“Embora o termo marketing ainda não fosse usado na época – muito menos no Brasil –, essa era basicamente a função do italiano Livio Rangan dentro da Rhodia. Livio revolucionou toda a comunicação da marca, direcionando as campanhas para o consumidor final. Para isso, era necessário mostrar não apenas os tecidos e fios, mas sim a produção final feita com o material da Rhodia, isto é, as roupas.O primeiro grande projeto desenvolvido por Rangan foi o Cruzeiro da Moda, para a maior revista de circulação da época, O Cruzeiro. A marca, sob a direção de Livio, foi responsável por realizar os primeiros editoriais de moda de grande porte do país, envolvendo modelos, maquiadores e fotógrafos especializados. É interessante, no entanto, perceber que a Rhodia não fazia moda. Seu produto sempre foi o fio sintético. Mas a importância das iniciativas da marca era tamanha que toda a cadeira produtiva da indústria acabava beneficiada.”Veja ótima imagens da Rhodia no Blog Sou Garota
Rhodia Vestido de Alceu Pena, com estampa de Lula Cardoso Ayres. Vestido com estampa de Manezinho Araújo, fabricado por Jardim Style. Veja mais em Identidade Brasileira na Moda – Anos 60
A história da Rhodia no Brasil começa em19 de dezembro de 1919, quando a Societé Chimique des Usines du Rhône formalizou, na sede do consulado brasileiro em Paris, na França, a constituição da Companhia Chimica Rhodia Brasileira. O objetivo era construir uma fábrica para produzir no Brasil o lança-perfume. Lançado no final do século XIX, ele chegava aqui por intermédio de importadores e fazia enorme sucesso nos carnavais brasileiros desde 1907. Em 1909, a importação já atingia 630 mil unidades.
Idealizada pelo publicitário Caio de Alcântara Machado, a Fenit – Feira Internacional de Indústria Têxtil – inicialmente foi patrocinada pela Rhodia e tinha como objetivo central promover a indústria têxtil nacional, assim como divulgar estilistas nacionais e internacionais, tornando-se consequentemente uma oportunidade para novos modelos. Sua primeira versão, realizada em 1958, foi um insucesso total, já que o empresariado brasileiro da época não tinha a cultura de exposição em grandes feiras. A partir da segunda, em 1960, o evento deslanchou. Em alguns anos, conseguiu reunir em torno de dois mil expositores e receber 200 mil visitantes.
Em 1959 surge a primeira revista exclusivamente de moda no país, a Manequim. A partir daí a Abril faz outros lançamentos no decorrer dos anos 1960 e 1970.
A Fenit estimulou o aparecimento de uma mídia especializada em moda e beleza, como as revistas Claudia e Manequim, da Editora Abril. Nesse período a Rhodia promoveu eventos importantes para a moda brasileira, sendo um deles sediado em Roma em 1963. Ela também apoiou apresentações de grandes nomes da moda nacional, como Denner, Clodovil, José Nunes, Guilherme Guimarães, Ronaldo Esper e Ugo Castellana, entre outros.
Em 1962, a Rhodia desfilou pela primeira vez na Fenit, sua coleção intitulada Brazilian Nature. No início, o evento não era prioridade no planejamento de marketing da marca – foi só em 1963, com a coleção Brazilian Look, que o desfile tomou grandes proporções.
Assim, para a divulgação de seus produtos, aRhodia realizava magníficos desfiles de moda, coordenados por Lívio Ragan que reunia os maiores artistas brasileiros.
Na ausência de uma semana de moda estruturada para fazer o evento de lançamento de uma coleção, Livio Rangan decidiu que a Fenit deveria cumprir esse papel. Pela primeira vez, os desfiles contaram com um cenário temático criado especialmente para o evento, além de apresentações musicais de Sérgio Mendes e Bossa Rio. Desse momento em diante, a proporção dos desfiles só cresceu.
“O pretexto dos shows tipo ‘Brazilian Style’ era ‘promover a alta costura nacional’, dando espaço de desfile a uma série de jovens costureiros aspirantes a criadores. Como também se impunha desenvolver a estamparia, ela contratou artistas plásticos para conceber motivos ‘bem brasileiros’.(…) Para reforçar ainda mais a ilusão de ‘inspiração nacional’ da alta costura então nascente , a Rhodia fez viajar pelo Brasil costureiros, manequins e coleções, de modo a autenticar sua ‘brasilidade’ em sítios celebrados como símbolos da nacionalidade , como Salvador, Ouro Preto e Brasília.” (Durand, 1988 p. 79).Em 1972 a Rhodia promoveu o “Brasilian Nature”, onde os mais famosos pintores do país estamparam tecidos para serem figurinizados por costureiros igualmente conhecidos.
Os seus show-desfiles com coleções em fio sintético de grandes estilistas como Alceu Pena, Dener, Guilherme Guimarães e Clodovil, ganharam a condição de maior atração da feira. Alceu Pena, em especial, executou vários desfiles em parceria com a empresa para a Europa, Àsia e América do Norte Roma, Paris, Hong Kong, Beirute e em outros lugares com o fim de mostrar a moda brasileira para os quatro cantos do mundo. Vale a pena ressaltar que, diferentemente do que se dizia nas reportagens de moda nacionais, os desfiles da Rhodia não tiveram grandes repercussões no exterior.
A casa Rhodia – Depois de ficar visível que a empresa têxtil era sinônimo do que existia de mais quente naquela época, nos anos 80 a Rhodia resolveu montar um casarão. Ele ficou conhecido como Casa Rhodia e se localizava na Avenida Brasil, em São Paulo. Dentro daquela mansão ocorriam os eventos de moda badalados patrocinados pela empresa. A companhia francesa ficou tão famosa que ditava tendências na moda brasileira e se tornou ícone de glamour.
Infelizmente, a Casa Rhodia foi fechada nos anos 90 e colocada a venda em 2004, mas a memória de seu luxo perdura até os dias de hoje. Em 1972 a Rhodia promoveu o “Brasilian Nature”, onde os mais famosos pintores do país estamparam tecidos para serem figurinizados por costureiros igualmente conhecidos.
Leia também as fontes:
Por Denise Pitta
http://www.fashionbubbles.com/historia-da-moda/masp-exibe-colecao-c...
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É TRISTE VER TUDO ISTO E VER HOJE O QUE ESTA SE TRANSFORMANDO, É SEMANA DE MODA AQUI, SEMANA DE MODA ALI, QUANDO DEVIAMOS TER APENAS A SEMANA DE MODA DO BRASIL E PONTO FINAL, OS SALOES TAMBEM SE PARTIRAM EM SALAO ISTO SALAO AQUILO, PORQUE OS EGOS SAO GRANDES DEMAIS, PARA JUNTAR TODOS EM UMA SO DATA E UM SO LUGAR, O SALO DOS ESTILISTAS NAO TEM ESTILISTAS, OU QUASE NAO TEM, PORQUE OS NOSSOS PAVOES NAO SE JUNTAM UNS COM OS OUTROS, CADA UM TEM SEU SHOWROON PROPRIO (FALIDO), MAS É DELE E ASSIM CAMINHA A MODA BRASILEIRA
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