Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XVI

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Bienal da Agricultura: edição vai reunir os 500 maiores de MT

Fonte:|sonoticias.com.br|
Autor: Assessoria

Referência no agronegócio mundial, Mato Grosso reúne produtores que se destacam pela excelência na gestão. Apesar do senso comum, nem sempre são agricultores com enormes áreas de produção ou restritos à monocultura: o que os diferencia é a adoção de práticas eficientes de administração agrícola.

Essas experiências de gestão serão destaque na terceira edição da Bienal dos Negócios da Agricultura, realizada pela Famato de 19 a 21 de agosto em Cuiabá, cujo tema é “Renda Agrícola”. “O foco é assegurar a renda na produção agrícola, e conhecendo mais de perto as experiências desses agricultores, poderemos avançar”, observa o coordenador do evento, Ricardo Arioli Silva.

“O segmento aprendeu a dar valor à escala de produção e não à gestão. Estabilidade e sucesso não são precedidos pela escala, mas pela gestão, pela organização do negócio”, ensina o produtor José Eduardo Macedo, de Lucas do Rio Verde (a 360 km de Cuiabá). Ele explica que pequenas ações de gestão, como a diversificação da fonte de renda, geram bons resultados. O produtor já exportou grãos, se cerca de funcionários competentes, mas não abre mão de centralizar a administração.

Agrônomo de formação, José Eduardo chegou ao Estado em 1981, sem “herança rural”: a primeira porção de terra adquirida tinha 50 hectares. Hoje, possui área cultivável de 1,2 mil ha – extensão considerada grande na média nacional, mas que na imensidão mato-grossense o torna médio produtor. Lá, ele planta soja, arroz e milho e foi pioneiro na introdução do plantio direto. Adota rotação literal de cultura e alterna a safra de verão entre soja, milho e arroz.

Tem uma granja de engorda de suínos, onde reaproveita os dejetos para a produção de fertilizantes, lançados por meio de pivô central. Com o sistema de irrigação, ainda cultiva arroz e feijão, e está avaliando a possibilidade de inserir trigo. “Sempre me preocupei com o manejo ambiental. Quando cheguei aqui, a lei permitia desmatar até 80% da área, mas abri cerca de 50% e, por isso, tenho uma área de cultura permanente onde cultivamos seringueira”. Agora, José Eduardo está implantando um sistema de integração lavoura-pecuária para recria de bovinos e se prepara para aproveitar a produção de gás metano como fonte de energia.

Em 2002, o produtor Adilson Jacinto da Silva deixou o Rio Grande do Sul “com uns trocados na algibeira” e hoje é líder de um grupo em União do Sul, município próximo de Sinop (500 km ao norte de Cuiabá). Junto a outras três famílias, cultiva 4 mil ha de soja e milho safrinha. Tem papel atuante no sindicato rural sinopense e ajudou a fundar uma cooperativa, a Coopercalta.

“Da porteira para dentro, dominamos as etapas de produção, temos informações técnicas e produtos de boa qualidade. A dificuldade está na porteira para fora. É preciso entender o mercado futuro, os pacotes de negócios. O pulo do gato está na hora de comercializar a produção. Uma boa safra significa plantar bem, colher bem e vender bem. Quem não vende bem já fica, logo de cara, com perdas de 20% a 30%. Esse é o caminho para o algo a mais”, afirma.

Na safra 08/09, os 4 mil hectares renderam 24 mil toneladas. Para a nova temporada, Adilson acredita na manutenção dos números. “Quem conseguiu gerir a crise de renda de 2004 tem condições de comprar os insumos básicos à vista, ou consegue fazer um mix de recursos menos danoso”. Assim como José Eduardo, Adilson também consegue obter os insumos básicos com pagamento à vista.

Ao contrário do que muitos imaginam, o produtor mato-grossense está amadurecido. Dados de um levantamento da Vetor Pesquisas feito para a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MT) em 2007 indicam que 47,9% dos produtores têm até mil hectares produtivos. Predominam os agricultores experientes: 76,6% plantam há mais de dez anos e 57,1%, há mais de 20 anos. E 42,9% dividem a atividade entre agricultura e pecuária, sendo que destes 84% integram soja e milho – o que fragiliza o mito da monocultura.

Considerado desde 2002 o maior produtor individual de soja no mundo, Eraí Maggi Scheffer é proprietário do Grupo Bom Futuro, com sede em Rondonópolis. Produz grãos e fibras em 20 cidades mato-grossenses e gera cerca de 4 mil empregos. Para a safra 09/10, o produtor prevê a cobertura de algo próximo de 350 mil ha, dos quais 220 mil reservados à soja, 80 mil ao milho e 50 mil ao algodão. Porém, diante da atual conjuntura da fibra, poderá rever para menos a área a ser cultivada no final do ano. Em 2008, produziu 1 milhão de sacas de sementes de soja e criou no sistema de semiconfinamento 40 mil bovinos. Em breve, deve investir também na piscicultura.

Eraí está há mais de 30 anos em Mato Grosso, também vindo do Sul do país, e explica seu sucesso como resultado de dedicação, seriedade, investimentos, conhecimento técnico e aplicação em pesquisas. “Mas tem que ter sorte também”, comenta. Pelo tamanho dos negócios, Eraí delega várias funções na administração e organização das propriedades, “mas existem metas a serem cumpridas e eu cobro fortemente”.
Este é Mato Grosso. Uma mistura eficiente de produtores de diversos portes, mas com um objetivos comuns: melhorar sempre a eficiência e a sustentabilidade econômica e ambiental de seus empreendimentos agrícolas.

“Não basta ser bom somente na produção ou somente na compra dos insumos e na venda da produção. Aqui, tem que ser bom em tudo, para sobreviver”, comenta Ricardo Arioli, coordenador da Bienal.

A programação da Bienal dos Negócios da Agricultura vai incluir também assuntos estratégicos como mercado de commodities, sucessão e gestão familiar, insumos e custos de produção, sustentabilidade, financiamento e comercialização e políticas públicas. O evento é realizado pela Famato em parceria com Aprosoja, Senar e Ampa.

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