Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XV

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XV

Recomendamos Ler Comentários - Pacote econômico, Férias Coletivas e o Consumidor - Carlos A. Döhler

Aplausos e elogios acalorados de um lado, críticas e chiadeiras incisivas de outro. Ambos unilaterais e um tanto exagerados. O maior mérito do pacote econômico Brasil Maior, apresentado pelo governo federal, não foi o de ter beneficiado este ou aquele setor, mas o de finalmente abrir espaço nos palácios de Brasília para debater a desoneração da indústria nacional. O pacote sinalizou a disposição do governo de mexer em temas adiados há anos. Isso, sim, foi um grande avanço.

A alta carga tributária brasileira associada a uma política que favorece a importação vem abalando as estruturas da indústria. Enquanto a produção brasileira vai se acumulando nos estoques, os produtos chineses entram, diariamente, sem pagar impostos e, o que é pior, trazendo nas embalagens um "selo" de desqualificação, falta de ética, irresponsabilidade ambiental, desrespeito aos funcionários e descaso com os consumidores.

No último mês, mais uma vez, acompanhamos pelo noticiário as fabricantes dando férias coletivas aos funcionários. A bola da vez foram as empresas de linha branca (geladeiras, fogões, lavadoras etc), que suspenderam a produção e pediram para milhares de trabalhadores "descansarem".

O aumento dos estoques nas empresas nada mais é do que um reflexo da diminuição da demanda. As corporações que se preparavam para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 5%, em 2011, ao que tudo indica terão de se contentar com um crescimento próximo a 3,5%. A indústria brasileira também já sente com mais força o impacto das crises econômicas internacionais, que têm levado os países a ampliarem suas barreiras comerciais.

O setor produtivo briga contra o tempo para adaptar suas práticas corporativas ao equilíbrio ambiental

Para o setor têxtil, a situação está especialmente mais complicada. Neste ano, as notícias sobre férias coletivas no segmento tornaram-se tão corriqueiras que sua exclusão do pacote econômico federal causou comoção. Evidentemente que a percepção do poder público é fundamental para modificar um quadro desfavorável. Entretanto, empresas com administrações criativas, corajosas e atentas ao mercado muitas vezes conseguem encontrar alternativas para driblar as dificuldades, antes mesmo da interferência governamental.

A crise nas exportações, por exemplo, podia ser prevista há tempos. Por outro lado, também há alguns anos já era possível vislumbrar um vigoroso crescimento da classe média brasileira - pois esse movimento vinha amadurecendo desde a ascensão das mulheres no mercado de trabalho. A renda do homem brasileiro classe C passou a ter o acréscimo da renda da mulher classe C, possibilitando uma renda familiar classe B.

As fabricantes brasileiras que conseguiram perceber essas variações nos mercados interno e externo adaptaram sua estratégia administrativa e têm conseguido, não só contornar a crise, mas alcançar ótimos desempenhos, produzindo a todo vapor, com 100% dos funcionários e aumentando o faturamento mês a mês. Até mesmo no tão prejudicado setor têxtil brasileiro, a transferência de foco das exportações para a demanda nacional, com enfoque na nova classe média, fez total diferença nesse momento de dificuldades.

Para superar conjunturas adversas, o administrador não deve contar apenas com a sensibilidade do governo. Ele precisa estar atento ao seu consumidor momentâneo e, sobretudo, ao cliente em potencial. Saber quem são aqueles que não compram a sua marca hoje, mas que poderão vir a comprar é fundamental, bem como buscar estratégias para alcançar esse público. O mercado é dinâmico.

Agora, por exemplo, é fundamental perceber as novas transformações que estão a caminho. O consumidor brasileiro de hoje não será o mesmo daqui a 10 anos. A população está envelhecendo com saúde. O mercado consumidor será formado por uma grande gama de pessoas com mais de 40 anos, exigentes, estabelecidas financeira e profissionalmente. Ninguém irá comprar por comprar, apenas para satisfazer uma vaidade. O consumidor do futuro buscará empresas com os seus mesmos ideais. Empresas que saibam criar valores emocional, social, ambiental, de experiência e, lógico, financeiro para o produto.

Também é fundamental aos administradores estarem antenados à facilidade de mobilização da nova geração. Qualquer informação passou a estar ao alcance de todos e com a rapidez de um click. Ainda não se sabe até que ponto poderá chegar essa facilidade de comunicação, mas já é possível imaginar o perfil do nosso próximo consumidor, que acreditará ter o mundo aos seus pés, confiará em seus pontos de vista e disseminará informações o tempo todo.

