Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

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2ª Guerra Mundial, “Cerco” à Moda e o Reflexo na Vestimenta da Época

Por Linda Neotte,

Esse post não tem a pretensão de ser um apanhado histórico da segunda Guerra Mundial. Usarei apenas do contexto absolutamente necessário para desenvolver a matéria em cima da Moda da época e, ainda assim, fazendo uso de uma boa síntese haha. O assunto é riquíssimo e deixa margem para várias interpretações, recortes, focos. No entanto, trarei tudo com uma visão mais ampla [e consequentemente menos detalhada]. Por isso, por causa desse momento tão rico dentro da história da Moda, provavelmente, em breve, farei alguns textos focados em determinados assuntos que vocês verão. :)

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Na década de 30, após o consumo desenfreado dos anos 1920, a moda para as mulheres voltou ao espírito de sedução e as curvas femininas foram mais uma vez constituídas. Glamour era a palavra chave nos lábios das moças. As viagens se tornaram uma obsessão, até mesmo para os criadores de moda, que precisavam sair para conhecer novas coisas e assim novas possibilidades para o guarda-roupa. Todavia, no final dessa elegante década, as coisas mudaram. A temida Guerra, que pendurou até metade dos anos 40, explodiu. Transformando não só a sociedade, as pessoas, como também a maneira de vestir e fazer moda.

Em 1940, a Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945) já havia começado na Europa. A cidade de Paris, ocupada pelos alemães em junho do mesmo ano, já não contava com todos os grandes nomes da alta-costura e suas Maisons. Muitos estilistas se mudaram, fecharam as portas de suas casas e lojas para viverem outros países. A Alemanha ainda tentou acabar com a indústria francesa da alta costura, levando algumas Maisons parisienses para Berlim e Viena, mas não conseguiu. Graças à ajuda do estilista Francês Lucien Lelong – presidente da câmara sindical daquela época-, pois ele preparou um relatório defendendo a permanência das maisons no país, onde era seu lugar. [lembram disso no post sobre a Alta Costura?].

A guerra afetou muitas casas, apenas 92 ateliês continuaram abertos em toda Paris. E as que permaneceram com seus ateliês tinham que obedecer regras de racionamento imposta pelo governo. Alimentos, tecidos, couros, peles, botões, ficaram escassos ou se tornaram muito caros. Também era restrita a quantidade de tecido que podia ser comprado e usado na fabricação das peças. Apesar de tudo, a moda sobreviveu à guerra! Mas de uma coisa os entendedores da história da moda tem certeza: o percurso da historia da moda teria sido diferente se não fosse a austeridade imposta pela Guerra. A moda no final dos anos 30 já possuía, mais uma vez, indícios de um visual romântico, espartilhos, saia rodada, mas a guerra chegou e provocou uma reviravolta; a vogue proclamou em Londres: “Elegancia é démodé.”

‘’A utilidade estimulou avanços em estilos utilitários não vistos desde a I Guerra. A escassez de meias de náilon, consideradas libertadoras quando lançadas comercialmente pela DuPont nos EUA em 1937, e as exigências do ingresso na força de trabalho levaram mulheres mais jovens a adotar as calças, antes restritas ao vestuário de lazer.” (Cronologia da Moda- NJ Stevenson)

A silhueta em estilo militar perdurou até o final dos conflitos. A mulher francesa era magra e suas roupas e sapatos ficaram mais pesados e sérios.  A carência e o preço alto de tecidos fez com que as mulheres tivessem de reformar suas roupas e utilizar materiais alternativos na época, como a viscose, raiom e as fibras sintéticas. O tailleur apareceu com um uniforme, todas as mulheres usavam. Tinham ombros largos, saia mais curta e estreita. Em um tempo em que não houve grandes criações, o setor de moda não podia trazer novidades: o jeito foi transformar o velho em novo.

