Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIV

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIV

Costureiras - Apagão de Mão de Obra: O que fazer com esse problema?

Setor de confecção sofre com a falta de costureiras e de qualificação profissional

Depois dos apagões de energia elétrica, o Brasil tem outro “apagão” com o qual se preocupar: o de mão de obra. Assim como outros setores foram afetados, o de confecção também está sofrendo desse mal. E as razões são diversas.

De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), o pessoal ocupado assalariado no setor de vestuário caiu 8,79% no período de janeiro a outubro de 2012, comparado ao mesmo período de 2011. E a produção nacional na confecção sofreu queda de 10,63% entre janeiro e outubro de 2012 em relação ao mesmo período do ano anterior. Culpa dos impostos, importados e falta de qualificação, quase como uma cadeia “alimentar”, por assim dizer: enquanto os custos de produção se mantêm altos, como os impostos, as confecções buscam alternativas para sua sobrevivência, como a importação; importando vestuário, não há contratação de costureiras; não havendo contratação, quem vai se interessar em entrar para esse mercado?
“A alta carga tributária e os mercados competitivos são alguns dos fatores responsáveis pela evacuação da mão de obra de costureiras na indústria de confecção, consequentemente desmotivando os jovens a seguir a profissão”, analisam Valéria Delgado, coordenadora de moda do Sistema Firjan, e Noeli Cipriano, supervisora educacional de moda do Sistema Firjan. Hoje, no Rio de Janeiro, há 4.273 confecções e cerca de 63 mil empregados no setor, sendo a capital fluminense a maior empregadora, com 24.465 trabalhadores, segundo a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Mesmo assim, as queixas sobre a falta de funcionários qualificados só aumentam.
Ulrich Kuhn, empresário do setor e presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau (Sintex), faz uma análise sobre a relação entre mão de obra e desenvolvimento econômico: a evolução socioeconômica de uma região faz com que a atividade de mão de obra intensiva, como a da confecção, perca seu espaço para atividades consideradas mais nobres. “Independentemente de cada região, isso acontece inexoravelmente”, afirmou. Para ele, o crescimento econômico e social faz com que o trabalhador, especialmente o jovem, não queira se tornar operário. E o que tem acontecido é a migração das empresas dos centros industriais para o interior, a fim de reduzir seus custos e também para absorver uma mão de obra mais barata, empregando funcionários que não têm acesso tão fácil a informações de ponta e, ao mesmo tempo, não intencionam sair de sua região. Em algumas dessas confecções do interior catarinense, o que tem acontecido é o estabelecimento de apenas um turno de trabalho para aliviar a falta de profissionais de costura.
O mesmo acontece em São Paulo, líder no ranking produtivo nacional do setor confeccionista. Alfredo Bonduki, presidente do Sinditêxtil-SP, concorda com a opinião de Ulrich Kuhn e reforça seu brado a favor do controle das importações, pedindo medidas urgentes. Segundo Bonduki, a falta de profissionais no setor deve-se também à automação em outras áreas, que atribuem funções com maior reconhecimento e remuneração, fazendo com que os jovens se sintam mais atraídos para esses outros empregos.
PROCURA-SE
A falta de profissionais qualificados afeta confecções de norte a sul do país, em empresas de todos os tamanhos e segmentos. A Brandili, marca de moda infantil e teen localizada em Santa Catarina, com parques fabris nas cidades de Apiúna e Otacílio Costa e sede administrativa em Blumenau, conta com 1.500 colaboradores diretos, sendo cerca de 500 voltados à confecção. São 15 milhões de peças produzidas ao ano, que abastecem o mercado interno e externo, exportando para 35 países de todos os continentes, especialmente para os da América Latina. Mesmo com alguns funcionários iniciando com a qualificação necessária para sua ocupação, a empresa ainda investe nos profissionais de forma técnica e humana, com treinamentos e desenvolvimento por meio da liderança e, mesmo assim, tem dificuldade de encontrar profissionais, principalmente na área técnica. “Na Brandili, temos essa escassez em todos os setores operacionais, pois a maioria dos colaboradores está nesse quadro. A confecção está entre as áreas onde a falta de mão de obra é fator de atenção”, revela Cláudia Orçati Caniceiro, gerente de Desenvolvimento Humano e Organizacional da Brandili. Ela destaca ainda que a maior dificuldade hoje está em recrutar profissionais interessados em desenvolver determinadas funções, pois, em muitos casos, a profissão dos pais não é mais fator determinante para a carreira dos jovens.

