Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIV

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Salário do Trabalhador é 35,4% do seu Custo Para a Empresa

SÃO PAULO - O salário mensal bruto de um trabalhador equivale a 35,4% do seu custo total para a empresa, apontou a pesquisa “Custo do trabalho no Brasil”, divulgada nesta quarta-feira pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

A pesquisa foi realizada com base em dados referentes à folha de pagamentos de 2011 de duas empresas do setor têxtil não identificadas e localizadas em Santa Catarina e São Paulo.

De acordo com o estudo, que levou em consideração todos os itens de custo do trabalho determinados pela legislação, como pagamento do FGTS, INSS, licença maternidade, e também custos indiretos de treinamento e administração de pessoal, o trabalhador custa para a empresa 183% a mais que o seu salário bruto – no caso de ele permanecer contratado durante 12 meses.

Para aqueles cujo contrato seja rompido em 60 meses, esse custo é diluído e passa a ser, mensalmente, equivalente a 155% a mais do seu salário bruto.

André Portela, um dos organizadores do estudo, explica que o setor têxtil foi tomado como exemplo por ser um setor intensivo em mão de obra. No entanto, ele faz a ressalva de que, apesar de o estudo considerar itens comuns a todas as cadeias de trabalho, existem custos que variam de acordo com a empresa, o seu setor e a localidade em que está instalada – tais custos variáveis representam cerca de 40% do total do custo de um trabalhador para a empresa.

Para calcular esses demais custos, a pesquisa considerou por exemplo que o trabalhador produz apenas 75% da sua capacidade nos três primeiros meses de serviço. “Esse período de treinamento em que ele não produziu em plena capacidade é um custo para a empresa”, explica Portela.

A pesquisa considerou como salário bruto do trabalhador a média de R$ 730, registrada nas duas empresas consultadas. O custo mensal por empresa desse trabalhador, é, na verdade, de R$ 2.067,44, caso seu contrato seja rompido em um ano, e de R$ 1858,89 em cinco anos.

“Temos vários itens de custo que não existem em outros países, como o FGTS, completa Portela. “Isso explica em parte o alto custo do trabalhador, a informalidade no país, que beira os 50%”.

Vladimir Porczek, também da FGV, acredita que “a complexidade da legislação é o maior entrave do mercado de trabalho”. O estudo mostrou que a legislação trabalhista pesa entre 17% e 48% do custo total do trabalhador.

Na situação em que ela assume o menor peso, considera-se a hipótese de o trabalhador abrir mão de alguns benefícios contratuais para que eles sejam incorporados, não necessariamente na sua totalidade, ao seu salário bruto, ou seja, deixam de ser um custo da legislação e passam a ser remuneração.

Na outra ponta, a situação de maior peso considera o pagamento de todos os benefícios e obrigações estipulados no regime de CLT. “Nós impomos uma legislação que adiciona vários custos à mão de obra, e ela não necessariamente é mais produtiva do que a de outros países. Essa combinação é venenosa para nossa competitividade”, afirmou Portela.

Fonte:|http://www.valor.com.br/brasil/2673004/salario-do-trabalhador-e-354...

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