Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIV

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CTI completa 120 anos com fama de pioneira na industrialização do Vale

Uma das maiores fábricas do país até a década de 1970 ainda deixa traços da transição da agricultura para a vida urbana


Nessa quarta-feira (4) uma das maiores indústrias têxteis do Brasil até a década de 1970 completa 120 anos. Fundada em 4 de maio de 1891, a CTI (Companhia Taubaté Industrial) foi a principal responsável pelo desenvolvimento industrial de Taubaté e maior empregadora desse período no município, chegando a ter mais de 2 mil funcionários na primeira metade do século 20.

Credito: Jonas Barbetta
Além do prédio da faculdade de Arquitetura da Unitau, o Edifícil Félix Guisard é um dos poucos imóveis que foram preservados após da falência da CTI na década de 1980
A fábrica, que tinha como principal ramo de atividade a produção de tecidos, também ajudou na formação de mão de obra especializada de outras áreas, já que na época não havia processos de terceirização. Dentro da empresa era comum ter eletricistas, marceneiros, pedreiros e tecelões, todos formados paralelamente à produção têxtil.

Geraldo Gonçalves juntou-se ao quadro de funcionários na década de 1940, logo após a morte do empresário Félix Guisard, fundador da CTI. Na época, o jovem tinha menos de 20 anos e entrou como auxiliar de escritório. Mais de 60 anos depois, saiu como diretor da empresa e último funcionário registrado, dando baixa em sua carteira de trabalho em 2004. Mesmo não produzindo mais tecidos, a firma manteve um escritório para cuidar da documentação dos ex-empregados.

O aposentado se lembra que trabalhar na fábrica era como conviver entre amigos. “A CTI foi uma casa de trabalho do mais alto gabarito. Era uma empresa família”, recorda Geraldo. O ex-diretor também se emociona ao se lembrar de quando a firma encerrou as atividades e fechou as portas na década de 1980. “Foi um sentimento de derrota ver uma empresa tão grandiosa terminar dessa forma”, lamenta.

Processo econômico

A Companhia Taubaté Industrial se desenvolveu em um momento fundamental, quando o café, principal pilar da economia valeparaibana, entrou em decadência. A região começava a perder as características de produção rural e passou a priorizar o processo de larga escala. “A CTI surgiu como uma alternativa para o Vale do Paraíba, principalmente depois da chegada da ferrovia, que ligou a região à capital paulista”, explica o historiador econômico, Fabio Ricci.

Depois da morte de Félix Guisard em 1942, a CTI passou a ser administrada pelos herdeiros por mais 10 anos até ser vendida. Posteriormente, três grupos de fora de Taubaté assumiram o controle das ações da empresa, mas a concorrência e a falta de investimentos em novos maquinários ajudaram a decretar a falência da produtora têxtil, mas essas não foram as principais causas.

No período em que seu fundador esteve na direção, a fábrica possuía mais de 4 mil clientes. Quando o grupo Nova América comprou a empresa na década de 1970, a CTI passou a produzir tecidos exclusivamente para o novo dono, que redistribuía a produção para todo o Brasil. Na década de 1980, a Nova América, que tinha a matriz instalada no estado do Rio de Janeiro, entrou em processo de falência e consequentemente encerrou as atividades em Taubaté. “O setor têxtil teve uma reestruturação e muitas fábricas fecharam. Isso é normal. Não dá para atribuir que o período do Félix Guisard foi brilhante e depois dele foi ruim, porque o que tinha que acontecer, acabou acontecendo, com ou sem ele”, afirma Ricci.

Após a falência da CTI na década de 1980, todas as máquinas que estavam instaladas foram vendidas como sucata. Os galpões onde funcionava a produção têxtil tiveram várias finalidades, entre elas, a instalação da faculdade de Arquitetura de Unitau e alguns setores da administração da prefeitura

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