Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

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12 Estilistas e modelos na luta contra o racismo anti-asiático

Enquanto milhares de pessoas mostram seu apoio à comunidade asiática usando a hashtag #StopAsianHate (Pare com o ódio asiático), estilistas e modelos explicam a ação urgente que a indústria da moda deve tomar para se tornar verdadeiramente inclusiva.



12 estilistas e modelos da moda na luta contra o racismo anti-asiático (Foto: Divulgação/ Sam @nycfoodblog)

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Os terríveis tiroteios que mataram oito pessoas - incluindo seis mulheres asiáticas - em três spas em Atlanta, EUA, em 16 de março, causaram ondas de choque em todo o mundo. A tragédia ocorreu quando relatos de crimes de ódio dispararam durante a pandemia, fazendo com que a hashtag #StopAsianHate fosse compartilhada nas redes sociais em solidariedade à comunidade asiática.

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Entre aqueles que se manifestam estão figuras proeminentes da moda, destacando o quão prevalente é o racismo anti-asiático - tanto dentro quanto fora da indústria. Num momento em que a moda ainda enfrenta um acerto de contas quando se trata de diversidade e inclusão, é ainda mais importante que essas vozes sejam ouvidas.

Aqui, 11 estilistas e modelos - incluindo Phillip Lim, Anna Sui e Jason Wu - explicam por que é tão importante enfrentarmos essa situação e os passos que precisamos dar para criar uma indústria da moda verdadeiramente inclusiva.





12 estilistas e modelos da moda na luta contra o racismo anti-asiático (Foto: Divulgação/ Sam @nycfoodblog)

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1. Phillip Lim, estilista

“O primeiro passo para o nosso setor é entender que não estamos competindo uns com os outros. Não se trata de uma comunidade ser o foco por um momento, enquanto outro grupo espera escondido sua hora. Inclusão é providenciar espaço mútuo na sociedade, sempre. Não podemos mais separar quem somos do que fazemos e não deveríamos fazer. Esse tempo acabou e agora é hora de viver a nossa verdade, celebrá-la e levar o melhor de quem somos para o nosso trabalho e nossa comunidade.”

2. Anna Sui, estilista

“O que está acontecendo não é apenas trágico e horrível, mas traz de volta todas as memórias dolorosas do medo do ‘Perigo Amarelo’; a Lei de Exclusão dos Chineses dos EUA de 1882 e os campos de internamento japoneses (onde japoneses nos EUA foram forçados a ficar em campos de concentração durante a segunda guerra mundial). Precisamos aumentar a consciência desse problema, aprender a tolerar e praticar a aceitação mútua. Seria maravilhoso se o resultado disso fosse o apoio a todos os talentosos jovens alunos asiáticos que se formaram nas escolas de design e estilistas que estão surgindo com suas próprias coleções.”

12 estilistas e modelos da moda na luta contra o racismo anti-asiático (Foto: Divulgação/ Sam @nycfoodblog)

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3. Soo Joo Park, modelo

“A indústria, para melhor ou para pior, numa tentativa de ser representativa, muitas vezes pode simplificar demais a identidade de uma pessoa dentro de um rótulo mais facilmente 'marcado'. Essa é provavelmente a maior razão pela qual eu descolori meu cabelo - para trabalhar contra o tokenismo e o typecasting.

“Estamos num negócio que permite que as pessoas se vejam representadas na mídia. A postura que assumimos ao marginalizar ou representar certos preconceitos pode moldar os olhos do espectador - é crucial perceber o impacto que nossa indústria e energia criativa podem causar na sociedade, a fim de lembrar ao mundo que ela é multifacetada, não monolítica. Para ajudar a combater a atual violência e a retórica anti-asiática, nos daríamos bem em apresentar com entusiasmo uma ampla gama de culturas e experiências asiáticas, bem como compartilhar histórias individuais. Se ouvirmos e tentarmos ser abertos sobre as conversas, acho que todos podem começar a se sentir vistos e ouvidos.”





