Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIV

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Generalizações Perigosas - Crise Têxtil - Abit -Abimaq - Abitex

Brasília - “Empresários” querem tal coisa!

Quando o jornalismo faz generalizações baseando-se em opiniões de determinado grupo como se fossem representativas de toda uma categoria corre o risco de ser flagrado numa tentativa de induzir o leitor a certas conclusões.

Na matemática como no jornalismo, não se confunde a parte com o todo. A precisão é uma condição necessária e indispensável para se fazer qualquer afirmação que expresse uma maioria.

Mesmo que a parte represente uma maioria, estatisticamente comprovada, ela nunca sera o todo e portanto precisa ser tratada claramente como tal. É comum no jornalismo fazer-se inferências a partir das opiniões ou interesses de setores dominantes colaborando para que se estabeleça uma falsa noção de hegemonia.

Na matéria Empresários querem medidas para acabar com guerra fiscal entre estados e a concorrência deslea..., publicada dia 28 de outubro pela Agência Brasil, foi ouvido o representante da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e o representante da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), que apesar de serem duas corporações de grande destaque do setor industrial, não representam a totalidade dos dos interesses a elas ligados, pelo menos em se tratando da cadeia produtiva da indústria têxtil.

Neste sentido, o diretor presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Matérias Primas Têxteis - Abitex, Jonatan Schmidt, escreveu: “O bom jornalismo tem como PRINCÍPIO ÉTICO [grifo do leitor] o uso da dialética, qual seja ouvir todas as partes envolvidas para que o receptor da notícia possa adotar uma posição isenta. Na reportagem intitulada "Empresários querem medidas para acabar com guerra fiscal entre estados e a concorrência desleal com importados"...foram feitos comentários acerca dos eventuais danos que as importações da China estariam causando às industrias brasileiras, em especial sendo citada a industria têxtil.”

Segundo o empresário: “Ocorre que a reportagem só ouviu representantes do setor industrial,
deixando de ouvir os representantes dos IMPORTADORES [idem]. E, no caso dos têxteis, não se deixou claro se a prejudicada seria a indústria de confecções ou se seria a de MATÉRIAS PRIMAS TEXTEIS [idem]. Infelizmente, há muita confusão neste setor, exatamente porque a Abit
congrega ambas as indústrias. Contudo, é preciso que se esclareça que a importação de matérias primas têxteis, principalmente as de origem SINTÉTICA [idem], é praticamente essencial à
indústria brasileira de confecções, porque o Brasil não consegue produzir o que há de demanda.”

O leitor ainda esclarece: “A Abitex, que presido desde 2007, se opõe ao discurso generalista e nacionalista de que as importações são danosas ao Brasil. É simplório demais diante de uma economia globalizada, onde todos precisamos importar e exportar, sob pena de perda de mercados. A indústria brasileira de CONFECÇÕES [idem] é eficiente e tem qualidade. Talvez não consiga atender totalmente à demanda. Mas, de qualquer modo, sempre existirão, por exemplo, as importações de produtos de marcas de luxo... Contudo, no tocante às matérias primas têxteis, em especial as de origem sintética, se não houver importações da China haverá desabastecimento e a indústria brasileira de confecções não terá como produzir.”

A Diretoria de Jornalismo da EBC ainda não respondeu ao leitor cuja mensagem parece evidenciar que não existe unanimidade de opinião no setor sobre os efeitos do uso de matérias primas importadas do país asiático, como a notícia dá a entender.

A matéria não explica quais seriam os efeitos na composição do preço das confecções se o governo resolver sobretaxar matérias primas importadas - no caso dos tecidos sintéticos , como medida protecionista da indústria nacional. Tampouco avalia se nossa industria tem ou não condições de abastecer o mercado interno dependendo do preço internacional dos tecidos sintéticos, conforme cita Jonatan.

Mas como o próprio diretor presidente da Abitex assinala “há muita confusão neste setor” - a associação nacional congrega ao mesmo tempo a indústria de confecções e a de matérias primas têxteis. Talvez haja conflitos de interesses entre ambas, principalmente quando uma delas se abastece com produtos de empresas multinacionais concorrentes de empresas similares nacionais.

A mensagem do leitor coloca em evidência a complexidade de opiniões e interesses envolvidos na questão que não pode ser reduzida a um “ser contra” ou “ser a favor”. Isso indica que a pauta precisa ser aprofundada para contemplar todos os atores envolvidos, dando oportunidade igual para se manifestarem.

A notícia também não esclarece qual é a posição do governo, referido na pessoa do secretário executivo do Ministério da Fazenda. O assunto pode ser abordado, em primeiro plano, no contexto da politica nacional para o setor industrial e, em âmbito mais geral, à luz da inserção do Brasil no mercado internacional globalizado.

Nada é óbvio na complexidade das relações comerciais entre as nações. Frequentemente é necessário que um país importe para exportar. Se esse país sobretaxar importações de componentes ou de matérias primas estará automaticamente encarecendo o produto final e tornando-o menos competitivo – é o chamado “tiro no pé”.

A matéria traz ainda opiniões dos líderes das associações empresariais sobre a chamada “guerra fiscal” entre estados brasileiros que utilizam diferenças de alíquotas para atrair investidores – por sinal, a mesma guerra que criticam internamente preconizam que o Brasil adote em relação à China. Essa é uma das aparentes contradições que precisam ser esclarecidas. A outra reside na posição adotada por estados brasileiros de sustentar barreiras tributárias que dificultam a livre circulação de mercadorias em um momento em que as relações internacionais apontam para a necessidade de um movimento em sentido contrário, removendo obstáculos que atrapalhem o pleno desenvolvimento das forças produtivas .

Com esses e outros esclarecimentos o leitor terá informações qualificadas para “adotar uma posição isenta”, como sugere Jonatan Schmidt.

 

Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-11-04/coluna-da-ouvido...

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Eis a nossa dura mas nobre missão Julio:

Gritar bem alto para que a tal "prática informal" deixe de ser uma prática, ou seja, ou a China se enquadra ou bye bye comércio internacional.

Vou tentando fazer minha parte e brigando pelos ideais em que acredito.



Julio Caetano H. B. C. disse:

PREZADO Edson Ruiz Baron, você tem toda a razão, mas na prática, com a declaração das autoridadades brasileiras, os demais organismos governamentais se acham no dever de tratá-los como tal.
A China ainda tem um prazo para cumprir as metas da ONU para que possa assim ser reconhecida, mas o Brasil, não sei por que, reitero, já dá como favas contadas e assim reconhece.

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