A grife de moda feminina Dominica, sediada na Grande São Paulo e com produção anual de 250 mil peças só para o mercado interno, conta com 180 profissionais, 70% deles dedicados à costura. Pedro Eduardo Fortes, diretor-executivo do Grupo Jupiter, detentor das marcas Dominica, Kill Confecções e Recoleta Confecções, diz que a dificuldade de achar jovens dispostos a trabalhar na área de costura existe sim, e que o caminho adotado pela empresa foi contratar profissionais mais maduros, na faixa dos 40 aos 45 anos, como acontece na unidade de Guarulhos, além de dar início a parcerias com o Senai, prefeituras e, em breve, uma unidade de formação de profissionais dentro da unidade. “Esforços conjuntos entre as prefeituras, empresas, sindicatos e orientação educacional do Senai são algumas das alternativas que trarão resultados como o que estamos adotando. Fazer ou promover treinamento na empresa é importante em termos de logística, pois as entidades que podem nos ajudar não têm espaços físicos ou maquinários para realizá-lo”, diz Fortes.
A gerente administrativa da Bleizer Indústria e Comércio de Roupas, Maria Madalena Pimenta D’Ávilla, reforça o coro sobre a falta de interesse dos jovens em trabalhar na área de costura. Ela conta que há vários deles trabalhando na empresa, mas são descompromissados e estão só de passagem, pois preferem ganhar menos em escritórios com computadores e se esquecem de que hoje as confecções possuem muitas máquinas informatizadas, nas quais poderiam atuar e ganhar mais. Voltada ao segmento de roupas sociais masculinas, a empresa, especializada na prestação de serviços como faccionista e com produção anual de 70 mil peças, conta com 99 funcionários, 50% deles na área de costura. “Temos bons profissionais, porém, se precisarmos contratar novos, teremos dificuldade, pois os bons estão empregados e os jovens não querem trabalhar nessa área. Precisamos de uma maior divulgação e conscientização, ou até mesmo de maior valorização para que os jovens se interessem mais por esse mercado. Talvez um trabalho de divulgação na internet ou redes sociais, como o Facebook”, sugere Madalena.
Ela diz que, no seu caso, sente falta de profissionais especialmente na área de passadoria, por isso fez um trabalho de conscientização dentro da própria fábrica, em São Paulo (SP), indicando e até custeando alguns cursos no Senai para os que se mostram interessados. “Nossa maior dificuldade são os profissionais antigos, pois temos que produzir com qualidade e agilidade, afinal os chineses estão nos engolindo”, enfatiza.
A MDG Express, oficina especializada em caseados e colocação de botões, localizada no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, também vem passando por essa situação. Marcio Dias, sócio-diretor da empresa, conta que está nesse ramo há 25 anos e sua maior dificuldade é achar profissionais qualificados e comprometidos com o trabalho. “Tento ao máximo fazê-los entender que temos de ter qualidade, pois a concorrência está muito grande e podemos ficar de fora do mercado. Na maioria das vezes, tenho que buscar um funcionário sem qualificação mas que vejo ter potencial, e vamos qualificando-os na medida do possível”, diz Marcio. A MDG conta hoje com 35 trabalhadores e presta serviços de casear e pregar botões, travetes, rebites, ilhoses e outros acabamentos necessários antes de a peça ir para a passadoria. Antes atendendo a grandes magazines, que depois foram inundados com produtos importados e reduziram a produção local, sua clientela hoje é formada por 95% de lojistas.
No Rio de Janeiro, para contornar essa situação, os empresários vêm terceirizando seus serviços, com o apoio de microempreendedores ou cooperativas, além de desenvolverem equipamentos para aperfeiçoar o processo de redução de custos e desperdícios.
QUESTÃO SALARIAL
Quando se fala em salário de costureiras, a polêmica se instala. Enquanto alguns defendem que a remuneração é justa, de acordo com o que pode ser ofertado no mercado, outros reclamam dos baixos salários. Em São Paulo, o piso salarial de uma costureira qualificada é de R$ 933; no Rio de Janeiro, capital, chega a R$ 886,28, mas algumas confecções pagam um pouco mais e, para quem resolve trabalhar por conta própria, a média fica em torno de R$ 2 mil, segundo informações da Firjan.
