Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

Fonte:|terramagazine.terra.com.br|

Maria Alice Rocha
Do Recife (PE)


Em tempos de gripe suína, onde a desconfiança paira no entorno de todos, numa tentativa de se certificar que um potencial transmissor do vírus não está por perto, nada como falar da moda relacionada à higienização das roupas. Nesse contexto, foi anunciado recentemente um sistema de tratamento químico capaz de eliminar vírus e bactérias das superfícies dos tecidos, promovendo uma maior segurança contra contaminações para os usuários.

No momento, esta nova tecnologia denominada de BioSmart está sendo aplicada apenas em uniformes profissionais para uso em serviços de saúde e de alimentação, mas é possível ser maciçamente disseminada por conta da sua capacidade de renovação e sua manutenção simplificada.

Explicando melhor, a tecnologia têxtil desenvolvida pelas empresas Milliken & Co e G&K Services e empregada nos tecidos está baseada na capacidade de retenção do cloro nas fibras e fazendo com que os microorganismos ao se alimentarem delas, sejam eliminadas pelo seu poder antimicrobiano. Para que isto aconteça, não é preciso fazer quase nada, pois o efeito desinfetante dura cerca de 12 semanas, seja com o tecido seco, úmido ou molhado.

O cloro, um desinfetante natural tem a capacidade de matar bactérias e vírus comuns, incluindo a Salmonella choleraesuis, Escherichia coli, Staphylococcus aureus, Hepatitis A e Klebsiella pneumonia. E na verdade, o tecido é apenas o suporte para que o cloro possa agir como um desinfetante que acompanha e protege o usuário.

Inicialmente o tecido oferecido era apenas branco, devido principalmente ao poder de alvejamento do cloro, o que resultou no lançamento de uniformes e roupas tradicionais como batas, jalecos, toalhas e lençóis. É importante salientar que não há qualquer contra indicação para a higienização das peças com o uso dos equipamentos industriais como calandras e estufas.

Como nada é perfeito, a composição das fibras do tecido precisa ter uma predominância de poliéster, preferencialmente numa proporção de 65% para 35% de algodão. E devido ao aparente potencial quase infinito desta nova tecnologia, que passou inclusive por testes relacionados à irritação e à sensibilidade da pele, corantes resistentes ao cloro já estão sendo testados e um avental na cor azul já está disponível no mercado.

O mais interessante no tratamento têxtil é que esse poder anti-séptico é renovado a cada lavagem da roupa, pois à medida que as fibras são higienizadas com cloro, ou com a tradicional água sanitária, as partículas têxteis têm o seu conteúdo recarregado, sem no entanto, ficarem impregnadas com o odor tradicional do cloro.

Como as oportunidades de negócio aparecem rápido, uma empresa norte-americana já comercializa uniformes para profissionais da área de saúde com a marca MedCouture, num jogo de palavras que mistura o termo médico com a alta costura, em inglês, e promete que além do poder antimicrobial, o BioSmart ainda é resistente a manchas e amassados.

Parece que em pouco tempo, o ditado popular será literalmente verdade, e roupa suja só será mesmo lavada em casa.


Maria Alice Rocha é doutora em moda pela University for the Creative Arts de Rochester, Inglaterra, e professora e pesquisadora de moda, vestuário e consumo na Universidade Federal Rural/PE.

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