Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIV

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIV

Entrevista com Antídio Lunelli – Presidente Lunender Indústria Têxtil

Empresário diz que está na hora da classe empresarial dar um choque de gestão no meio público-político.

Lunelli defende um choque na gestão pública

Fundada em outubro de 1981, em Jaraguá do Sul, a Lunender Indústria Têxtil, tem hoje seus parques fabris espalhados pelo Brasil: em Guaramirim, Avaré e Garulhos (SP) e Maracanaú (CE). Emprega 5 mil funcionários e conta com uma carteira de mais de 12.000 clientes. Sua produção chega a quase 2 milhões de peças de confecção por mês e seu fundador e presidente, Antídio Aleixo Lunelli, diz que a empresa continua sempre em busca de novas formas e estilos, com o objetivo de conquistar um espaço cada vez maior no mercado têxtil. Apesar da crise que abala o setor, Lunelli se diz otimista e aponta alternativas para continuar competitivo. Lembra também que o envolvimento da classe empresarial na política vem apresentando excelentes resultados e que está na hora de um choque de gestão no público-político, melhorando questões tributárias, sociais e econômicas. Confira:

Panorama - Com este aumento do algodão de cerca de 170% nos últimos 12 meses, qual a receita para continuar competitivo?
Antídio Lunelli - As empresas buscam cada vez mais eficiência operacional, criatividade no desenvolvimento de produtos e matérias primas alternativas. Contudo, isso ainda não é suficiente, porque existem custos operacionais elevados. Dessa forma, a indústria têxtil se obriga a migrar a produção para outros locais onde existam incentivos operacionais, como o Norte e Nordeste.

Panorama - O mercado globalizado e o avanço chinês estão consolidados. Por isto não adianta mais reclamar de preços, políticas protecionistas e trabalhistas, do câmbio e dos impostos. Qual a saída para a indústria nacional?
Antídio Lunelli - A América Latina como um todo vem se desindustrializando, como ocorre com a Argentina e Chile, que não possuem mais indústrias. O Brasil vem resistindo e sendo forte na indústria, porém com alto custo de tributação e mão de obra, uma vez que no cenário atual esta competição não está sob o mesmo patamar. Se não houver mudanças sérias, a tendência natural será a migração para onde exista abundância de mão de obra, do Sul para o Norte e Nordeste do Brasil, bem como a importação de produtos chineses. Independentemente deste cenário, a Lunender acredita na capacidade laboriosa da nossa região e continua a investir para ampliar a nossa produção nacional, principalmente na região norte de Santa Catarina.

Panorama - Sua empresa tem apostado na indústria da moda (marca Lez a Lez). Certamente um diferencial onde a China não tem condições de competir. Este pode ser um dos caminhos?
Antídio Lunender - Com certeza. A marca Lez a Lez é um diferencial competitivo muito forte, tem uma identidade com a moda e a mulher brasileira. Estar próximo do consumidor, ouvir e entender as suas necessidades para então oferecer soluções rápidas e certeiras é um diferencial que está a nosso favor e deve ser aproveitado. A vantagem que temos no Brasil em relação à China é a criatividade na moda e a agilidade no desenvolvimento de produto. Na China você precisa desenvolver com um ano de antecedência. Por outro lado, produzindo interno, a redução é de seis meses. Desta forma, a produção interna é um caminho para fugir do comódite têxtil.

Panorama - A exemplo do empresário joinvilense, Udo Döhler, o senhor também buscou filiação partidária e está sendo indicado para concorrer à prefeitura de Jaraguá do Sul. Está na hora dos empresários assumirem também este papel de colocar ordem no jogo político que anda cada vez mais debilitado?
Antídio Lunender – Certamente esta é uma forma para construirmos um país melhor. O crescente envolvimento da classe empresarial no meio político é de suma importância para o desenvolvimento do nosso país. O Brasil tem uma extensão territorial de continente e abundância de recursos naturais, ou seja, rico por natureza, e por sua vez o empresariado pode contribuir, proporcionando um choque de gestão no meio público-político, melhorando questões tributárias, sociais e econômicas. Este processo de envolvimento político do empresariado vem apresentando excelentes resultados, podemos citar, atualmente, como exemplo, o prefeito do município de Rio do Sul, Milton Hobus, que é um grande empresário da região e vem realizando um excelente trabalho.

Fonte:|ndonline.com.br|

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