Contaminação de bebidas alcoólicas ameaça saúde pública e resultados do setor

Crise atual desencadeada por casos de adulteração por metanol em período de sazonalidade forte mobiliza indústria, que sofre com falsificação há décadas.

Drinks

Recomendações das autoridades de saúde e o próprio receio da população fream consumo (Crédito: Shutterstock)

As marcas de bebidas alcoólicas enfrentam nova crise no Brasil após o registro de mortes e outros casos associados à intoxicação por metanol, em decorrência da ingestão de destilados adulterados.

O metanol é um álcool tóxico, distinto do etanol utilizado em bebidas alcoólicas, pois quando ingerido, é metabolizado no organismo em substâncias como formaldeído e ácido fórmico, que podem causar cegueira, danos graves e até a morte, mesmo em doses relativamente pequenas.

Desde agosto de 2025, foram registrados no Brasil dezenas de casos suspeitos de intoxicação por metanol pela ingestão de bebidas alcoólicas adulteradas. O estado de São Paulo concentra a maioria dos casos: em balanço recente, foram cerca de 39 ocorrências, com dez confirmadas e 29 em investigação. E casos em Pernambuco também estão sendo investigados, o que acendeu o alerta nacionalmente. Na manhã desta sexta-feira, 3, por exemplo, órgãos de fiscalização no Rio de Janeiro, percorreram estabelecimentos comerciais.

Reações à crise

O Ministério da Justiça e Segurança Pública emitiu recomendação urgente a estabelecimentos que comercializam bebidas alcoólicas no estado de São Paulo e em regiões próximas, reforçando “a compra segura, a conferência de produtos e o fortalecimento da rastreabilidade dos produtos.” O aviso vale para restaurantes, casas noturnas, mercados, atacarejos e plataformas de e-commerce, por exemplo.

Dados de estudo da Euromonitor Internacional encomendado pela Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD) indicam que o mercado ilegal de bebidas alcoólicas gerou um prejuízo fiscal de R$ 28 bilhões ao País no último ano.

Ainda que o risco da adulteração esteja associado aos destilados, especialistas vêm recomendando a suspensão do consumo de bebidas alcoólicas de maneira geral, o que pode frear a categoria como um todo.

Enquanto algumas empresas e entidades ainda não se manifestaram sobre o caso, outras já se posicionaram, como a Pernod Ricard, uma das maiores fabricantes globais de bebidas e dona de marcas como Absolut Vodka, Beefeater e Chivas Regal, que emitiu o seguinte comunicado:

“A Pernod Ricard expressa sua profunda solidariedade às vítimas e familiares dos recentes casos de falsificação de bebidas reportados. A segurança e a saúde dos consumidores são prioridades absolutas para a empresa, que opera no Brasil e em todo o mundo seguindo os mais rigorosos padrões internacionais de qualidade e segurança alimentar.

Estamos ativamente engajados no combate ao mercado ilegal de bebidas, trabalhando em estreita colaboração com as associações do setor e as autoridades competentes. Reafirmamos nosso compromisso inabalável com um mercado seguro e responsável.

Permanecemos à inteira disposição das autoridades públicas para colaborar com o que for necessário nas investigações e em quaisquer iniciativas que visem coibir práticas criminosas. Seguiremos atentos e apoiando todas as instituições e entidades envolvidas na proteção dos consumidores e na garantia da integridade do mercado de bebidas.”

Já o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) afirmou:
“O Idec lamenta profundamente os casos de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas destiladas e se solidariza com as vítimas e suas famílias. Reforçamos que a legislação brasileira protege consumidores em situações como esta e impõe responsabilidades claras tanto ao Estado quanto ao mercado.” E acrescenta: “A responsabilidade recai sobre toda a cadeia: órgãos fiscalizadores, fabricantes, distribuidores, supermercados, bares e restaurantes.”

Ao elencar responsabilidades de cada elo da cadeia, o Idec afirma, no caso da indústria, que “os fabricantes de produtos que identificarem a periculosidade têm o dever de comunicar às autoridades competentes e aos consumidores quais medidas estão sendo adotadas para mitigá-los.”

Recorrência

O problema não é inédito. Em 1992, houve um surto em São Paulo (na região da cidade de Diadema e no Grande ABC) com bebidas adulteradas com metanol, resultando em quatro mortes e aproximadamente 160 pessoas intoxicadas.

Outros episódios similares ocorreram na Bahia e em Minas Gerais, ainda que nem sempre exatamente com metanol — contaminações por substâncias tóxicas similares em bebidas artesanais ou falsificadas, o que faz a indústria se queixar de dois fatores: a alta tributação à categoria, que estimularia a falsificação, e a falta de fiscalização e coibição às práticas de falsificação e adulteração de produtos em si.

A crise atual ocorre em momento estratégico para o setor, uma vez que as vendas tenderiam a subir, pela aproximação das festividades de final de ano.

ROSEANI ROCHAe Giovana Oréficei

https://www.meioemensagem.com.br/marketing/contaminacao-de-bebidas-...

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