12 estilistas e modelos da moda na luta contra o racismo anti-asiático (Foto: Divulgação/ Sam @nycfoodblog)

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4. Fernanda Ly, modelo

“Pare de ignorar nossa existência até que seja conveniente para você: somos mais do que um rótulo da sua lista de controle politicamente correta. É comum o pensamento de que a Ásia e os asiáticos devem ser aproveitados - por exemplo, por meio de mão de obra barata ou ganho monetário com a venda de produtos de luxo. Por favor, entenda que nós também somos seres humanos com uma história muito rica - não somos cidadãos de classe baixa cuja existência é apenas para o seu benefício.”

5. Carol Lim e Humberto Leon, fundadores da Opening Ceremony

“Como asiático-americanos, nos dizem continuamente para ignorar nossas próprias vozes, assimilar e defender as divisões que foram pressionadas sobre nós. Mas chega: precisamos nos manifestar. Nossos ancestrais trabalharam muito e foram silenciados por muito tempo, e agora a geração mais jovem precisa se levantar. A narrativa que devemos assimilar é falsa - temos orgulho da cultura que está em nosso sangue e do que nos torna quem somos.

12 estilistas e modelos da moda na luta contra o racismo anti-asiático (Foto: Divulgação/ Sam @nycfoodblog)

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“Há uma linha tênue entre honrar uma cultura e explorá-la. Existem empresas de propriedade de brancos que usam nossa cultura como decoração, sem de fato retribuir à nossa comunidade e embranquecendo nossa história e arte (às vezes até chamando seus produtos de um 'tributo'), e essas ações perpetuam o racismo sistêmico. Eles devem parar. Nossas ricas culturas asiáticas não devem ser usadas por não asiáticos como mera decoração. Isso não é moda. Existem nuances que não podem ser compreendidas a menos que façamos parte do diálogo. Então pergunte-nos. Inclua-nos. Não faça suposições.

“Precisamos responsabilizar as pessoas por comportamento racista, e o primeiro passo é denunciá-las ao testemunhar isso - não importa quem você seja. Nunca podemos ser negligentes com essas coisas.”

6. Jason Wu, estilista

“Na minha infância, não havia muita representação asiática na moda. É mais importante do que nunca que nos levantemos como uma comunidade a fim de pressionar por mudanças e aceitação - não vamos defender o racismo e a intolerância.”

12 estilistas e modelos da moda na luta contra o racismo anti-asiático (Foto: Divulgação/ Sam @nycfoodblog)

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7. Prabal Gurung, estilista

“Para que a moda alcance um progresso verdadeiro no seu caminho em direção à inclusão e à diversidade, a mesa da tomada de decisões precisa ter assentos ocupados por pelo menos 50% de pessoas de etnias não-brancas (POC, sigla em inglês) e vozes marginalizadas. O esforço para ser inclusivo não pode ser superficial, estendendo-se apenas à equipe frontal da casa. Como é a sua sala de reuniões? Ela é realmente diversa?

É importante que a indústria aceite o movimento e não apenas um momento. Com isso, quero dizer que temos que contar histórias de pessoas marginalizadas constantemente. Nossas histórias e vozes não devem ser representadas superficialmente e somente reservadas para nossos meses de herança ou em tempos de crise. Por fim, a indústria da moda precisa desmantelar as lentes patriarcais e coloniais pelas quais opera. Precisamos erradicar essas normas opressivas de beleza, gênero, raça e elitismo, a fim de abraçar um futuro mais justo.”





12 estilistas e modelos da moda na luta contra o racismo anti-asiático (Foto: Divulgação/ Sam @nycfoodblog)

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8. Robert Wun, estilista

“Ainda me lembro muito bem do racismo que encontrei na indústria, vindo de alguém cujo foco principal era descobrir de que parte da China eu era - em vez de falar sobre meu trabalho e coleção. [Também fizeram] uma falsa suposição do meu status legal no Reino Unido [e sugeriram] que eu deveria mudar a direção da minha coleção para ter mais relevância ‘cultural’, a fim de que eles pudessem me colocar dentro de uma categoria de diversidade - já que essa era a única maneira para que eles pudessem 'vender' um estilista de raça amarela.

Sinto que um dos maiores problemas com o racismo anti-asiático é a normalização dele - quando ele é classificado como uma piada ou história engraçada - ou quando é comparado ao racismo experimentado por outras comunidades e então minimizado como se fosse insignificante. Além disso, há suposições desumanizantes de nossa classe, história e diferenças culturais sendo pessoas de ascendência do Leste Asiático.

