Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

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Apontado como dono de uma fortuna de R$ 1 bilhão e sócio de 40 empresas, o herdeiro de Eike Batista tem apenas quatro companhias que, juntas, somam um capital de R$ 430 mil.

Verdades e mentiras sobre Thor Batista

Na mitologia nórdica, Thor, o filho de Odin, é um deus asgardiano, senhor dos trovões e das batalhas. No Brasil, Thor Batista, filho de Eike Batista e Luma de Oliveira, é supostamente sócio de 40 empresas e dono de um patrimônio de RS$ 1 bilhão, segundo notícia veiculada há duas semanas. Os rumores sobre a fortuna, no entanto, parecem ter sido largamente exagerados. No site ConsultaSocio, o CPF dele está de fato associado a 40 companhias, muitas delas anteriormente pertencentes ao pai, Eike Batista, e já inativas.

A reportagem da DINHEIRO pesquisou todas as empresas no Serasa Experian e constatou que Thor é atualmente sócio em apenas quatro delas: TFB Investimentos, Paverama SP Participações, V1K Holding e V1K Real State. “Essa quantia de R$ 1 bilhão é o capital social somado das empresas das quais fui sócio no passado”, diz ele. “Já me desliguei de 36 das 40 empresas listadas em alguns websites”. O nome de Thor Batista ainda aparece ligado ao Grupo EBX, a holding fundada por seu pai na década de 80 com negócios nas áreas de mineração, exploração e transporte de petróleo e gás natural. Mas o relatório sobre a empresa no Serasa Experian não é atualizado desde 2015. “Não tenho mais nenhuma relação com as empresas do meu pai. Em 2016, decidi tomar meu próprio rumo”, afirma.

O triunfo e a tragédia de Eike Batista dariam uma saga hollywoodiana. Em 2010, ele tinha uma fortuna estimada em US$ 34 bilhões, o que o tornava o homem mais rico do Brasil e oitavo do mundo segundo a lista da revista Forbes. Naquele ano, cheio de bravata, ele chegou a desafiar o mexicano Carlos Slim, que ocupava a primeira posição: “Ele precisa inventar um novo carro de corrida para me acompanhar”, alfinetou.

O ragnarok financeiro do pai de Thor começou em 2012. No ano seguinte, Eike já tinha perdido RS$ 18 bilhões e descido 67 posições na lista mundial de bilionários. Enrolado na Lava Jato, o empresário teve de assistir ao seu Lamborghini Aventador e ao iate Spirit of Brazil serem leiloados para pagar dívidas. Em 2018, ele foi condenado a 30 anos de prisão por corrupção ativa e lavagem de dinheiro na Operação Eficiência, um dos braços da Lava Jato no Rio de Janeiro.

O primogênito, adepto do fisiculturismo, se viu obrigado a exercitar a musculação também na administração dos negócios “falidos” do pai. Desde 2009, quando tinha 17 anos, Thor já acompanhava Eike nas reuniões do conglomerado. Na época, os negócios iam muito bem e a única preocupação do garoto era com a então namorada, a panicat Nicole Bahls. Três anos depois, quando as empresas começaram a dar os primeiros sinais de quebra, ele foi nomeado diretor e até ganhou uma sala própria na empresa. No mesmo ano, ele atropelou o ciclista Wanderson Pereira dos Santos na rodovia Rio-Petrópolis. O homem foi socorrido por ele, mas morreu no hospital. Condenado por homicídio culposo em primeira instância, Thor e seus advogados conseguiram reverter a decisão em 2015.

Dois anos depois, em 2017, ele recebeu missão ainda mais difícil: assumir a presidência do Grupo EBX depois de Eike Batista ser preso, acusado de pagar US$ 16 milhões em propina ao ex-governador carioca Sérgio Cabral.


Potência: termeletrica no Ceará, um dos grandes projetos do Grupo EBX: Thor diz não ter participação nas empresas criadas pelo pai

Hoje, no entanto, Thor busca trilhar seu próprio caminho no mundo dos negócios. “Não ocupo mais nenhum cargo nas empresas ligadas ao meu pai”, diz. As companhias dele atuam no segmento de infraestrutura, logística, trading de commodities e imobiliária, Juntas, elas somam um patrimônio de apenas R$ 430 mil.

As empresas são saudáveis e apresentam baixo risco de inadimplência, com exceção da V1K holding classificada com risco médio no Serasa Experian. “Me intrometo em todas as áreas: financeira, jurídica e técnica”, diz ele sobre o seu perfil como gestor. “Busco saber de todos os detalhes possíveis e dou ouvidos a todos que trazem novas ideias.”

Escutar os funcionários é uma característica que o diferencia do pai. Fontes ligadas ao ex-bilionário comentam que Eike tinha uma boa visão de negócios, mas era péssimo gestor. Não escutava colaboradores e odiava ser contrariado. “Existirá sempre uma comparação natural com meu avô e padrinho Eliezer Batista (que foi presidente da então estatal Vale do Rio Doce) e com meu pai, pois minha formação foi muito influenciada pelos dois”, afirma. “Ao mesmo tempo, existem diferenças visíveis. Não tenho a meta de realizar mais ou menos que eles, acho importante apenas que eu tenha a minha própria sombra”.