A sorte, mais uma vez, está lançada. Ou melhor, a sorte não, o desafio. Sociedade, indústria e governo estão amadurecendo juntos. A população passará a dar as cartas do jogo, exigindo respeito e responsabilidade dos gestores; o setor produtivo briga contra o tempo para adaptar suas práticas corporativas, colocando assuntos como equilíbrio ambiental e ética na pauta do dia; e o poder público dá mostras de que pela primeira vez passará a defender o patrimônio interno. Com essas três frentes integradas e atuando com firmeza, certamente temos motivos para confiar na possibilidade de um Brasil Maior.

Carlos Alexandre Döhler é diretor comercial da empresa Döhler S/A e pós-graduado em Comércio Exterior pela Univille-SC

Fonte:|http://www.valor.com.br/opiniao/987192/pacote-economico-ferias-cole...

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Enquanto a classe média continar a ganhar uma média baixa, terão de comprar produtos baratos. Isto é fato.
Enquanto não aumentarmos a camada da população para Média Alta e para classe A, os produtos baratos importados de qualquer lugar que seja, e não somente da CHINA, terão espaço para vender.

Enquanto os empresários brasileiros não delinearem seu público-alvo e ajustarem os custos para produzir aquele produto específico para seu público-alvo, não conseguirão vender e terão de competir com os importados.

Enquanto o governo não desonerar em peso as cargas tributárias e impostos, não só a industria têxtil sentirá, mas todos os segmentos sentirão.

Enquanto quisermos competir com o barato sem trabalhar nichos de mercado, teremos de concorrer com todo mundo.

Enquanto o empresário brasileiro se beneficiar do BNDES e qualquer outro benefício ou financiamento e ao invés de investir na indústria para torná-la competitiva, colocar o dinheiro no bolso para comprar mordomias, teremos de viver a realidade da importação.

Enquanto entendermos que competimos com todo mundo, sem trabalhar nichos, todo mundo será nosso concorrente.

Enquanto houver classe economica E, D, C e B-, teremos de conviver com preços baixos.

Quem é que vai comprar um carro da (mudando o nome um pouquinho) "Jacksss" com todos os opcionais, se tiver dinheiro para comprar outras marcas conceituadas e com os mesmos acessórios.

Vamos fechar as portas da importação de viver uma realidade parecida com Pré-Color.

Fernando Collor de Melo escancarou o mercado e trouxe competitividade para indústria nacional.

Em outros segmentos, temos por exemplo, produção nacional de Tornos, mas os fabricantes da metal-mecânica preferem comprar Máquinas importadas.

Quantas indústrias têxteis possuem hoje, no Brasil, máquinas têxteis 100% brasileiras?

Todos se esqueceram que recentemente, grande parte da produção de algodão  nacional foi exportada, fazendo com que o algodão tivesse preços nas alturas?

Quantas indústrias Brasileiras querem exportar? Algum fabricante de outro país perderá vendas.

Se fecharmos hoje a importação da matéria-prima, temos que fechar também a exportação de produtos.

Se fecharmos hoje a importação de matérias-primas, quantos aqui poderão continuar a produzir? Haverá matéria prima o suficiente para vestirmos 100 % da população nacional?

Se fecharmos as importações, hoje, quanto custará uma camiseta, uma calça, um cobertor ou uma lingerie? Estamos preparados para fecharmos as portas?

Se simplesmente fecharmos as portas, haverá vestuário e produtos de cama, mesa e banho para toda a população brasileira? Acredito que não.

Quantas das indústrias têxteis no Brasil, além de compram matéria-prima de distribuidores / importadores?

Quantos aqui estão dispostos a dar significativo aumento de salário (mesmo que sem encargos) para elevar a renda da população para que esta possa aumentar seu consumo e comprar produtos mais caros?

 

Quem é aqui que definitivamente não compra matéria prima importada?
Tenho nacional para vender também. 

 

O problema não é a China, não é a Turquia, Não é a Índia, não é a Indonésia.

Concorrência desleal é um problema sim, mas encargos e tributações, planos de governo, bolsas-família, falta de atitude do governo e falta de investimentos em educação, indústria, saúde são os maiores problemas.

 

O Governo comprou sim tecidos e uniformes da China (ou sei lá de onde), mas se comprarem hoje, produtos nacionais, o governos precisará aumentar impostos para pagar a diferença dos preços. Alguém  já parou para pensar nisto?

 

A balança comercial Brasileira este trimestre está relativamente equilibrada.

Por que é que o Governo Brasileiro se importará com a indústria têxtil, se há relativo equilíbrio na balança, em se considerando outras commodities?

