Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

Em tempos de grandes eventos de moda nacionais e internacionais, é preciso ficar atento a algumas iniciativas que buscam aliar o fashion ao sustentável.

Os exemplos vão de camisetas com mensagens em defesa das florestas a uso de fios orgânicos, redução das emissões dos gases de efeito estufa, menor consumo de água, entre outros.

Porém, cabe a pergunta: será que essas ações representam de fato a incorporação genuína de uma postura de contribuir para a melhorar a  qualidade de vida das pessoas ou não passam de estratégias de marketing de aparência para que a moda entre no modismo ambiental?

Afinal, os fatos estão aí, importação de tecidos e roupas de países asiáticos, em que não se sabe ao certo as condições de trabalho do lado de lá nem a responsabilidade ambiental desses fabricantes que nos enviam produtos a baixíssimos custos já que estão socializando seus impactos socioambientais. Do lado de cá são detectadas condições precárias de trabalho em muitas oficinas de costuras.

Resumindo: as marcas têm colocado em risco seus negócios, imagens e marcas construídas após muito investimento, já que pesquisas continuam a indicar que os consumidores estão mais atentos e dispostos a adquirir produtos de empresas socioambientalmente responsáveis e a penalizar empresas irresponsáveis. De outro lado, os investidores estão sempre atentos à proteção de seus capitais buscando rentabilidade com menores riscos.

O que os estilistas e fabricantes podem fazer para caminhar na direção de uma moda genuinamente sustentável e deixar a tentação da "maquiagem verde" de lado? Como provocar nos consumidores uma percepção verdadeira e consistente de que "nessa marca eu posso confiar"?  Aqui vão alguns exemplos para que você possa ter um melhor conhecimento sobre práticas genuínas no negócio da moda sustentável:

Não é porque o tecido de algodão é orgânico que a roupa é sustentável. Para um jeans ou uma camiseta ser sustentável é preciso ter a comprovação, no mínimo, dos cinco atributos essenciais da sustentabilidade de um produto: a qualidade e a salubridade do produto e a responsabilidade socioambiental e de comunicação do fabricante.Por exemplo, de nada adianta ser orgânico se a tintura apresentar níveis elevados de toxidade para o usuário, se não houver responsabilidade socioambiental em todo o processo de plantio, extração, fabricação e distribuição das mercadorias e se a comunicação com o consumidor não for ética.

Se estão lhe oferecendo tecidos ou acessórios provenientes de países asiáticos emergentes ou subdesenvolvidos desconfie da responsabilidade socioambiental do fabricante. Você tem à sua disposição uma forma importante de mitigar riscos para sua imagem perante seus clientes, seus investidores e o mercado em geral: peça ao fornecedor três certificações: ISO 9001, ISO 14001 e OSHAS 18000. Com isso, você estará reduzindo em muito as probabilidades de receber produtos sem qualidade e sem responsabilidade ambiental e social na sua produção. Lembre-se que ao dar preferência para produtos produzidos em sua região você estará contribuindo, de forma positiva, para a geração de impostos locais, estimulando a geração de empregos e os serviços públicos.

Não se deixe levar por imagens em anúncios, embalagens ou catálogos de fornecedores que associam seus produtos à natureza, utilizando florestas e animais selvagens. Duvide, cada vez mais, do prefixo "eco" e da palavra natural (e outras do gênero, como 100% orgânico, ecológico, amigo do meio ambiente...). Busque conhecer a essência: qualidade, toxidade e ética.

Se for comprador de insumos, desconfie do fornecedor que afirma que seus produtos tiveram compensação de carbono e que isso os torna "verdes". Lembre-se de que a chamada compensação de carbono só deve ser feita depois de reduzidos todos os impactos gerados pela empresa e que essa compensação leva algo como 20 anos se as mudas plantadas forem cuidadosamente cuidadas. Esse é uma das "maquiagens" mais comuns. Mais uma vez, foque no que é relevante: qualidade e salubridade do produto e ética do fabricante no relacionamento com seus funcionários, prestadores de serviço, no pagamento de impostos, na geração de resíduos...

Demonstre genuinidade para seus clientes e fornecedores. Lembre-se de que: rusticidade, ambientes cheios de plantas, não tornam sua moda mais sustentável. Embalagens sem bom gosto feitas de material reciclado não conseguirão enganar o consumidor. É muito mais importante que você mostre o trabalho que vem fazendo para ter os produtos de sua confecção cada vez mais sustentáveis. O consumidor sabe que não há varinha de condão e ele ficará admirado e mais fiel á marca que convidá-lo a construir um mundo da moda verdadeiramente melhor e mais sustentável.

Se tiver interesse em aprofundar o assunto, consulte o Guia SustentaX de Comunicação Responsável com o Consumidor, disponível gratuitamente no site www.SeloSustentaX.com.br.

Newton Figueiredo é fundador e presidente do Grupo SustentaX, que desenvolve, de forma integrada, o conceito de sustentabilidade empresarial ajudando as corporações a terem seus negócios mais competitivos e sustentáveis, identificando para os consumidores produtos e serviços sustentáveis e desenvolvendo projetos de sustentabilidade para cidades e empreendimentos imobiliários.

Fonte:|http://invertia.terra.com.br/sustentabilidade/noticias/0%2C%2COI556...

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