Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

Apontada como uma fibra sustentável e passível de rivalizar com o algodão, o cânhamo está a ganhar adeptos na indústria da moda, sobretudo no denim. A mais recente prova disso é a expansão da parceria entre a Kontoor Brands, que detém a Wrangler e a Lee, e a Panda Biotech.

[©Flickr/UK College of Agriculture, Food & Environment]

A especialista em denim e a produtora de fibra de cânhamo revelaram que estão a trabalhar para trazer rastreabilidade e escala à produção e processamento de cânhamo para têxteis nos EUA.

«O cânhamo sustentável cria um complemento perfeito ao algodão. Estamos entusiasmados pela oportunidade de avançar com a utilização de cânhamo amigo do ambiente na indústria do denim para criar vestuário eco-consciente de elevada qualidade», revela Dhruv Agarwal, diretor-sénior de inovação de matérias-primas e desenvolvimento de produto da Kontoor Brands. «O nosso trabalho com a Panda Biotech tem estado focado em produzir cânhamo verdadeiramente sustentável, desbloqueando mais uma cultura de fibra comercializável para os agricultores americanos e dando acesso, aos consumidores, a vestuário mais sustentável», explica.

Os preços do cânhamo são 1,5 a 10 vezes mais elevados que os do algodão, pelo que não é ainda competitivo face ao chamado “ouro branco”, mas as comparações em termos ambientais favorecem o primeiro no cultivo. O cânhamo industrial é uma cultura regenerativa devido à sua capacidade de crescer com pouca água, poucos ou nenhuns pesticidas e herbicidas, elevada produção de fibra por hectare e absorção de mais dióxido de carbono por hectare do que qualquer outra cultura comercial ou florestal. No entanto, o processo de converter cânhamo em fibra têxtil é muito poluente, exigindo processos químicos para separar a fibra do centro amadeirado, segundo Geoff Whaling, presidente da US National Hemp Association, citado pelo Sourcing Journal.

Atualmente, a China é a maior produtora da fibra e de têxteis fabricaos com cânhamo, mas, afirma Whaling, «há um interesse crescente em incorporar cânhamo cultivado na América nos têxteis».

Interesse multiplica-se

A nova coleção Bast Recast da Lenzing tem uma mistura de liocel com cânhamo. «O interesse no cânhamo é como um novo começo na área do vestuário», garante Michael Kininmonth, project manager na Lenzing. «Para prestar homenagem à história do cânhamo, juntamos um grupo de empresas que sabíamos poderem oferecer tanto qualidade como inovação e integridade ambiental que os projetos de denim sustentável exigem», adianta.


[©Panda Biotech]

A gama inclui fibras e fios de cânhamo convencionais e com aspeto de algodão com certificação GOTS fornecidos pela Kingdom, uma das maiores produtoras mundiais de fio de linho e de cânhamo. Os tecidos foram desenvolvidos pela Naveena Denim, no Paquistão, e a Endrime, uma empresa britânica, desenhou e produziu a coleção, usando a história do cânhamo como inspiração. A portuguesa Crafil está igualmente envolvida, tendo fornecido as linhas de costura biodegradáveis Celofil, 100% liocel.

«O interesse no cânhamo evoluiu nas últimas estações, com marcas e fábricas a procurarem misturas de fibras de baixo impacto e escaláveis», elucida Tricia Carey, diretora de desenvolvimento de negócio de denim na Lenzing.

O cânhamo tornou-se, por isso, uma fibra comummente citada pela indústria. A Levi’s expandiu esta primavera a utilização de cânhamo, que introduziu em 2019, e marcas de denim como a AG e a Weekday estão igualmente a apresentar jeans com esta fibra.

Explosão nos EUA

Mas a parceria da Kontoor e da Panda Biotech quer ir mais longe e apostar na rastreabilidade da quinta até ao produto final. «Enquanto produtor de denim líder, com vasta experiência em trazer fibras e processos inovadores para o mercado, a Kontoor Brands tem sido uma parceira valiosa enquanto construímos a maior unidade de processamento de cânhamo industrial nos EUA para fibra têxtil de elevada qualidade para inúmeras aplicações sustentáveis na produção», reconhece Dixie Carter, presidente da Panda Biotech.


Levi’s X Ganni [©Levi’s]

Através da colaboração com a Panda Biotech, que começou em 2019, depois da aprovação em 2018 de legislação nos EUA que permite o cultivo de cânhamo para fins industriais, a Kontoor Brands planeia colocar no mercado vestuário em denim com cânhamo cultivado e processado nos EUA até 2023.

De acordo com o Sourcing Journal, pode demorar cinco a 10 anos até a indústria do cânhamo alcançar a quota do poliéster, o segundo, a seguir ao algodão, no mercado das fibras, embora os observadores da indústria salientem que a afinidade natural do cânhamo para fazer misturas com o algodão deverá trazer benefícios a ambas as fibras.

https://www.portugaltextil.com/canhamo-conquista-moda/

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