Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

No vocabulário da indústria, existem dois tipos básicos de conceitos espaciais sobre a estamparia, que são a estampa corrida ou estampa localizada. O termo estamparia localizada requer que a estampa seja colocada em um lugar específico: no centro ou nas laterais, por exemplo; na frente, nas mangas, golas ou costas de uma peça ou outra parte que a componha; ou, ainda, por dentro (avesso), por fora (direito), ou por ambos os lados. Quanto à estamparia corrida, ela supõe a existência de uma uma unidade de repetição básica denominada raporte e que se repete continuamente em toda a extensão do tecido que, depois, é cortado e costurado transforma-se em uma roupa.

 

Na última década, um novo conceito - muito antigo - de estamparia renasceu: chamada engineered design ou engineered print, é quando a estampa é integrada à modelagem, ou seja, é planejada para o volume da peça.

 
Peças com estampas corridas.

Antecedentes históricos x novas possibilidades

 

As técnicas de ornamentação de têxteis pensadas para uma aplicação específica e localizada datam da Antiguidade e, na verdade, só perderam seu espaço durante o século 19 com a impressão industrializada barata e em alta quantidade. A partir desse momento, produzir roupas com tecidos estampados tornou-se moda dominante e, ornamentos pensados para lugares específicos nas roupas, como mangas ou barras das saias, mais caros e raros.

 

Essa diferença se acentuou cada vez mais à medida em que os tecidos estampados se popularizaram pela criação da fotogravação (que originou a serigrafia e também as máquinas rotativas), até que chegamos ao ponto de que encontrar uma estampa pensada para um vestido em toda a sua complexidade tornou-se quase inexistente ou restrito a criadores mais experimentais e que produziam peças únicas. Nossa experiência com a estamparia só mudou uma vez mais com o advento das impressoras têxteis que permitem integrar modelagem e estamparia.

 

As transformações técnicas trazidas pela estamparia digital, como a eliminação do raporte (na largura e no comprimento) e também da ampliação ilimitada do número de cores, foram responsáveis, portanto, pelo engineered design: a integração da modelagem e da estamparia.

 

Engineering design na estamparia digital

 

No início da década de 2000, quando a estamparia digital saiu de sua etapa experimental, as suas utilizações mais significativas na indústria foram para a produção de tecidos em pequenas tiragens e, também, para a preparação de bandeiras. A depender do mercado de atuação, uma ou outra possibilidade foi mais praticada, mas o segmento mais expressivo no qual ela se concentrou foi na estamparia corrida.

 

Alguns criadores de moda europeus não enveredaram unicamente por esse caminho. Provavelmente por terem sido preparados para sua atuação profissional no momento no qual a estamparia digital saía do processo experimental, a forma de criação desses designers, já compreendia a estamparia digital como uma tecnologia disponível para o processo de criação e não só como tecnologia ou técnica de produção. Esse é o grande diferencial de suas criações, já que, entendendo o funcionamento da tecnologia em sua essência, ela torna-se bem mais fértil e potencialmente expressiva, diferentemente daqueles criadores que têm que incorporar as novas tecnologias aos seus trabalhos que anteriormente eram desenvolvidos com outras tecnologias. Tal criação, supõe o entendimento do conceito desenvolvido por Bowles & Ceri em 2009:

 
"Na impressão ‘engineered’ ou ‘placement’, a modelagem abriga o pattern que, quando aplicado apresenta um sentido de continuidade: o design desliza pelo corpo e a imagem ou pattern não é quebrado por ele. Designers notáveis do século XX tais como Sonia Delaunay, Emilio Pucci e Gianni Versacce estimularam o engineered screen printed. Estas peças são tidas como de grande luxo e tais designs são mais caros e consumem mais tempo para serem produzidos. Recentemente Tristan Webber, Johathan Saunders, Basso & Broke e Alexander McQueen têm empregado a técnica usando impressão digital."
 

Quer saber quem são esses novos designer e o que você deve ficar de olho nas suas criações?

 
 
 

Sem dúvida a grega Mary Katrantzou é uma das mais ativas e competentes criadoras nesse segmento. Formada em Londres há pouco mais de uma década, já apresentou um TCC (trabalho de conclusão de curso) com foco no engineered print. Ela prioriza estampas que enganam os olhos, ou seja, parte de referências volumétricas e as "plasma" nos tecidos. Sempre parece que estaremos dentro de um objeto.

 
 

Alexander McQueen tem inesquecíveis criações que só foram possíveis graças ao desenvolvimento da técnica do engineered design. Com uma capacidade única de fazer com que a modelagem derive da estampa, ele a projeta no espaço, criando volumes para incorporá-la. Suas criações são de beleza incontestável mas, também, nos ajudam a refletir sobre formas, texturas, volumes: são obras de arte intrigantes.

 
 

A dupla Basso & Brooke usa o engineered print para transformar grafismos originalmente planos em geométricos. São quase pinturas corporais associadas a civilizações pré-históricas. Apesar da simplicidade aparente dos traços, há toda uma força ornamental que entende o nosso corpo, em suas saliências e reentrâncias.

https://www.fashion-for-future.com/post/engineered-design

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