(A silhueta do tempo de guerra usava o mínimo possível de materiais. As linhas gerais eram severas, com ombreiras tornando os ombros quadrados, um paletó retangular e uma saia que terminava logo abaixo do joelho. O corte em viés ainda era utilizado, não para moldar o corpo e sim para fazer um pedaço de tecido render.)

A moda subiu literalmente a cabeça: como os chapéus não sofreram racionamentos durante os anos 40, as abas largas muitas vezes imitavam os chapéus masculinos na forma. A moda manifestou-se nas mais diversas formas do turbante, que era exigência de saúda de segurança nas fabricas, tornou-se símbolo da Guerra em todas as camadas da população. Que também teve a utilidade de esconder os cabelos danificados e compridos, por causa da dificuldade em encontrar cabeleireiros.  A maquiagem era improvisada com elementos caseiros. Alguns fabricantes apenas recarregavam as embalagens de batom, já que o metal estava sendo utilizado na indústria bélica.

(Na França, Paulette criou turbantes de jérsei de la para as mulheres andarem de bicicleta [dada também pela escassez do petróleo]. Nota-se que na vestimenta o que mais chama atenção é a cabeça)

“O vestuário serviu até como um instrumento de subversão: paraquedistas aliados usavam echarpes estampadas com mapas da França, e bolsas feitas com fundos falsos escondiam panfletos da Resistência. ’’  (Cronologia da Moda)

Os homens de tempo de guerra tiveram que usar seus uniformes. O talhe de seus uniformes revelava peitos largos e ombros ainda mais largos. “A superioridade do corte do tecido dos uniformes americanos sobre os europeus era evidente, mas foi exacerbada pelo fato de que os dos oficiais muitas vezes eram feitos sob medida,” (NJ Stevenson). Os uniformes americanos eram em dois tons, um bege-rosa, chamado de “pink” e  um oliva, conhecido como “chocolate”. A gravata sempre dentro – que ressurge na cultura pop dos anos 80-. Por isso a roupa masculina pouco se desenvolveu nesse período.

 

Não há dúvidas que o isolamento de Paris fez com que os americanos se sentissem mais acessíveis para produzir modelos inteiramente originais. Com isso, foram criados os conjuntos, cujas peças podiam ser combinadas entre si, permitindo que as mulheres pudessem misturar as peças e criar novos modelos de roupa.

A partir daí surgiu “ready-to-wear”, depois chamado de “prêt-à-porter” (pronto para usar) pelos franceses, que até então havia sido uma espécie de estepe para tempos difíceis, Mas, acabou por se transformar numa forma prática, rápida, moderna e elegante de se vestir [também sempre cito o modelo pelos textos].

Depois de muito trabalho, substituindo os homens nas fábricas, de usar tecido tosco e anos usando calças, as mulheres queriam resgatar de volta sua feminilidade. Em 1947 o revolucionário Christian Dior trouxe para a moda o ‘’New Look’’ – estilo que durou três anos, marcando o fim da época da Guerra -, feitos de 15 a 50 metros de tecidos, incentivando a indústria têxtil – uma das mais afetadas, pois se não faz roupa, não se vende tecido-. Muitas mulheres sacrificaram suas cortinas e lençóis para conseguir estar na moda. Nas ruas o terno clássico dominava a indumentária masculina, com atitudes bem a vontades, não precisando de bengala e guarda-chuva como representação. As gravatas se tornaram coloridas, cabelos bem curtos [que lembrava um pouco o corte militar].  O tempo passou e enfim as restrições do governo em relação à moda e à alta costura ficou cada vez menos rígido, e as Maisons puderam voltar e continuar com o que bem sabe fazer, criar moda. Onde, teoricamente, mais uma vez as mulheres voltariam a ser belas e desejáveis e os homens alegres e originais, sem uniformes.

(New look de Dior)

Espero que tenham gostado do post. Como disse na introdução, tive por intenção dar uma visão ampla da época para, aos poucos, ir tratando de aspectos mais específicos.

Fonte:|http://literatortura.com/2012/09/22/2a-guerra-mundial-cerco-a-moda-...

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