“Costumo dizer que salário é assim: pouco para quem recebe e muito para quem paga, devido à quantidade de impostos que o acompanha”, resume bem Marcio Dias, da MDG. E, com a falta de qualificação, a situação torna-se mais difícil. Madalena, da Bleizer, nos dá um exemplo do que acontece em sua confecção. Algumas costureiras precisam ter várias qualificações, pois certos maquinários possuem operações especiais e mais complexas, e outras costureiras só operam a máquina reta. Mas a fiscalização do Ministério do Trabalho diz que todas devem ganhar o mesmo salário. “Se contrato hoje uma costureira volante com determinado salário, este não pode ser maior do que o das costureiras retistas mais antigas, e isso é um grande problema, principalmente para nossa fábrica. Precisamos criar qualificações dentro da linha de costura aprovadas pelo Ministério do Trabalho, senão a situação ficará ainda mais difícil”, lamenta.
E ainda há a questão do custo da mão de obra para se manter competitivo no mercado. Muitas empresas tiveram que reduzi-lo e ainda arcar com outras grandes despesas, como impostos, aluguel, água, luz, matéria-prima etc. “Em 2012 podemos dizer que sobrevivemos, e estamos apostando que 2013 seja melhor, pois, com a redução dos preços de mão de obra e o aumento dos custos, ficamos sem condições de fazer qualquer investimento em maquinários e até a manutenção do que já temos. Está tudo pela hora da morte”, diz Madalena.
Pedro Fortes também comenta o fator educacional: “Os profissionais operacionais do setor têm, em geral, até o curso fundamental, daí a dificuldade de se instalarem em setores que exigem mais do que a habilidade manual”.
A PALAVRA DAS COSTUREIRAS
Para saber o que acontece do outro lado da máquina, nada melhor do que conversar com quem a opera: as costureiras. Maria das Graças da Silva, costureira e proprietária da Ludanfer, oficina de confecção de uniformes profissionais localizada em Ourinhos, interior de São Paulo, está no mercado há dez anos. Antes fabricante de uniformes, viu a demanda cair e, como os investimentos eram altos e o retorno demorado, resolveu prestar serviço de mão de obra.
Para ela, a profissão de costureira é importante, porém pouco valorizada, especialmente no aspecto financeiro. “Acho que a categoria deveria tentar se unir e se fortalecer, exigindo melhores condições, e explico por quê: de uma peça que é vendida nos shoppings Brasil afora por R$ 300, por exemplo, é pago à costureira cerca de R$ 7 a R$ 8, ou seja, é exigida perfeição digna de butique na confecção da peça, mas pago o preço de mercado popular.”
A pressão em torno do trabalho é outro desafio, pois as empresas precisam de giro e entregas rápidas, e os prazos de produção estão cada vez mais apertados. Maria das Graças explica que algumas peças têm um alto grau de dificuldade na montagem, levando de dois a três dias para serem montadas da melhor forma e, a partir daí, serem costuradas, o que atrasa a produção, e os preços pagos por elas são muito baixos. “Trabalho não falta e creio que não faltará. O problema, realmente, é o preço muito baixo pago pelas peças prontas, e, se a costureira não produz, não recebe. Temos que cumprir longas jornadas para darmos conta dos pedidos e, principalmente, para receber um salário razoável no fim do mês”, aponta ela.
Julia Aroli, de São Paulo, capital, trabalha há mais de 30 anos como costureira e sempre teve vontade de seguir a profissão. Como na época em que tomou essa decisão havia poucos cursos, aprendeu no dia a dia mesmo da fábrica em que trabalhava e onde se aposentou, mas abriu uma oficina de prestação de serviços e diz que não falta trabalho. “Estou sempre me atualizando, pois as máquinas não mudaram tanto, só as eletrônicas. O que facilita muito são os acessórios para as máquinas, que agilizam a costura. Sobre os ganhos, nem sempre os salários são o problema, pois existem empresas que pagam muito bem. Para a profissão de costureira ser mais valorizada, o que precisamos é de maior divulgação sobre ela”, opina Julia.
PRECONCEITO CONTRA A PROFISSÃO?
Um quadro recorrente nas confecções é que ser costureira “é coisa de velho”, os jovens direcionam-se para outras profissões e os que se voltam para esta mostram-se descompromissados. É como se ser costureira fosse diminuir a pessoa, o que está há anos-luz de ser verdade. “Não diria que trabalhar no setor pode ser depreciativo, mas os jovens, hoje em dia, procuram estudar e se colocar em setores com maior visibilidade tecnológica, em call centers, por exemplo, evitando setores de maior esforço produtivo e salários não tão atrativos”, comenta Pedro Fortes.
No entanto, para as costureiras Maria das Graças e Julia, falta valorização da profissão. “Tenho sobrinho engenheiro que ganha menos do que eu, acho que a profissão é muito mal divulgada em relação às demais, há muitos jovens querendo entrar para o mercado de trabalho e esse poderia ser um bom meio”, destaca Julia.
CERITIFICAÇÃO