DONO DE BOATE A primeira tentativa de Thor Batista no empreendedorismo foi a abertura no Rio de Janeiro, em 2011, de uma filial da boate Pachá, a mais famosa da ilha espanhola de Ibiza. Na época, seu sócio era o empresário Mário Bulhões, herdeiro de uma tradicional e famosa família de advogados, os Bulhões Pedreira. Juntos eles criaram a BBX Entretenimento, formada pela união das iniciais dos sobrenomes de ambos ao mítico “X”, obrigatório em todos os negócios de Eike Batista.

A ideia é que a empresa somasse ao seu portfólio o Hotel Glória – comprado por Eike em 2008 e vendido em 2016 para o Mubudala, fundo de investidores dos Emirados Árabes — e as festas em Angra dos Reis no iate Pink Fleet, desmanchado e transformado em sucata depois da falência da EBX. Desentendimentos entre os dois colocaram fim ao plano.

Em 2015, já com as empresas do pai quebradas, Thor inventou novo projeto: uma bebida energética que supostamente retardaria o orgasmo em até cinco horas. O líquido milagroso, no entanto, nunca saiu do papel.

Ao contrário do pai, sempre exibido e midiático, Thor é reservado e um tanto desconfiado. Características que o fizeram, por diversas vezes, frear o ímpeto empreendedor de Eike, principalmente quando o pai se empolgava com algum produto. Como um dentifrício que promete restaurar o esmalte dos dentes. O produto à base de um mineral chamado hidroxiapatita, foi batizado de “Elysium” e é uma das ideias de Eike para dar a volta por cima.

Em entrevista recente, o empreendedor chegou a anunciar que a pasta milagrosa seria comercializado pela Amazon brasileira, mas a Anvisa não registrou, até o momento, pedido de avaliação do produto. Promessas falsas sem base da realidade foram justamente o que abalaram a confiança dos investidores e levaram o bilionário à bancarrota no passado. “Não tenho informações suficientes sobre os novos projetos dele para tecer um comentário”, diz Thor. “O que posso afirmar, com absoluta certeza, é que se meu pai não conseguir vender uma pasta de dente, ninguém mais consegue.”

“IMPÉRIO X” No mundo empresarial circulam boatos de que a relação entre pai e filho não é lá das melhores. Um deles diz respeito à quantia de R$ 130 milhões que Eike teria transferido para Thor em 2013 a fim de proteger seu patrimônio quando o chamado “Império X” começou a desmanchar. Em 2017, preso por corrupção e com os bens bloqueados, o pai teria pedido o dinheiro de volta e ouvido um sonoro “não!”
Thor afirma que a história é falsa. Ele conta que pediu essa quantia ao pai para ter sua independência financeira. “Nunca neguei nenhum pedido do meu pai”, garante. “No passado ele solicitou, sim, uma ajuda de liquidez e não hesitei em ajudar.”


As vidas de Eike e de Luma hoje



Eike Batista, o pai de Thor, continua a ser o exibicionista que sempre foi. Recentemente, ele voltou ao Twitter (@EikeBatista), de onde estava ausente desde 2018. No microblog, ele segue escrevendo em maiúsculas (o que é considerado “deselegante” entre usuários das redes sociais) para dar lições de empreendedorismo e responder às perguntas dos seus 1.194.486 seguidores (até o fechamento desta edição).

A fortuna que um dia chegou a US$ 34 bilhões (aproximadamente R$ 130 bilhões) hoje está avaliada em R$ 3,1 bilhões. Ele permanece como sócio de 57 empresas, responde a processos na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e recorre para se livrar da condenação por corrupção na Operação Eficiência, braço carioca da Lava Jato. O Supremo Tribunal Federal (STF) o livrou da prisão domiciliar no ano passado, mas o festivo Eike não pode mais sair à noite. Aos 62 anos, abandonou as perucas e mantém os cabelos curtos e ralos que foi obrigado a ostentar em 2017 ao ir para a prisão.

Luma de Oliveira, 54 anos, a mãe de Thor e Olin, de 23, também leva uma vida discreta e longe dos holofotes. No Carnaval deste ano, a fulgurante ex-madrinha de bateria ficou na arquibancada e assistiu apenas ao desfile das campeãs, acompanhada pelos dois filhos e a noiva de Thor, a modelo gaúcha Lunara Campos, que deve virar sua nora no ano que vem. Se a rede social favorita do ex-marido é o Twitter, a de Luma é o Instagran, onde ele tem 59 mil seguidores e vive postando fotos em praias e piscinas. As imagens, no entanto, são muito mais comportadas que suas aparições dos desfiles da Sapucaí nos anos 80. Um detalhe: enquanto a conta de Eike é verificada pelo Twitter e tem o selo azul de garantia, a de Luma não tem a chancela da rede social.

Luana Meneghetti

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