Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

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O que as varejistas que pediram recuperação judicial têm em comum?

O que as varejistas que pediram recuperação judicial têm em comum?

Segundo especialistas, redes que tinham foco maior em lojas físicas foram as mais afetadas

Por Bruno Rosa

TNG, Le Postiche, Cavalera,  Via Uno e Le Lis Blanc. Na lista de marcas renomadas do varejo que precisaram entrar com pedido de recuperação judicial e extrajudicial desde o início da pandemia, há espaço para todo tipo de estilo, da moda jovem ao look de festa, passando pela camisa social do escritório.

Levantamento da consultoria Alvarez & Marsal (A&M) mostra que ao menos 13 marcas foram obrigadas a pedir proteção contra credores com dívidas que ultrapassam os R$ 5 bilhões.

E a tendência deve continuar nos próximos meses desta temporada. Escritórios de advocacia e empresas de reestruturação relatam aumentos de 25% a 50% nas consultas de redes varejistas preocupadas com o aumento do endividamento e com a falta de perspectiva de geração de caixa em razão das incertezas em torno do atraso na vacinação.

Segundo especialistas, um traço em comum entre empresas que tiveram as finanças mais afetadas pela pandemia é o foco maior nas lojas físicas, com menor atenção para as vendas on-line.

Em um período marcado por medidas de isolamento para combater a pandemia, quem tinha presença mais forte no digital conseguiu se adaptar mais rapidamente.

Le Postiche pediu recuperação judicial Foto: Agência O Globo
Le Postiche pediu recuperação judicial Foto: Agência O Globo

Quem não tinha o e-commerce integrado à cultura da empresa, sentiu um efeito maior no caixa ou se tornou alvo de aquisições. Grandes redes também tiveram mais fôlego para enfrentar a turbulência do que grifes que atuam em nichos do mercado.

Para José Antônio Ferraiuolo, sócio da X-Infinity — companhia de reestruturação de empresas que cuidou da fase inicial do processo de recuperação judicial da rede masculina Camisaria Colombo —, setor vive hoje a “tempestade perfeita”:

— Os programas do governo de apoio do ano passado já foram usados e serviram como forma de amortecimento. Mas os problemas de 2020 foram empurrados para 2021. O volume de consultas no escritório de empresas do setor aumentou 25% neste ano.

Nos próximos dias, ele vai entrar com pedido de recuperação judicial de uma rede varejista com mais de 30 lojas espalhadas pelo país e dívidas superiores a R$ 300 milhões.

Responsável pelo processo da Le Postiche, o advogado Julio Mandel, sócio da Mandel Advocacia, prevê segunda onda de crise com pequenas e grandes redes entrando em processos de renegociação de dívidas. Isso porque começam a vencer os empréstimos feitos nos primeiros meses de 2020, no início da pandemia:

— As empresas cortaram custos e agora sofrem com aumento das commodities por causa da recuperação dos EUA e da China. As consultas de empresas buscando ajuda quase dobraram em relação ao segundo semestre de 2020. A Le Postiche, por exemplo, fechou 40 lojas e investiu no comércio eletrônico. Está hoje em 147 endereços e tem dívidas de quase R$ 65 milhões.

‘Oportunidade de crescer’

Na última sexta-feira, a grife TNG entrou com pedido de recuperação judicial, após acumular dívidas de cerca de R$ 250 milhões desde o início da pandemia. Em comunicado, a grife destacou que o objetivo é buscar uma proteção para restabelecer o fluxo de caixa e evitar ações de execução. Com 600 funcionários, cerca de 90% da receita da empresa vêm das lojas físicas, apesar do investimento em e-commerce.

 A rede ficou fechada por 200 dias desde o início da pandemia, disse Tito Bessa Junior, fundador da TNG. Nesse tempo, fechou 70 lojas, e hoje conta com cem endereços.

—Temos grande oportunidade de voltar a crescer nessa nova etapa, mas será necessário e imprescindível finalizarmos nossos ajustes com esse medida. Temos uma marca democrática, com presença e prestígio nacional.

O especialista em Direito Empresarial Marcelo Godke, sócio do Godke Advogados, relata alta de 50% na procura de empresas do varejo interessadas em buscar solução. Fontes dizem que a InBrands, dona de marcas como Salinas, Ellus e Richards, chegou a fazer consultas com escritórios, mas nega que fará recuperação judicial.

Afirma que “está sempre atenta a boas oportunidades do mercado, no melhor interesse da companhia”.

A Restoque, que comanda Le Lis Blanc, Dudalina e Rosa Chá, por sua vez, entrou em recuperação extrajudicial no ano passado e negociou com os credores a emissão de debêntures agora em fevereiro no valor de R$ 1,4 bilhão.

Fonte: O Globo

http://sbvc.com.br/o-que-as-varejistas-que-pediram-recuperacao-judi...

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 A Restoque, que comanda Le Lis Blanc, Dudalina e Rosa Chá, por sua vez, entrou em recuperação extrajudicial no ano passado e negociou com os credores a emissão de debêntures agora em fevereiro no valor de R$ 1,4 bilhão.

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