Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

C&A, Diesel, Primark, Decathlon e Quicksilver são apenas algumas das 70 marcas e retalhistas que podem estar a usar, indiretamente, trabalho forçado de jovens mulheres indianas da casta mais baixa na produção do seu vestuário, que são atraídas por promessas raramente cumpridas.
 

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Vestuário explora Intocáveis

 Vestuário fornecido às grandes marcas da Europa e dos EUA pela indústria indiana de vestuário está a ser produzido por jovens mulheres Dalit (ou Intocáveis, como eram anteriormente rotuladas no sistema de castas).

O Centre for Research on Multinational Corporations (SOMO) e o India Committee of the Netherlands (ICN) afirmam que os esforços das marcas e retalhistas para melhorar as condições de trabalho nos seus fornecedores em Tamil Nadu falharam.

Um relatório, batizado “Maid in India”, concluiu que apesar de várias «iniciativas bem-intencionadas», milhares de mulheres na indústria têxtil e de vestuário em Tamil Nadu trabalham sob recrutamento e esquemas de emprego semelhantes ao trabalho forçado.

O documento concluiu que as trabalhadoras são recrutadas dentro e fora do estado e que a maioria é raparigas Dalit com menos de 18 anos. Vêm de famílias pobres e são atraídas com promessas de um salário decente, alojamento confortável e, em alguns casos, uma soma de dinheiro após a conclusão do contrato, que pode ser usada para o seu dote. Estas práticas de recrutamento e emprego são muitas vezes referidas como “Esquema Sumangali”.

Os dois grupos que conduziram o relatório chegaram a mais de 70 marcas, retalhistas e agências de compras europeias e norte-americanas, incluindo a C&A, Diesel, American Eagle Outfitters, Primark, Decathlon. PVH, Quicksilver, assim como a fornecedores como a Crystal Martin, que alegadamente se aprovisionam de produtores exploradores.

Embora reconheçam que várias empresas deram passos para eliminar o Esquema Sumangali, as práticas laborais abusivas continuam disseminadas, afirmam as ONG’s, que exigem agora iniciativas corporativas e outras por toda a cadeia de aprovisionamento para responder a este problema, com uma ênfase nos fornecedores de segundo nível.

O estudo inquiriu 180 trabalhadores, analisou os dados de exportação e investigou as iniciativas corporativas, concluindo que os migrantes laborais muitas vezes vivem em alojamentos detidos pela fábrica com forte vigilância, onde têm poucas oportunidades de contactar com a família, quanto mais com sindicatos ou ativistas laborais. Concluiu também que os trabalhadores laboram muitas horas, em alguns casos até 24 horas seguidas, por salários baixos e sob condições pouco saudáveis.

Abusos verbais e físicos são frequentemente mencionados. Muitas vezes, concluir um contrato de três a cinco anos é a condição para receber um montante fixo, que não é um bónus mas o resultado da retenção dos salários. Mesmo as mulheres que cumprem o prazo, muitas vezes não recebem a quantia acordada.

Fonte:|http://www.portugaltextil.com/tabid/63/xmmid/407/xmid/40968/xmview/...

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Respostas a este tópico

É cruel!!

Capitalismo Selvagem!!!

é um absurdo!!!

A questão é... a confecção nacional está perdendo as forças. A mão de obra externas estão cada vez mais barata...O trabalho escravo se tornou tipo importação. Cruzamos os braços e o problema se tornou do vizinho, que não se importa  em explorações sub-humanas. Não soubemos lutar, nem ganhar força com a política nacional para incentivar o profissional da confecção, a fim de manter no Brasil  a nossa produção nacional. Por ser mais fácil fazer no vizinho, mais barato.... " Afinal escravizar pessoas não é problema nosso" . Enquanto o vizinho cresce explorando as pessoas.

Somos recheados de notícias como essa... e muito me  entristece, porque somos inteligentes para sabermos o certo e o errado Sabemos os caminhos que devemos percorrer  para crescer no nosso quintal, mas completamente nulos no que se refere a luta pela industria têxtil e de confecção no Brasil.

Não podemos ser responsáveis por este tipo de exploração, porque podemos ter condições  de não contribuir pra isso....

Existe o respeito cultural, mas não podemos contribuir pra algo que pra nossa cultura nos causa nojo. Exploração, miséria , escravidão, desrespeito .

Brasil ! Temos que mudar isso. E esta mudança tem que começar dentro de casa.

Empresários da moda precisam se unir e lutar por impostos mais baixos, com incentivos para voltar a crescer em produção nacional, não contribuindo para essas arbitrariedades que causam  tristeza a sociedade.

Desculpem... mas este tipo de exploração me causa muita revolta. Com o ser humano, com a idéia que nos tempos modernos ainda existem situações como esta.

Boa noite.

É isto aí, Kris.

Concordo com você.  No fim das coisas, todos sabemos o que temos de fazer, mas nem todos estão dispostos a "pagar o custo" de assumir suas convicções e posição neste respeito.

Conheci muitas pessoas e empresas que antes produziam no País e que pouco a pouco e por fim, sem reservas, simplesmente substituíram o produto nacional pelo importado e ganharam muito com isto.

Sabemos que nossa cadeia necessita de complementos em alguns segmentos, porém, minar a nossa capacidade produtiva em prol de custos mais baixos?? E assim, mágica não existe, nem aqui nem na China, nem na India, Bangladesh ou seja lá onde for.  Onde isto vai parar? O que estamos vivenciando é apenas o começo, caso ninguém faça nada a respeito.

Só um ponto curioso:  estas grandes redes acima mencionadas e outras participantes da ABVTEX e por aí vai, praticamente desestimularam a mão de obra nacional , alegando não querer participar do ciclo de mão de obra escrava. Capacitar seria melhor, não?  Mas não era este o foco, tanto que cada vez mais reports como os da matéria acima nos chegam...  Interessante, não?

Abraços,

Juliana


kris Melo disse:

A questão é... a confecção nacional está perdendo as forças. A mão de obra externas estão cada vez mais barata...O trabalho escravo se tornou tipo importação. Cruzamos os braços e o problema se tornou do vizinho, que não se importa  em explorações sub-humanas. Não soubemos lutar, nem ganhar força com a política nacional para incentivar o profissional da confecção, a fim de manter no Brasil  a nossa produção nacional. Por ser mais fácil fazer no vizinho, mais barato.... " Afinal escravizar pessoas não é problema nosso" . Enquanto o vizinho cresce explorando as pessoas.

Somos recheados de notícias como essa... e muito me  entristece, porque somos inteligentes para sabermos o certo e o errado Sabemos os caminhos que devemos percorrer  para crescer no nosso quintal, mas completamente nulos no que se refere a luta pela industria têxtil e de confecção no Brasil.

Não podemos ser responsáveis por este tipo de exploração, porque podemos ter condições  de não contribuir pra isso....

Existe o respeito cultural, mas não podemos contribuir pra algo que pra nossa cultura nos causa nojo. Exploração, miséria , escravidão, desrespeito .

Brasil ! Temos que mudar isso. E esta mudança tem que começar dentro de casa.

Empresários da moda precisam se unir e lutar por impostos mais baixos, com incentivos para voltar a crescer em produção nacional, não contribuindo para essas arbitrariedades que causam  tristeza a sociedade.

Desculpem... mas este tipo de exploração me causa muita revolta. Com o ser humano, com a idéia que nos tempos modernos ainda existem situações como esta.

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