Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIV

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIV

Disfarçados de turistas, sacoleiros de luxo causam prejuízo à indústria nacional

Dois problemas sérios têm causado prejuízos ao Brasil, tanto no que diz respeito ao não pagamento de impostos, quanto aos danos contra a indústria nacional. Refiro-me ao comércio de roupas por sacoleiros de luxo disfarçados de turistas e à compra de produtos têxteis no exterior pela internet, com remessa ao nosso país por via postal.

No primeiro caso, tem gente transformando em negócio lucrativo as compras feitas em supostas viagens de lazer. Os números mostram isso. Vejamos: em 2013, foram oito milhões de viajantes que trouxeram cerca de 60 mil toneladas em roupas, basicamente. Considerando que o consumo individual do brasileiro é de cerca de sete quilos de roupa por ano, o volume trazido pelos turistas daria para vestir oito milhões e meio de pessoas, ou todos os habitantes da cidade do Rio de Janeiro, e ainda sobrava.

A Receita Federal afirma que em 2013 os brasileiros gastaram US$ 25 bilhões no exterior. Estima-se que 20% desse valor foi gasto em roupas, o que daria US$ 5 bilhões só em vestuário. Fica muito claro que parte das pessoas que desrespeita a lei e traz mais produtos do que é permitido (a lei concede uma cota de US$ 500 por viajante), está, na verdade, revendendo essas mercadorias, principalmente roupas.


"O ingresso de roupas por meio dos turistas equivale ao faturamento anual estimado das quatro maiores redes varejistas do setor no Brasil"
Rafael Cervone, presidente da Abit, sobre compras feitas por brasileiros no exterior


O segundo problema, como frisei no início do texto, é relativo às compras de roupas pela internet, com remessas feitas por via postal, nos distintos serviços dessa natureza. Exatamente como ocorre nas alfândegas dos aeroportos, o controle do conteúdo dos pacotes postais é feito por amostragem. Por isso, também neste caso, muita mercadoria entra sem pagar impostos.

Não existem dados precisos sobre o volume de roupas e acessórios que entram no Brasil por via postal. Sabemos, porém, que em 2013 foram mais de 20 milhões de pacotes que chegaram dessa forma. Embora roupas não sejam ainda a maior parte das encomendas, isso tende a aumentar, pois nas lojas virtuais do Brasil, já são um dos três produtos mais comprados. Isso mostra que o brasileiro está se adaptando rapidamente a essa forma de comércio de vestuário.

O ingresso de roupas por meio dos turistas - cujo valor (US$ 5 bilhões por ano) equivale ao faturamento anual estimado das quatro maiores redes varejistas do setor no Brasil - e as remessas postais estão prejudicando muito uma das mais importantes indústrias nacionais quanto à geração de empregos. Com o nosso dinheiro, estamos criando postos de trabalho em outras nações.

Nosso país tem a quarta maior indústria do mundo produtora de vestuário e a quinta maior em termos têxteis, que também inclui tecidos, fios e aviamentos. Trata-se de um setor constituído por 32 mil empresas, numerosas delas pequenas e médias, empregadoras de 1,61 milhão de pessoas diretamente. Estamos falando de um patrimônio da economia nacional que, a exemplo dos demais setores de atividade, não pode ser corroído pela concorrência de produtos que sequer pagam impostos para entrar no Brasil e chegar ao consumidor final.

A Receita Federal realiza um trabalho em constante evolução. No ano passado, submeteu mais de seis milhões de bagagens à inspeção indireta, via scanners, e 659 mil diretas, com abertura das malas nos aeroportos. Apreendeu, ainda, US$ 20,5 milhões em mercadorias diversas e descartou outros R$ 7,5 milhões em produtos. No entanto, é impossível abrir as malas de todos os milhares de brasileiros que retornam diariamente de viagens internacionais, bem como os mais de 20 milhões de pacotes remetidos por via postal.

Ao contrário do que pode parecer, as empresas brasileiras não estāo lucrando com os preços considerados altos em nosso mercado. O fato é que existe o chamado "Custo Brasil" (juros, carga tributária, custo de logística etc.), que encarece o produto nacional.

Esta questão, porém, não pode servir de pretexto para que as compras no exterior superem os limites estabelecidos e entrem em nosso território sem o devido pagamento dos impostos. A pretensa vantagem de alguns se transforma em prejuízo para muitos, na medida em que prejudica toda uma indústria e ameaça os empregos de milhares de pessoas, inclusive nossos próprios amigos e parentes que trabalham em atividades vinculadas à indústria textil e de confecção do Brasil.


Fonte:
http://noticias.uol.com.br/opiniao/coluna/2014/10/31/disfarcados-de...

Por Rafael Cervone

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Respostas a este tópico

E depois acham que é so criar uma hastag #feitonobrasil que o problema sera solucionado ...

Não se deve esquecer de incluir ai a reeducação do consumidor brasileiro.

Bom dia Rafael e associados

A principal causa de tais ocorrências, inclusive já citadas pelo Rafael é o custo Brasil onde cada processo ou sub-processo envolvido na manufatura de roupas é encarecido dràsticamente pelo Custo Brasil, a variação de impostos, alguns em forma de cascata torna inviável a Indústria Nacional culminando com o custo dos salários e os impostos incidentes sobre os mesmos. Enquanto não houver um estudo amplo e uma reforma da Política Tributária no Brasil o fato em questão continuará a crescer tendo em vista a disparidade de preços encontrados nos outros mercados comparados com o brasileiro. O custo interno do Brasil segue aumentando enquanto a concorrência internacional vem diminuindo devido a economia de escala e os subsídios dados pelos governos de outros países. Se nada for feito as manufaturas pequenas e médias serão varridas do mercado lembrando que são a maioria absoluta e maior geradora de empregos do setor e também são as empresas com maior agilidade para se adaptar as mudanças. Do jeito que está não pode ficar e sendo assim continuaremos a assistir o desaparecimento da massa maior de empresas da área têxtil do Brasil.

A hastag devia ser #custobrasil #opaisdosimpostos #vivaopronatec

Imposto único seria solução?

AS PESSOAS ESTÃO INDO COMPRAR PARA REVENDER COM LUCRO ONDE É POSSIVEL TER ESSA VANTAGEM.  HOJE ISSO JA ACONTECE COM OS MILHARES DE CONTAINERS DE PRODUTOS CHINESES QUE ENTRAM NO BRASIL.  QUANTAS EMPRESAS TEXTEIS PARARAM A PRODUÇÃO NAS NOSSAS FABRICAS E PASSARAM A TRAZER DA CHINA POR 1/3 DO PREÇO PARA REVENDER AQUI ???

FIOS, TECIDOS E CONFECCIONADOS....ENTÃO, ACUSAR "SACOLEIROS DE LUXO"  É NA VERDADE UMA GRANDE SACANAGEM....

EU NÃO CONCORDO COM NADA DISSO MAS NÃO PODEMOS DEIXAR A NOSSA REALIDADE DE LADO.....

SOLUÇÃO ???   BARREIRAS DE DEFESA DA NOSSA INDUSTRIA PARA TUDO.... DA NOSSA INDUSTRIA E DOS NOSSOS EMPREGOS....SE ISSO VAI PROVOCAR INFLAÇÃO... O GOVERNO É QUE TEM QUE RESOLVER.. NÃO NÓS DA INDUSTRIA TEXTIL, SEM QUALQUER APOIO.....

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