Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

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Raquel e Vanessa Davidowicz, da UMA, falam sobre sustentabilidade na moda

Fundadoras das marcas UMA e UMA X, mãe e filha falam sobre suas trajetórias profissionais e as perspectivas de transformações na moda no pós-pandemia.

Decidir jogar aquela camiseta velha, desbotada e cheia de furos tem um impacto enorme sobre o meio ambiente. A depender da sua composição, os materiais implicados na produção podem fazer com que aquela roupa demore décadas – ou centenas de anos – até se decompor. No limite, isso significa a contaminação do solo, dos lençóis freáticos e até mesmo a emissão de gases de efeito estufa. É inegável que essa responsabilidade não deve ser atribuída unicamente ao consumidor, mas cada escolha pode fazer a diferença em um momento em que a questão ambiental torna-se uma das principais agendas para um futuro justo e possível. Segundo o Instituto Akatu, que busca promover a redução de desperdícios e consumo consciente, anualmente são produzidas 170 mil toneladas de lixos têxteis.

Foi com essa preocupação que a marca UMA X nasceu. Fundada por Vanessa Davidowicz, a linha é derivada da UMA, que por sua vez foi criada há 25 anos por Raquel Davidowicz, mãe de Vanessa.

Raquel e Vanessa Davidowicz (Foto: Adasz)

Raquel e Vanessa Davidowicz (Foto: Adasz)


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Lançada em julho de 2020, a UMA X trabalha com peças eco-friendly, como borrachas recicladas e Econyl – Nylon fabricado com resíduos do oceano. Além disso, as criações são pensadas para serem utilizadas independente do gênero. No último mês, a UMA X lançou um drop (coleção menor e exclusiva e que não segue o calendário sazonal) em parceria com a artista visual e designer Nayana Sonda. As roupas trazem estampas que lembram “nervuras” de mármore, um estilo utilizado por Nayana.

Novo drop da UMA X (Foto: Divulgação)

Novo drop da UMA X (Foto: Divulgação)


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Para este Dia das Mães, Marie Claire conversou com Raquel e Vanessa sobre seus trajetos profissionais, as influências de questões ambientais e sociais na produção e consumo de moda, além de um horizonte de novas tendências no pós-pandemia.

Vanessa, em que momento você passou a se preocupar com questões relacionadas à preservação ambiental? Você acredita que esse é um caminho sem volta entre as grandes marcas? O que ainda precisa ser melhorado?
Vanessa: Minha geração já cresceu com uma preocupação em relação ao meio ambiente e práticas diárias sustentáveis. Inclusive, na faculdade tive matérias focadas em sustentabilidade para a indústria da moda, que de fato é uma das indústrias mais poluentes do mundo. Entrei neste mercado sabendo dos desafios que a indústria precisa enfrentar para minimizar, ao máximo, os impactos do setor no meio ambiente. Eu acredito que é um caminho sem volta, que começou com uma movimentação de marcas menores e locais, e agora é liderado pelas marcas de luxo. No Brasil, ainda temos escassez de matéria prima sustentável, mesmo sendo um país com grande potencial. Hoje, ainda dependemos muito de tecnologias eco friendly vindas do exterior.

Quais debates têm chamado a atenção de vocês nesses últimos tempos? É possível conciliar a Moda com discussões sociais e ambientais?
Vanessa: A questão comportamental é muito importante para a criação das coleções. Estudamos movimentos sociais para nos mantermos alinhados com as demandas e necessidades dos nossos consumidores, e nos preocupamos com a procedência dos materiais que usamos, trazendo novas técnicas sustentáveis através de tecidos e processos mais verdes, sempre que possível.

Raquel: Estamos buscando nos aprofundar mais em inovações tecnológicas que usam matérias primas inusitadas para criar uma nova geração de tecidos sustentáveis. O futurismo têxtil é fascinante!


Vanessa, a UMA X tem a sustentabilidade como pilar. Como esse valor se traduz na prática? Há alguma restrição quanto ao trabalho com fornecedores que não estejam alinhados [ou caminhem em direção oposta] aos valores da UMA X?
Vanessa:Todas as peças carregam algum tipo de informação ou inovação sustentável, como economia de água no processo de acabamentos, melhorias sociais no processo de cultivo e práticas do algodão, técnicas de upcycle, procedimentos biodegradáveis e diminuição de matéria-prima virgem e substâncias químicas. Essas informações estão nas etiquetas de cada peça, indicando sua origem, fornecedor, certificação e demais elementos sobre os materiais. A ideia é criar uma relação de transparência com o cliente. A embalagem e a comunicação foram pensadas com o objetivo de reduzir o uso de plástico, substituindo por materiais recicláveis ou reutilizáveis, como o papel plissado usado para produção das peças, que virou uma linda embalagem para presente!

Como tem sido trabalhar juntas?
Vanessa: Trabalhamos em áreas distintas: uma na criação e outra no marketing. No dia-a-dia, cada uma cuida da sua parte, e sempre que precisamos, nos apoiamos uma na outra para a tomada de decisões.

Raquel: Sempre nos demos muito bem, então foi fácil estabelecer essa rotina de trabalho, que é super dinâmica e muito prazerosa.

Raquel, a UMA tem um histórico muito interessante de envolvimento com a arte, especialmente a dança. Qual é a sua relação com esse universo? Teria algum exemplo para contar de como são criados os figurinos?
Raquel: Sempre fui muito ligada à arte contemporânea, gosto muito. A dança surgiu pela amizade com a diretora da São Paulo Companhia de Dança, Inês Bogéa, que se identificou muito com o nosso estilo. E assim começamos a programar um desfile do SPFW com seus bailarinos e coreógrafo. A experiência foi maravilhosa! Três meses de trabalho acompanhando os ensaios e provando as roupas da coleção nos bailarinos. Desde então mantivemos uma parceria com a Cia. de Dança com figurinos para outros projetos.

Vanessa, como você descreve a nova coleção? Em quais cortes e tecidos você tem investido?
Vanessa: Para a UMA X, criamos uma estampa exclusiva com a artista Nayana Sonda a partir de uma técnica artesanal de marmorização, que resultou em nervuras características do mármore em peças de moletom e malha de algodão BCI, com patchwork em sarja, seguindo a proposta descomplicada, all-gender e esportiva da UMA X. Na coleção principal da UMA, trabalhamos um conceito de conforto ageless vs. escapismo, com destaques para o poliéster reciclado, viscose Ecovero derivada de fontes de madeira certificada e diminuição de 50% no impacto de emissões de água, e malha desenvolvida a partir de resíduos do café.

Na opinião de vocês, de que forma passamos a nos relacionar com a Moda depois da pandemia? Acreditam que novas tendências de estilos foram estabelecidas? Quais são elas?

Raquel: Mesmo após a pandemia, acreditamos que as pessoas vão continuar valorizando muito o conforto e a qualidade. Essas são características que já se tornaram prioridade, e serão incorporadas no estilo de vida das pessoas.

Vanessa: As roupas de “trabalho” perderam o rigor, dando espaço a uma nova moda mais despojada e livre, sem regras, desde o streetwear até eventos sociais.

  • Humberto Maruchel Tozze
  • Do home office

https://revistamarieclaire.globo.com/Moda/noticia/2021/05/raquel-e-...

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