o dia, e, contraditoriamente, ocorreu mesmo com a equipe econômica se esforçando para satisfazer alguns dos principais pleitos do empresariado, entre eles os juros mais baixos e a redução no custo da energia.

Por que os resultados da política econômica decepcionaram? Essencialmente, porque o governo imaginou que poderia ultrapassar todos os obstáculos simplesmente tomando decisões unilaterais, sem fazer reformas que criassem as bases realmente sólidas para atrair os investimentos de longo prazo, indispensáveis para o país se livrar do atual marasmo.

Um dos casos emblemáticos foi o da conta de luz. O governo forçou as empresas do setor a renegociar os contratos e jogou para baixo as indenizações previstas para as empresas que tinham feito investimentos. A imposição reavivou o fantasma da insegurança jurídica e afetou o caixa das empresas.

Outro exemplo é o controle do preço da gasolina e do diesel. Para o economista Octavio de Barros, diretor do Bradesco, é necessário agora um esforço redobrado para resgatar a credibilidade: “O governo deveria anunciar quatro ou cinco medidas para demonstrar a mudança de atitude. O corte de alguns dispêndios previstos no Orçamento foi um primeiro passo importante, mas não é o suficiente”.

O governo fez uma correção de rota. Os juros subiram, e as interferências na economia deixaram de ser feitas a todo momento. As privatizações também começaram a sair do papel. Mas os investimentos, a despeito da alta de 6,3% no ano passado, permanecem aquém do necessário.

O que trava o PIB

O que trava o PIB

A taxa total como proporção do PIB é de 18%. Para manter um crescimento sustentado do PIB da ordem de 5%, sem pressionar a inflação, os economistas estimam que essa taxa deveria estar próxima de 23%, valor, aliás, que o governo via como uma meta.

Os investimentos, ao lado do aprimoramento da educação, são o alicerce sobre o qual se constrói o aumento da produtividade, sem o qual todo o ciclo de crescimento acelerado será efêmero. Nesse aspecto, o Brasil ocupa um lugar nada animador nas comparações internacionais.

Enquanto a produtividade dos trabalhadores brasileiros cresceu apenas 12% na última década, ela avançou 44% no Peru e mais de 150% na China. Para o economista Naercio Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, reverter o atraso exigirá deixar para trás os equívocos recentes. “Não há hoje um ambiente de avanço institucional que permita aumentar a produtividade”, diz Menezes. “Vemos mudanças constantes de regras, com o favorecimento de setores, desonerações e reversões. Elas criam uma incerteza enorme. Ao mesmo tempo, a melhora na qualidade da educação tem sido lenta. Tudo isso torna ruim a perspectiva para a produtividade.” Má notícia para os PIBs futuros.

 

A Petrobras estrangulada

 

Números do balanço da Petrobras não são bons

Números do balanço da Petrobras não são bons

A Petrobras divulgou os números de seu balanço financeiro de 2013 – e eles não são bons. O lucro cresceu 11%, mas ainda assim foi um dos mais baixos de sua história recente. No dia seguinte ao anúncio, as ações tiveram forte perda e caíram ao menor nível desde 2005.

A queda no valor de mercado traduz as muitas e sérias razões de preocupação dos investidores. Segundo dados da agência de informações financeiras Bloomberg, a Petrobras é a empresa mais endividada do mundo.

É difícil imaginar como ela conseguirá cumprir o seu plano de investimentos para os próximos cinco anos, totalizando 221 bilhões de dólares. A dívida líquida da companhia subiu dos 147 bilhões de reais, registrados em 2012, para 221 bilhões de reais, um aumento de 50% em um único ano – reflexo, em parte, da desvalorização do real, mas não apenas.

A empresa, na verdade, sofre uma sangria financeira há três anos, por causa da política do governo de não reajustar a gasolina e o diesel de acordo com as cotações internacionais. Como o Brasil está longe de ser autossuficiente nesses combustíveis (sem atraso nas novas refinarias, isso só ocorrerá em 2020), a Petrobras precisa importá-los, mas os vende no mercado interno a um preço mais baixo. No ano passado, a divisão de abastecimento amargou perdas de 18 bilhões de reais.

Com as eleições se aproximando e a inflação ainda elevada, grandes reajustes parecem fora de questão. Se houver correção, ela será insuficiente para estancar as perdas da estatal – que continuará a pagar o preço dos equívocos na política econômica.

http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/politica-cia/o-pib-no-a...

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