Sendo uma das mais antigas profissões, as costureiras agora têm um grande incentivo para se orgulhar: a Certificação de Costureiro(a) Industrial. Criado em 2001 pelo Comitê Nacional do Senai/Cetiqt, no Rio de Janeiro, o processo foi desenvolvido para fazer um levantamento do perfil profissional das costureiras e, em seguida, foram tomadas as providências para sua implantação no processo de certificação. Chama-se Sistema Senai de Certificação para Pessoas – Costureiro(a) Industrial, e é o único no Brasil. São exames escritos e práticos baseados nas normas da legislação vigente, e o objetivo é promover a elevação da qualidade e dos níveis de desempenho profissionais na indústria e também promover a inclusão social. É o reconhecimento de que uma pessoa possui a qualificação necessária para o exercício profissional em determinado campo de atividade.
Luiz Claudio de Almeida Leão, consultor industrial do Senai/Cetiqt, diz que, para a costureira, é o reconhecimento público de seus conhecimentos, habilidades e atitudes profissionais por meio de um processo avaliado com base em padrões de qualidade e regido pela norma 17.024 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), objetivando atingir e promover um nível de referência mundialmente aceito por organizações que realizam certificação de pessoas. Para as empresas, o resultado é importantíssimo, pois traz uma maior credibilidade e um diferencial perante seus clientes, num mercado que é voraz.
Ele dá o exemplo de uma das empresas parceiras do projeto, que produz moda íntima e possui em torno de 700 costureiras. Auditada por uma respeitada instituição nacional, só obteve a pontuação máxima quando apresentou a documentação – um certificado e uma carteira com fotografia – das costureiras certificadas. “É também motivo de orgulho ver as costureiras receberem a certificação em cerimônias realizadas pelas empresas, pois se trata de um momento único em que, muitas vezes, contam com a presença de familiares, sendo, dessa forma, um exemplo para todos eles”, afirma Leão. É a valorização como profissional e ser humano, muitas vezes até mais importante que a própria remuneração.
Para o consultor, a indústria de confecção brasileira, que emprega 1,130 milhão de pessoas, a maioria na área de costura, está carente de trabalhos que estejam além das máquinas e demais equipamentos que incrementam a produção. Precisam de educadores, visionários, que saibam que o verdadeiro ganho reside em despertar seus colaboradores para a produtividade do conhecimento, gerando uma cumplicidade em que todos fiquem estimulados a gerar cada vez mais ganhos, pois conhecem o poder das pequenas ideias que moram lá no fundo de cada colaborador, mas nem todo administrados tem o poder de decodificá-las. “Temos um gigantesco potencial adormecido, mas precisamos de líderes de verdade. No entanto, alguns continuam administrando como se fosse qualquer comércio de beira de estrada. O que diferencia um bom líder dos demais não é sua habilidade para fazer as coisas certas, e sim seu poder de persuasão sobre outras pessoas para que sua equipe seja bem-sucedida.”
O QUE DIZEM AS ESCOLAS
Em comum, as três entidades de ensino entrevistadas disseram que houve um aumento na procura por cursos da área de moda, especialmente design, e que têm buscado diversificar e atualizar sua grade para atrair mais interessados e colocar os jovens no mercado. “Buscamos constantemente aproximar as áreas acadêmica e de mercado, fazendo parcerias com empresas e desenvolvendo projetos colaborativos. Estimulamos a atuação direta de nossos docentes no mercado, o que garante uma prática em sala de aula alinhada às reais demandas corporativas”, diz Luisa Helena Silva Meirelles, coordenadora do curso superior de Tecnologia em Produção de Vestuário do Senai/Cetiqt. A escola recebe alunos de faixa etária eclética, a maioria vinda do ensino médio, e outra parte formada por profissionais que atuam há bastante tempo no mercado e querem se atualizar.
Na escola Senai Vestuário Eng. Adriano José Marchini, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo (SP), a faixa etária dos que procuram os cursos de costura varia entre 35 e 50 anos, a maioria mulheres. A entidade oferece quatro cursos direcionados a essa prática, além de dezenas de outros voltados ao setor. Somente em 2012, foram capacitados 1.237 alunos nessa unidade e, ao todo, 25 mil profissionais em 35 unidades instaladas pelo estado de São Paulo.
Na opinião de Marcelo Costa, diretor de Unidade de Formação Profissional do Senai Vestuário em São Paulo, não há esse “apagão” de mão de obra no setor, já que a procura e a formação de alunos têm sido constantes. “A unidade realiza reuniões frequentes com seu Conselho Consultivo e com empresários do setor, visando identificar as necessidades de formação, atualizando, assim, sua carteira de cursos. Quando há a necessidade de um atendimento específico, estamos aptos a oferecê-lo de forma padronizada a cada empresa”, afirma.
