Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

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A transição na China e o comunismo Louis Vuitton.

Uma nova longa marcha para onde?

A China está em transição de poder: de um homem de terno preto (Hu Jintao) para outro homem de terno preto (Xi Jinping). A transição no comando do Partido Comunista se revela um pouco menos suave do que se imaginava, com a remoção de algumas peças do tabuleiro sucessório, como o caso da estrela em ascensão Bo Xilai, envolvido junto com sua mulher em nebulosos escândalos, inclusive homicídio. Mas na grande China, há outros probleminhas. Exemplo: o “partidão” é um mensalão.

A China tem uma sério problema: o regime não tem planos de alterar a sua natureza ditatorial e despreza receitas ocidentais de democracia, mas está consciente da necessidade de reformas (apesar da resistência de alguns setores), de diminuição das desigualdades sociais e de combate à corrrupção. Tais mudanças são necessárias diante da desaceleração econômica e aceleração do conhecimento popular sobre corrupção no aparato de poder.

O pacto social armado entre o “partidão” e a população é o seguinte: o regime melhora a situação material e o povão cala a boca. Mas não apenas a economia está desacelerando, mas os contrastes sociais são mais gritantes e a corrupção está cada vez mais escancarada, difícil inclusive de ser escondida em um país com 530 milhões de usuários na Internet.

Com a modernização, existe tanto menos tolerância popular com os abusos do poder, como cinismo sobre a preservação do bizarro discurso comunista quando o país está em outra fase histórica.

O drama é que reformas econômicas vão prejudicar os maiores beneficiados com a corrupcão: autoridades governamentais, partidárias, diretores de estatais e gente metida no mercado imobiliário. Por exemplo, a mulher de Bo Xilai, o ex-integrante do Politburo, recentemente condenada pela morte de um empresário inglês, ganhou muito dinheiro como advogada, representando empreiteiros imobiliários na cidade em que seu marido foi prefeito.

Está difícil disseminar a farsa de líderes que trabalham duro pelo bem comum, com esta socialização da corrupção nas diversas esferas de poder. Há do caso de funcionário do aparato de segurança do segundo escalão que ganha salário anual de US$ 19 mil, com patrimônio imobiliário de US$ 6 milhões ao escândalo denunciado pelo jornal The New York Times da família do primeiro-ministro Wen Jiabao, que está deixando o cargo, que amealhou uma fortuna de US$ 2.7 bilhões.

A corrupção rouba com uma mão e a impunidade bate com a outra. Com a transição no poder esta semana, temos a ascensão de uma quinta geração desde a revolução de 1949. E a sexta geração, os filhos privilegiados de um poder com mais fartura material? Há o caso emblemático envolvendo Ling Jihua, que, como Bo Xilai, era uma estrela em ascensão. Ele se meteu em escândalo em março quando tentou acobertar um acidente, no qual seu filho morreu, dirigindo uma Ferrari em alta velocidade nas ruas de Pequim.

Existe a corrupção mais chulé, do hongbao, o envelope vermelho no qual os chineses enfiam dinheiro para azeitar as coisas, mas hoje muito mais grave é a cultura das negociatas e do clientelismo. Há um obsceno conflito de interesses através do qual as autoridades e suas famílias conseguem estas fortunas ao estilo de Wen Jiabao, com guanxi, as conexões.

Com as reformas econômicas patrocinadas há pouco mais de 30 anos por Deng Xiaoping, que preservou o sufoco político, a China criou o modelo do leninismo de mercado. Agora, com a fortuna corrupta das famílias dirigentes e a classe dos noveaux riches, existe o comunismo Louis Vuitton. Não é à toa que há setores esquerdistas acometidos de nostalgia da barbárie ideológica e da igualdade social nivelada na base da fome dos tempos do maoísmo

No discurso de abertura do congresso do “partidão”, na semana passada, o presidente Hu Jintao advertiu que a corrupção pode levar ao colapso do partido e à queda do estado. A ilusão do regime é que basta ensaiar algumas reformas econômicas para combater a desaceleração, acalmar uma classe média mais exigente e  calar a boca do povão. No entanto, corrupção só pode ser enfrentada com reformas políticas e transparência. Aí, é pedir demais dos homens de terno preto.

Nada muito promissor e ainda por cima o regime precisa manter os rituais. O discurso no qual Hu Jintao alertou sobre corrupção, tinha o nome que soa mais como paródia: “Firmemente marchando no caminho do socialismo com características chinesas e se esforçando para completar a construção de uma sociedade moderadamente próspera em todos os sentidos”.

Escutar um treco como este é tortura chinesa.

Fonte:http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/

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