Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

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Arrastão: modalidade olímpica incentivada pela esquerda

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Eu não bebo.

No entanto, há anos sou frequentemente parado na blitz da Lei Seca no Rio de Janeiro, especialmente em saída de festa, por um motivo muito simples: os agentes do poder público me prejulgam.

Para eles, decerto minha aparência, meu modo de vestir, minha faixa etária, meu carro, o local e a hora por onde passo – tudo isso traz similaridades com o grupo de pessoas que costumam ser flagradas alcoolizadas ao volante.

Mesmo sem ter cometido crime algum, sou então constrangido a fazer o teste do bafômetro, apresentar documentos e comprovantes de pagamento, e perder um tempo precioso da minha existência e do meu sono, com a sensação de impotência que acomete qualquer cidadão comum diante da intervenção do poder público em sua vida social.

Nunca vi um militante de esquerda reclamar do preconceito com que as autoridades escolhem os motoristas suspeitos de embriaguez durante as numerosas blitzes da cidade.

Nunca vi uma defensora pública de esquerda dar entrada com qualquer pedido capaz de me livrar do constrangimento cotidiano de ser parado sem ter bebido.

Eu já critiquei as blitzes da Lei Seca. Não por ser radicalmente contra toda forma de blitz, é claro, mas por entender que o poder público não pode compensar a impunidade de motoristas criminosos com a  multiplicação eterna – e naturalmente lucrativa – de sua intervenção na vida de todos os motoristas.

Se penas duras forem impostas aos criminosos, menor será a necessidade de incomodar o resto da população com medidas preventivas, ainda que permanentemente necessárias.

Arrastões e arrastados
Os cidadãos de bem da Zona Norte que vão de ônibus às praias da Zona Sul nos fins de semana são – em certo sentido; e em situação obviamente menos confortável – como os motoristas sóbrios parados na blitz da Lei Seca.

Assim como estes nada têm a ver com a direção criminosa dos bêbados, eles nada têm a ver com a ação dos delinquentes que participam de arrastões, como os de Ipanema, Humaitá e Botafogo ocorridos no último fim de semana.

Eventualmente, no entanto, podem ser incomodados pelo cerco da PM aos ônibus em acessos da Zona Sul por dois motivos: ou estão nos mesmos veículos que os delinquentes ou os soldados os consideram suspeitos devido àquelas semelhanças etárias, estéticas e geográficas com eles – que os militantes de esquerda transformam em preconceito racial e social para posarem de defensores das minorias.

Curiosamente, os militantes indignados com a abordagem de suspeitos – somente quando pobres – são contra a redução da maioridade penal que resultaria em penas mais duras aos delinquentes menores de idade responsáveis em grande parte pelos arrastões que aterrorizam ricos e pobres nas praias do Rio.

Enquadra-se neste caso a própria defensora pública – Eufrásia Souza das Virgens – que deu entrada num pedido de habeas corpus preventivo e coletivo para impedir que a PM apreenda jovens que não estejam cometendo ato infracional em flagrante.

A decisão do juízo da Infância com base no HC da Defensoria, contudo, não impede a abordagem policial de suspeitos, sendo que boa parte dos menores abordados nos ônibus estão cometendo, sim, o ato infracional análogo ao artigo 176 do Código Penal, referente a usar transporte público sem pagar – aquele mesmo do qual se orgulha, na prática, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ). Outros (ou os mesmos) cometem ainda o análogo ao art. 28 da lei de drogas (11.343/2006), já que portam ao menos um cigarro de maconha.

Isto autoriza a PM a apreender todos esses menores e a levá-los à delegacia para instauração de procedimento que depois resulta em processo na Infância. Eles não só podem como devem ser conduzidos à DP, de onde só deverão ser liberados com a presença dos pais, após o registro do R.O.

Abusos de autoridade têm de ser coibidos, claro.

Mas ao incentivar a impunidade de um lado e reclamar genericamente das medidas preventivas do outro, ignorando com frequência o Código Penal e as próprias responsabilidades na situação de insegurança generalizada, a esquerda abusa mais uma vez da inteligência da população, para vender a tese legitimadora da criminalidade de que “os arrastões constituem um teatro da exclusão social”, “denunciando, mesmo que de modo muito cifrado, a invisibilidade e a falta de voz de seus protagonistas”, como escreveu um esquerdista no Globo.

Beltrame x Paes
Enquanto o secretário de (In)Segurança Pública metido a sociólogo, José Mariano Beltrame, prefere prestar contas a essa esquerda do que à população fluminense ao falar de “adolescentes em situação de risco” ou “de vulnerabilidade”, o prefeito Eduardo Paes, sempre correto neste ponto, felizmente o alfinetou de novo, colocando as coisas em seus devidos lugares:

“Nós não vamos tratar delinquentes marginais como problema social. Isso é problema de segurança pública.” Melhor ainda: “Quando o delinquente percebe que a autoridade justifica os atos que está cometendo, ele vai cometer mais.”

Essa é a história do Brasil nas últimas décadas. Um país dirigido cultural, moral e politicamente por uma esquerda embriagada de ideias torpes, por cujos efeitos incômodos, de uma forma ou de outra, somos obrigados a pagar.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil

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