A Sigbol, escola profissionalizante presente na capital paulista e em outras unidades espalhadas pelo estado, possui seis cursos voltados estritamente à costura, e o curso de Corte e Costura, que enfoca a roupa sob medida e em tecido plano, continua sendo seu carro-chefe, conta Cibele Freitas, diretora da escola. Ela viu um aumento na procura por cursos da área há alguns anos, ao mesmo tempo em que esse “preconceito” com a profissão se dissolvia, especialmente por parte dos jovens. Contudo, essa impressão vem mudando à medida que muitos criadores de renome no mercado declaram que sentam à máquina para testar determinados tecidos e modelos, além de reconhecerem as costureiras como suas maiores aliadas. “Isso traz para a profissão uma enorme importância, tanto para a costureira sob medida quanto para a de produção. Além da grande procura por esses profissionais, basta ir a qualquer polo confeccionista para conferir o número de vagas disponíveis, mas na maioria das vezes falta qualificação, e é isso o que fazemos aqui, qualificamos”, diz Cibele.
Ela atenta ainda para a divulgação desse trabalho, que precisa ser mais bem conhecido, assim como salienta a costureira Julia Aroli, pois não só no vestuário, mas nos setores automobilísticos, moveleiro, entre diversos outros, há um profissional executando o trabalho de costura. “As palavras-chave são divulgação e incentivo, pois o setor cresceu e o número de profissionais não. É preciso divulgar os salários e como é feito o trabalho de costureira”, diz Cibele.
A Firjan, por meio de seu núcleo de moda dentro da indústria criativa, o Senai Moda Design, vem realizando ações importantes para a qualificação no setor. Uma delas é o Despertar para Moda, com o objetivo de sensibilizar jovens para as profissões da cadeia da moda, que promove oficinas direcionadas a interessados na faixa dos 13 anos. Realizado nos polos de moda do Rio de Janeiro, as oficinas pretendem estimular o contato dos participantes com técnicas bastante usadas nas confecções de roupas e acessórios, como corte e risco, costura, moulage e estamparia tie-dye, finalizando com uma visita a uma confecção.
Outra ação que visa valorizar esses profissionais da moda que ficam atrás das cortinas é promover visitas a cursos, palestras e feiras de negócios como o Rio-à-Porter e colocá-los em contato direto com empresários do setor, para que ouçam deles a importância do profissional qualificado na cadeia produtiva dessa indústria, pois eles são a base para que a moda se renove, como bem salientam as porta-vozes do Sistema Firjan Valéria Delgado e Noeli Cipriano.
Para elas, as principais ações para melhorar essa situação de falta de mão de obra qualificada devem partir do governo, reduzindo a carga tributária e, dessa forma, dando condições aos empresários de melhorar os salários de seus funcionários e investir em ambientes mais modernos e tecnologias competitivas.
“Afirmo veementemente que é perfeitamente possível reverter toda essa situação por meio de uma gestão que gere o conhecimento e o crescimento das pessoas”, afirma Luiz Leão. “Quero dizer que a barreira da administração de empresas chama-se ‘gestão do capital intelectual’. A arrogância intelectual é letal, pois tem gente que, quanto mais estuda, menos aplica o conhecimento em prol do desenvolvimento de seus colaboradores diretos. É preciso deixar de pensar neles como meros objetos ou vislumbrar números sem uma metodologia de trabalho aplicada, incitá-los a aprender. Vamos deixar a política para os políticos e fazer um trabalho técnico motivacional, visionário, disposto a trabalhar o intangível, que vise ao enobrecimento da categoria, que trate os colaboradores como peritos, quando devidamente preparados para enfrentar o trabalho”, conclui.
E, como já dito anteriormente pelo professor José Pastore, da FEA/USP, num seminário realizado em São Paulo em abril de 2012 pela Abimaq em parceria com o Senai, a respeito da crescente demanda por mão de obra qualificada: “Há quatro maneiras de conseguirmos esse tipo de mão de obra: a pirataria, ou seja, ‘roubando’ funcionários de outras empresas, o que para a sociedade não resolve o problema, pois você ‘cobre um santo e descobre o outro’; a contratação de aposentados e a importação de funcionários estrangeiros, ambas soluções restritas; e a mais realista de todas, que é o investimento em treinamentos de médio e longo prazo por meio da articulação de empresas com entidades de formação profissional. Não há receita de bolo, é um caminho caro, mas é o mais eficiente”.
Foto 1 - Brandili: qualificando seus funcionários nas áreas técnica e humana.
Foto: Marisa Petters/Divulgação
Foto 2 - Dominica: optando por contratar profissionais mais maduros.
Foto: Manu Oristanio/Divulgação

