Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIV

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIV

Fonte:|portugaltextil.com|

O maior consumidor mundial de algodão está a enfrentar um aumento generalizado nos preços da fibra. A escassez da oferta tem prejudicado os fabricantes de vestuário chineses, que se debatem já com o aumento dos salários e a desvalorização do euro, o que poderá implicar uma subida no preço do vestuário.

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Algodão em alta na China

Os preços do algodão na China estão a aproximar-se do seu pico histórico, espremendo as margens dos fabricantes de vestuário à medida que se aproxima a importante estação de compras de Verão. Zhang Chengze, investigador no Concelho Nacional Chinês para o Têxtil e Vestuário, refere que os preços do algodão atingiram 18.000 yuan renmimbi (2,634 dólares) por tonelada, subindo dos 3.000 – 4.000 yuan renmimbi desde o início do ano. O pico histórico é de cerca de 20.000 yuan renmimbi. «O aumento dos preços é devido principalmente ao desequilíbrio entre a oferta e a procura. Durante a crise financeira global, o mercado encolheu. Agora, o mercado está a crescer, embora a oferta de algodão não tenha aumentado», explica Zhang.

Os fornecimentos de algodão na China, o maior consumidor mundial da fibra, foram atingidos pelas restrições de exportação na Índia no início deste ano, em resposta à crescente procura mundial. Ao mesmo tempo, os fabricantes chineses estão preparados para utilizar 49 milhões de fardos de algodão durante a estação 2010/2011, um aumento de 1,5 milhões relativamente ao ano anterior, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

Segundo Willy Lin, presidente da Associação de Hong Kong de Produtores e Exportadores de Vestuário de Malha, a restrição da oferta está a causar dores de cabeça para os fabricantes de vestuário. Muitas fiações mantiveram os stocks de fios baixos durante a fraca procura no ano passado. Agora, estão-se a esforçar para comprar matéria-prima.

O tecido de algodão não é facilmente substituído por outros. As roupas de Verão, em particular, são predominantemente com algodão. Outros tecidos leves, como os de linho, são menos versáteis e mais caros. «Todos querem mais fibras naturais», revela Lin. «Houve um grande aumento na procura».

Nos tecidos mais quentes, a lã e a caxemira são também cada vez mais misturadas com o algodão. No entanto, Simon Weston, director de marketing na produtora de malhas FountainSet, acredita que o aumento nos preços dos fios vai ter «um efeito tranquilizador sobre alguns produtos», mesmo que a procura tenha melhorado na generalidade. «Os preços dos fios com título mais fino aumentaram entre 30 e 40% desde Janeiro. O fio representa normalmente de 60 a 70% do custo do tecido», explica Weston.

O aumento dos preços do algodão ocorre ao mesmo tempo que os fabricantes chineses de vestuário enfrentam um conjunto de outras dificuldades financeiras, incluindo o aumento dos salários motivado pela diminuição da migração dos trabalhadores para o Sul e o enfraquecimento do euro, reduzindo o poder de compra dos clientes europeus. Mas Lin considera que os fabricantes de vestuário não têm escolha senão aumentar os preços para compensar os custos de fabricação.

Yang Bin, vice-presidente de marketing da Seazon, um produtor de denim em Zengcheng, na província de Guangdong, concorda. A empresa aumentou algum inventário no ano passado, quando os preços do algodão ainda estavam em torno dos 14.000 yuan renmimbi. Mas quando este se esgotar, a empresa pode ter que aumentar o preço dos seus produtos. «Como somos uma grande empresa, esperamos conseguir aumentar o preço o mais tarde possível», afirma Bin.

Enquanto isso, os preços do algodão podem continuar a aumentar. Pequim atenuou as suas quotas de importação de algodão no início deste ano, numa tentativa de aliviar a situação. Mas um forte nevão no mês passado em Xinjiang, a região mais importante da China na produção de algodão, danificou seriamente a safra deste ano e pode reduzir a produção doméstica. «O pico da temporada de compra é dentro de dois meses. Se a colheita não tiver melhorado, poderemos ter uma nova subida de 20%», conclui Lin.

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Comentário de min em 4 julho 2010 às 11:12
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Comentário de Textile Industry em 4 julho 2010 às 9:55
Competição internacional e falta de algodão preocupam indústria têxtil
Por: Karla Santana Mamona
SÃO PAULO – Os empresários da indústria têxtil estão preocupados com a competição do mercado internacional e com a escassez de fornecimento de algodão. O assunto foi debatido, na última quinta-feira (24), durante a reunião da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções).

O diretor-superintendente da Abit, Fernando Pimentel, afirmou que a balança comercial brasileira no setor saiu de um superavit em 2004 para um deficit de US$ 3,5 bilhões em 2010.

“A entrada de importados vem sendo bem absorvida, porque o mercado interno está crescendo, mas o cenário vai ficar mais complicado, se o aumento da renda desacelerar nos próximos anos” , disse Pimentel.

Competição chinesa
Segundo a Agência CNI (Confederação Nacional da Indústria), a expansão de produtos importados no País ocorre em um momento em que há pressões para que a China, maior produtora mundial de confecções, seja reconhecida como uma economia de mercado.

Sobre o assunto, o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB/PR) e presidente da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná) disse que a competição com os produtores asiáticos, especialmente com a China, será discutida pelo Congresso nos próximos anos.

“O setor precisa estar bem organizado, para ser ouvido quando for discutido o reconhecimento da China como economia de mercado, por exemplo”, afirmou o deputado.

Falta de algodão
Em relação à escassez de algodão, os empresários disseram que podem faltar de 100 mil a 200 mil toneladas de fibras entre janeiro e junho de 2011, devido à baixa produção global no último ciclo.

O problema se agrava, já que a safra brasileira, de 600 mil toneladas de algodão, que começa a ser colhida, está sendo negociada com tradings, que visam ao mercado externo.

Para tentar minimizar a situação, no próximo mês, o setor irá estudar soluções para garantir o fornecimento de algodão.

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