Seguindo em frente, como comunidade, precisamos nos manifestar e nos unir contra o ódio e racismo normalizados contra nós, e a indústria da moda precisa corrigir sua abordagem em relação à representação da etnia amarela, especialmente para talentos emergentes e promissores.”

12 estilistas e modelos da moda na luta contra o racismo anti-asiático (Foto: Divulgação/ Sam @nycfoodblog)

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9. Tao Okamoto, modelo e atriz 

"Quase todas as roupas do mundo tiveram o toque de alguém de ascendência asiática durante seu processo de criação, e esse fato é frequentemente subestimado. Não somos apenas mercados ou mão de obra, mas seres vivos como os de todas as outras origens. A indústria precisa reconhecer que houve questões significativas de direitos humanos nesses processos criativos, e o combate a esse ódio fragmentado pode começar reconhecendo essas circunstâncias e tomando medidas para não subestimar as pessoas envolvidas. Isso precisa ser discutido não apenas nos EUA, mas também em todo o mundo - bem como na Ásia. Precisamos ouvir as narrativas de todos e sempre ter compaixão por suas circunstâncias.”

10. Mona Matsuoka, modelo

“Trabalho com moda há algum tempo, mas o tema do ódio asiático é muito mais do que apenas um problema na indústria. As últimas semanas, com todos esses crimes de ódio nos Estados Unidos, foram verdadeiramente devastadoras. Estou com medo pelos meus amigos e pela comunidade, pelo ‘ódio’ que está crescendo. A mídia deveria falar mais sobre as histórias por trás dessas mulheres asiáticas, homens que foram mortos, feridos e abusados, para que as pessoas possam entender de onde viemos, em vez de explicar o motivo do agressor, do assassino. O que você faria se fosse seu parente? Seu amigo? Sua comunidade? Somos todos humanos com o mesmo coração batendo.”

12 estilistas e modelos da moda na luta contra o racismo anti-asiático (Foto: Divulgação/ Sam @nycfoodblog)

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11. Yoon Ahn, estilista

“Quando ouvimos o termo ‘racismo’, a raça asiática muitas vezes passa despercebida, embora todos saibamos que os asiáticos têm sido constantemente alvo de discriminação. A questão só está sendo destacada agora porque as minorias asiáticas estão enfrentando perdas trágicas, decorrentes das provocações de Donald Trump. Embora a Ásia seja considerada um mercado importante na indústria das roupas, o impacto e a influência da cultura asiática na história da moda não são destacados e creditados o suficiente.”





12 estilistas e modelos da moda na luta contra o racismo anti-asiático (Foto: Divulgação/ Sam @nycfoodblog)

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12. Rejina Pyo, estilista

“Eu não tenho a resposta para o racismo. Ele permeia todas as facetas de nossas vidas. Se você analisar superficialmente, não demorará muito para descobrir o racismo anti-asiático equivocado e casual nutrido até mesmo por seus amigos mais próximos e familiares. É abundante. Ele tornou-se tão normalizado que quase não questionei as inúmeras ocasiões em que me vi sujeita a ele no Reino Unido, nesta indústria.

“Temos que trabalhar juntos para denunciar e rejeitar o racismo, a xenofobia e o estigma cotidianos que muitos de nós fingem não ver na nossa indústria todos os dias. Também podemos apoiar grupos militantes, incluindo o Stand Up To Racism e o End The Virus of Racism.”

Como apoiar

Você pode doar para o Fundo Comunitário AAPI, que apoia as comunidades da Ásia e das Ilhas do Pacífico nos Estados Unidos.

Você também pode fazer uma doação ao End The Virus of Racism, uma organização sem fins lucrativos do Reino Unido que se dedica a combater o racismo contra as pessoas de herança oriental e do sudeste asiático.

Você pode aprender com o The Racism is a Virus Toolkit, publicado pela organização sem fins lucrativos Act to Change para apoiar a comunidade asiática no combate ao racismo.

Alex Kessler e Emily Chan

https://vogue.globo.com/moda/noticia/2021/06/12-estilistas-e-modelo...

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