www.costuraperfeita.com.br

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Comentário de petrúcio josé rodrigues em 13 fevereiro 2013 às 10:18

BASTA UNICAMENTE O GOVERNO SE ATER  AO ASSUNTO.

ISTO É UM ASSUNTO, QUE  ESTÁ LIGADO À PROGRAMAS  DE  TREINAMENTOS DE MÃO DE OBRA, ONDE:(SENAI, SESI, SEBRAE, SINDICATOS  E OUTROS) ENTRARÃO, ATUANDO, COM BASE  EM UM PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO, QUE NO BRASIL NÃO FUNCIONA.

O GOVERNO TEM SUPORTE FINANCEIRO PARA  TAL.

NO TREINAMENTO ES PECIFO, INCLUIR O DESENVOLVIMENTOS DAS HABILIDADES MANUAIS, PARA  ASSIM, PRODUZIR  COM PRODUTIVIDADE, REPRESENTA MENOR CUSTO.

Comentário de Romildo de Paula Leite em 12 fevereiro 2013 às 10:22

   Falta treinamento de mão de obra especializada e salários dignos para segurar os funcionários nas empresas.

Comentário de Samuel Formento em 12 fevereiro 2013 às 8:30

Os jovens chinese, vietnamitas e paquistaneses não tem esse problema. O problema do Brasil é o brasileiro. Como disseram na reportagem...preferem ganahr menos e trabalhar em escritórios...parabéns.. e viva as importações. Fomos buscar na China mão d eobra qualificada e consigo colocar no Brasil produtos com maior qualidade por menos da metade do preço mesmo pagando 100% de custos para importar. Ou seja, nosso custo de produção no Brasil é alto demais. E ainda não teremos o passivo trabalhista. E com os incentivos fiscais vale muito mais a pena importar do que produzir no Brasil. O problema? a demora na entrega para mim é o maior entrave. para isso estamos equilibrando entre produzir aqui e importar.

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