O conceito de biomimética, que já não é novo, pode apresentar uma série de opções para a indústria da moda atingir a verdadeira sustentabilidade, nomeadamente ao nível da poluição por microplásticos e microfibras. De acordo com um estudo da Universidade de Princeton, 35% dos microplásticos perigosos que poluem os oceanos são provenientes de materiais sintéticos.
No seu nível mais básico, a biomimética envolve olhar para a natureza para encontrar dicas e truques que ajudem no design de produtos e soluções – o velcro é um exemplo comum de biomimética, assim como a mudança de cor dos camaleões ou as propriedades de repelência das folhas de lótus.
A biomimética pode igualmente ajudar na criação de soluções para substituir produtos sintéticos e mais prejudiciais ao ambiente, como usar cogumelos para fabricar pele artificial, e para restaurar e regenerar ecossistemas, imitando processos já existentes na natureza.
Esta imitação da natureza pode ajudar as marcas a responder a uma procura, por parte dos consumidores, de produtos mais amigos do ambiente, diferenciando-se no mercado.
«A biomimética fornece soluções altamente funcionais. Por outras palavras, um têxtil ou uma peça de vestuário tem mais probabilidade de corresponder ou exceder as expectativas do consumidor, porque o produto foi desenhado com base em algo que já funciona bem na natureza», refere o artigo assinado por Stephen Kelly, diretor de negócio e desenvolvimento de fornecedor da Halogenix, uma empresa de ciência de materiais, publicado pelo Just Style. «A natureza é, há muito, uma fonte de inspiração para todo o tipo de inovadores. A biomimética é apenas uma abordagem mais estruturada para aproveitar essa inspiração», salienta.
Para além de ser uma mais-valia na perspetiva dos consumidores, que ao adquirirem produtos que imitam a natureza sentem estar a contribuir para combater a crise climática, a biomimética também tende a reduzir o tempo necessário para testar novos produtos, aponta o mesmo artigo.
Natureza pode inspirar do início ao fim
Stephen Kelly aconselha as marcas que querem aumentar as suas credenciais de sustentabilidade a explorar a biomimética no design, na investigação e nos seus processos de desenvolvimento, deixando algumas dicas que como o podem fazer.

[©Renaissance Fiber]
Logo na seleção dos materiais, é importante analisar se podem ser usadas soluções naturais em vez de matérias-primas sintéticas e estar atento a empresas que estejam a fazer avanços nesse sentido. O responsável da Halogenix dá o exemplo da Renaissance Fiber, que reviu o processo de cultivo do cânhamo e criou uma cadeia de aprovisionamento mais sustentável para a fibra, que pode, assim, ser uma alternativa a matérias-primas mais poluentes.
Mas «inovar de uma perspetiva biomimética não tem de se limitar a uma função básica. Pode também usar-se a biomimética para aproveitar e escalar os benefícios de performance dos materiais e processos naturais. Por exemplo, os tecidos e peças de vestuário podem ser criados para proporcionar benefícios fisiológicos aos utilizadores através de tecnologias bio-responsivas+», destaca Stephen Kelly, nomeadamente a regulação da temperatura e a gestão da humidade.
«A indústria da moda já não tem de continuar a contribuir para os problemas ambientais mundiais. Pelo contrário, as marcas de moda podem tornar-se líderes no espaço da sustentabilidade. Apenas têm de confiar mais em soluções biomiméticas que a natureza já estabeleceu. Podem adaptar soluções naturais para criar bens de consumo com mais estilo e mais verdes», conclui Stephen Kelly.