Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XV

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Bolsa brasileira tem 4ª maior alta do mundo após queda de Dilma em pesquisa

Bolsa brasileira tem 4ª maior alta do mundo após queda de Dilma em pesquisa


 


Sílvio Guedes Crespo

02/04/2014 13:42

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O Índice Bovespa, que reúne as principais ações da Bolsa de Valores de São Paulo, avançou 4,8% desde o fechamento do dia 26, véspera da divulgação de uma pesquisa que mostrou queda na aprovação à presidente Dilma Rousseff, até o final do pregão de ontem (1º).

No mesmo período, apenas três países, de 85 pesquisados pelo blog Achados Econômicos, tiveram uma alta mais acentuada: Ucrânia (6,5%), Qatar (5,1%) e Argentina (5%).

Os preços das ações são influenciados por inúmeros fatores, sendo muitas vezes difícil precisar o motivo da variação da Bolsa em determinados períodos, especialmente em prazos curtos.

No momento atual, no entanto, há indícios claros de que o fator político tenha sido significativo na alta recente das ações. A comparação internacional é um dos itens que reforçam essa tese.

A variação do Ibovespa desde a divulgação da pesquisa superou fortemente a das Bolsas de países ricos. O índice Dow Jones, dos Estados Unidos, subiu apenas 1,6% no período. O mercado acionário também teve alta modesta no Japão (2,2%), na Alemanha (1,6%), no Reino Unido (0,7%) e na França (0,9%).

Com exceção da Argentina, os países emergentes também não tiveram uma alta comparável à brasileira. A variação foi mais fraca na China (-0,8%), na Índia (1,6%), no Chile (2,6%) e no México (1,8%). Vale lembrar que a Bolsa brasileira, no ano passado, foi uma das que mais caíram no mundo.

Ainda, dessa alta de 4,8% no Ibovespa, a maior parte ocorreu no dia da divulgação da pesquisa, quando o índice avançou 3,5%.

Outro sinal da influência do fator político na variação da Bolsa está no fato de as empresas estatais terem registrado altas significativas naquele dia, com destaque para Petrobras (PETR4, com alta de 8,13%), Eletrobrás (ELET3, 9,84%) e Banco do Brasil (BBAS3, 6,63%).

O governo tem tomado decisões que afetam negativamente o preço de ações de estatais. A Petrobras é o caso mais evidente porque é a empresa com maior peso no Ibovespa.

A companhia tem importado gasolina por um preço alto e vende nas refinarias por um valor mais baixo, para tentar controlar a inflação.

A maior parte dos analistas argumenta que, em vez de fazer isso, a estatal deveria trabalhar com preços de mercado, mesmo que isso encarecesse a gasolina. Dessa forma, a companhia poderia gerar mais caixa e, consequentemente, mais dividendos para seus acionistas (inclusive para o governo). A inflação, na opinião de muitos analistas, deve ser combatida por meio de outros instrumentos, como a taxa básica de juros e a contenção de gastos públicos.

Além disso, diversos analistas têm criticado a política econômica de modo geral. Eles esperam que o governo seja mais rígido na política fiscal, ou seja, querem que o setor público economize mais dinheiro para pagar juros – preferencialmente, por meio de corte de gastos, não aumento de impostos. Também defendem que a inflação seja levada ao centro da meta e que o governo deixe as estatais operarem de acordo com critérios de mercado.

Todas essas medidas que muitos economistas têm defendido trarão um impacto social negativo no curto prazo. Aumento do preço da gasolina gera inflação. Contra isso, os juros deveriam subir mais, inibindo investimentos. Cortes de gastos públicos podem desaquecer a economia.

O argumento dos que defendem essas medidas é o de que tais ajustes criariam um ambiente um pouco mais previsível para os investidores, que ficariam mais confiantes e voltariam a colocar dinheiro no país futuramente. Já o governo parece querer adiar esses ajustes para evitar os custos sociais em um ano eleitoral.

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