 

Será que os produtores de soja, de laranja, de café, de aço, de açúcar de qualquer outro país produtor não está reclamando de todas as commodities que vendemos lá fora? Estamos tirando o emprego de alguém, não estamos?

 

O governo poderá pagar um pouco mais ao produtor brasileiro, se deixar se sangrar suas contas bancárias. 

Quando começarmos a punir os participantes do mensalinho, do mensalão e de todas as outras calamidades, que não são punidas, teremos algum tipo de melhora.

 

Pessoal, o buraco é um pouco mais embaixo.

 

Que tal oferecer empregos com salários mais adequados aos agentes comerciais, às pessoas que trabalham nas tradings, para que esvaziemos estes intermediários? Que tal aproveitar a competência destas pessoas, para impulsionar nossa indústria de outras formas? Enquanto houver salários baixos e falta de incentivo à contratação de profissionais qualificados, enquanto não se pagarem melhores salários, existirá vaga ao importador, que também emprega muita gente, que também paga impostos.

Quem dará emprego aos importadores? Você está disposto a contratá-lo? Ou ele deverá passar pela fome do desemprego? 

 

Que tal brigarmos  por um Brasil mais justo e honesto em todas as esferas?
Que tal acabarmos com a roubalheira?
Que tal profissionalizarmos nossa mão de obra?

Que tal começarmos a cobrar impostos mais justos em todos os âmbitos, e que tal começarmos a exigir a punição à roubalheira?

O CPMF vai voltar, e você não vai reclamar? O custo da indústria brasileira também está na CPMF.

Há arrecadação suficiente hoje para bancar a Saúde? Me responda você.

 

O buraco é maior do que pensamos.

Estamos brigando por algo, visando somente a vantagem pessoal. Que tal começarmos a brigar por um Brasil melhor e deixarmos de olhar somente para nossos umbigos?

 

Faço parte da massa que hoje trabalha com importação.

Alguém quer me dar um emprego com o salário que preciso para ter uma boa condição de vida, para deixar de promover produtos Asiáticos aqui no Brasil? Aceito propostas. Até lá, tenho que ganhar meu sustento. 

Ou não preciso ganhar nada e viver na pobreza?

 

Não sou a favor da importação, apesar de hoje precisar dela para sobreviver, assim como não sou contra.

Sou a favor da justiça.
Sou um profissional de marketing. 

Quantas pessoas de marketing vejo procurando emprego. O que elas poderiam oferecer à sua indústria? Poderiam oferecer o caminho do Nicho de Mercado. O caminho da competitividade. Mas estes meus colegas profissionais estão desempregados.
Quanto vale  o trabalho deste profissional?

A resposta está na concorrência. Seu produto é mais um, ou é exclusivo e "unique" em alguma coisa?

Se for único em alguma coisa, uma fatia de mercado certamente preferirá ao seu, do que o importado.

Falando nisso, quem é aqui que contrata uma agência de propaganda com profissionais bem remunerados?

Quem aqui prefere comprar baratinho, levando vantagem no preço baixo?


Tem algo errado no mercado.

Tem algo errado na cultura empresarial.

Tem algo errado na política.

Tem algo errado também em nos calarmos aos aumentos de impostos, criação de novos impostos, à manutenção do Status Quo em todas as esferas (micro e macro).

 

Você hoje espreme os preços dos seus fornecedores, mas não quer espremido?

Espero que você não seja este tipo de profissional e espero que sua empresa não faça isso com ninguém.

Tenho certeza que não o mercado,  mas que todos aqui possam mudar alguma coisa por um Brasil melhor, não só por um bolso melhor.

 

ATT,

Eduardo Dammroze

(11) 8752-3265

 

Caro Mrcelo,

Acredito que a invasão dos produtos da China, trará para as industrias brasileiras independentemente do seu porte os mesmos efeitos de uma grande enchente, ou seja; só se sabe realmente as consequências depois que ela passa e não se pode fazer mais nada, o estrago está feito, só resta aos que sobreviverem ou lamentar pelo que perderam, ou, principalmente perguntar, porque não fizemos nada para isto não acontecer? enquanto estava tomando o "banho na chuva" estava gostando, depois é que os estragos aparecem. lametável o que vem ocorrendo. Aí eu pergunto, será oportunismo, incompetência ou ignorância mesmo?

   Depois de 05 anos continua o mesmo descalabro.

 Enquanto a produção brasileira vai se acumulando nos estoques, os produtos chineses entram, diariamente, sem pagar impostos e, o que é pior, trazendo nas embalagens um "selo" de desqualificação, falta de ética, irresponsabilidade ambiental, desrespeito aos funcionários e descaso com os consumidores.

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