Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIV

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Ásia e crise financiera
( por Marcio Cantanhede )
Para início de conversa, existe um consenso de todos os ministros economicos da Ásia reunidos esta semana, aproveitando a presença do presidente Obama: “ A crise econômica ainda nao terminou” ! Estao nomeando este período de “respiro” econômico, porem a situaçao ainda se encontra frágil. A soluçao está na soluçao da raíz do problema (sistema financeiro internacional), por isso quase todos os países da Ásia continuarao com os chamados estímulos econômicos através de investimentos estatais. A necessidade de se reformular o sistema financeiro internacional é claríssima e a Ásia, com seu poderio econômico, poderá forçar esta reforma o mais rápido possível.
Outro fator chave para essa esperada vitoria economica mundial, será a cada vez mais necessaria abertura de livre comercio entre os países. A Ásia está cada vez mais preocupada com esse tema e a cada dia desenvolve as questoes das legislaçoes e diferenças entre países de maneira muito rápida. O maior exemplo é a “Área de Livre Comercio da Ásia-Pacífico”.As economias que integram a APEC ( Asia – Pacific Economic Cooperation) representam nada menos do que 40% da economia mundial, mais da metade do PIB e cerca da metade do comercio. O agravante principal de acordos e velocidade de criaçao está nas diferentes visoes entre países pobres do pacífico como Nova Guiné, Perú, Filipinas , os países emergentes como Indonésia, Tailandia, Malasia e os países ricos como USA e Japao.
Outra coisa que está muito clara é que a recuperaçao a nível global, nao será simétrica, ou seja, será em ritmos diferentes. Isso é facil de perceber, por exemplo, pela situaçao atual da Espanha comparada com a maioria dos países da Uniao Européia.
A coisa boa em toda essa confusao , foi o necessario redirecionamento dos investimentos em energias mais eficientes e renováveis. Isso se deve nao só pela indiscutível questao do cambio climático, como tambem , pensando a medio / longo prazo, em custo x beneficio dessas energias. Se pensarmos por exemplo nos automoveis eletricos, podemos dizer que seguindo o exemplo dos corantes sulfurosos, nunca se desenvolveu tanto em tao pouco tempo. Nao há dúvidas de que em breve teremos soluçoes viáveis para a principal questao desses automóveis que é a distribuiçao e recarga das baterias pelas ruas e estradas e pelo aumento da autonomia dessas baterias. A nível de Espanha, já existem cidades médias que já estao investindo em postos de recargas e trocas de baterias para este fim como testes piloto.
Falando do setor textil , tudo indica que só a China será responsável por 40% de toda a exportaçao mundial em 2011. Nao em termos de numeros e quantidades absolutas em funçao da crise, mas em termos percentuais, aumentou em 10% comparados com 2005 . Se juntarmos a Ásia e Oceania, 92 % de todos os novos equipamentos texteis adquiridos no mundo foram adquiridos por essas duas regioes. É algo de impressionar levando em considerçao todo esse contexto. Existem hoje mais ou menos 2,5-3,0 milhoes de teares no mundo. 78% deles estao na Ásia.

Os consumidores que já se habituaram a comprar produtos têxteis com etiquetas da China, estão cada vez mais perto de vestir roupas feitas no Vietnã, Camboja, Indonésia ou Bangladesh. As indústrias têxteis estão mergulhando mais fundo na relação com países asiáticos. Ancoradas na continuidade da relação cambial favorável às importações em muitos paises, elas prevêem incremento de compras de produtos acabados, semi-acabados e de matérias-primas desses países, além de iniciar a prospecção de novos fornecedores na Ásia, além da China. As buscas começam a envolver Paquistão e Índia, e chegam ao Vietnã, Camboja, Indonésia e Bangladesh, para compras que em boa parte só se efetivarão entre 2010 e 2011.

De uma maneira geral a conclusao é que a Ásia tem 3 opçoes economicas: manter o status quo, ficar na defensiva ou ir diretamente para a ofensiva, aproveitando o seu enorme poder econômico, assumindo um papel de liderança na tao necessaria reforma financeira internacional. Até agora ela se manteve na defensiva. O grande desafío agora para a regiao consiste em como reduzir a dependencia dos mercados extrangeiros, manter a estabilidade financiera e o do tipo de cambio, e reduzir sua exposiçao ao dólar como moeda de reserva.

19/11/2009

Marcio Cantanhede

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