Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

  • // Por: Luís Artur Nogueira

 

Marcas que sumiram da Vila Nova Conceição: Mya Haas, Chevrolet Nova, Nieveria, Shoestock, Amor aos Pedaços, Vó, Quero Bolo!, Subway,Devassal Starbucks
Marcas que sumiram da Vila Nova Conceição: Mya Haas, Chevrolet Nova, Nieveria, Shoestock, Amor aos Pedaços, Vó, Quero Bolo!, Subway,Devassal Starbucks ( foto: FELIPE GABRIEL)

Há vários anos, o bairro da Vila Nova Conceição lidera o ranking dos imóveis mais valorizados da cidade de São Paulo. O metro quadrado de um apartamento usado de três dormitórios custa, em média, R$ 16.000, segundo pesquisa do Secovi-SP. Mas pode chegar a R$ 35.000. Com valores tão altos, é quase impossível comprar uma unidade por menos de um milhão de reais. Os vizinhos Itaim Bibi e Vila Olímpia oferecem opções mais em conta (R$ 11.400 o metro quadrado), mas, ainda assim, o valor supera os praticados em tradicionais redutos da classe A como Higienópolis e Jardins.

A proximidade do Parque do Ibirapuera, a oferta de restaurantes renomados e o grande número de empresas de segurança privada ajudam a explicar a cobiça por esses três bairros, na Zona Sul de São Paulo. Além disso, com a inauguração de dezenas de arranha-céus comerciais na região, nos últimos anos, aumentou ainda mais a procura de executivos e empresários por moradia perto do trabalho. Com tantas pessoas endinheiradas circulando pelas vias e calçadas, abrir uma loja de rua deveria ser um ótimo negócio.

Mas com o aprofundamento da recessão econômica, criou-se um enorme problema: como sustentar um aluguel comercial tão caro se os clientes minguaram? Nos últimos meses, diversas marcas famosas simplesmente fecharam as portas na região, como retratam as fotos acima. Os imóveis estão com faixas de “aluga-se” ou “vende-se” e alguns ainda preservam o letreiro com a logomarca da empresa. Em apenas três quarteirões da Rua Afonso Braz, que reúne diversos pontos comerciais na Vila Nova Conceição, houve uma debandada de unidades da Starbucks, do Subway, da Devassa, da Vó, Quero Bolo! e do Amor aos Pedaços.

“Com o nítido declínio do comércio da região, optamos por fechar temporariamente este endereço, passando a atender nossos clientes na unidade mais próxima, em Moema”, diz Willians Navarro, sócio da rede Vó, Quero Bolo!. “Estamos em busca de um novo local na região e esperamos conseguir um aluguel mais adequado à nossa operação.” A explicação de Navarro resume bem o que está acontecendo não apenas nesta área nobre de São Paulo, mas nas principais metrópoles do País. “Na hora do aperto, o consumidor faz um downsizing no volume ou no tipo de produto”, diz José Carmo Vieira de Oliveira, consultor do Sebrae-SP.

“Troca-se, por exemplo, o café incrementado de R$ 10,00 por um expresso de R$ 5,00.” Coincidência ou não, a rede de cafeterias Starbucks, que tem produtos destinados ao bolso mais felpudo dos executivos, fechou sua loja na Vila Nova Conceição, em setembro do ano passado. Em nota, a companhia americana informa que a unidade foi encerrada “como parte de um alinhamento de negócios”. Questionada sobre se o valor do aluguel tinha inviabilizado a operação, a Starbucks ressalta que, “a exemplo de todas as empresas brasileiras na economia atual, a companhia está atenta às condições do mercado e continua a avaliar opções de imóveis que atendam tanto às metas de negócios quanto à demanda do cliente”.

De fato, o valor do aluguel na região está pesando no bolso dos empresários. Os especialistas dizem que o aluguel deve representar, no máximo, 30% dos custos totais do empreendimento. Como os contratos de locação comercial têm, em média, duração de cinco anos, os valores atualmente em vigor estão muito elevados, já que refletem a época do boom imobiliário. Além disso, o IGP-M, que reajusta anualmente os contratos, chegou aos 10,54% no ano passado. Portanto, carregar um contrato antigo no atual ambiente econômico tem sido um fardo para empresas que sofrem com a queda nas receitas.

Para complicar ainda mais a vida dos empreendedores na hora de tentar renegociar os seus contratos de aluguel, não há um excesso de oferta de pontos de rua como ocorre nas salas comerciais. Segundo levantamento da Buldings, empresa especializada em pesquisa imobiliária corporativa, o valor médio do aluguel de salas comerciais caiu 30% desde o fim de 2014 – na Vila Olímpia e no Itaim Bibi, o metro quadrado ofertado atualmente é de, respectivamente, R$ 72 e R$ 85. A vacância de salas, que chegou a apenas 4% no boom, saltou para 20%.

A Buildings não tem uma pesquisa específica para as lojas de rua, mas a DINHEIRO entrou em contato com as imobiliárias que estão anunciando os imóveis recém-fechados na Vila Nova Conceição e apurou que o metro quadrado está variando de R$ 75 a R$ 100, um patamar ainda considerado elevado para um ambiente de crise. “Como a oferta de unidades é bem menor no segmento de lojas de rua em comparação com as salas comercias, o proprietário do imóvel demora mais para aceitar reduzir o aluguel”, diz Fernando Libardi, diretor da Buildings.

Com receitas em queda, custos em alta e juros exorbitantes cobrados nas linhas de capital de giro, as empresas buscam alternativas mais em conta em outros endereços. É o caso da rede de lanchonetes Subway, que alugava um imóvel na Rua Afonso Braz em conjunto com a cervejaria Devassa. O objetivo era compartilhar as despesas de aluguel, IPTU e segurança, mas o franqueado da Devassa desistiu do negócio. “Para não arcar sozinho com as despesas do local, a opção para a franquia Subway será realocar a unidade de forma independente, para um espaço menor”, afirma Laercio Torres, agente de desenvolvimento do Subway em São Paulo.

Em nota, a Brasil Kirin, dona da marca Devassa, explica que o fechamento da loja “é uma movimentação comum no modelo de franchising”. A poucos metros dali, a rede de doces Amor aos Pedaços também cerrou suas portas. Nenhum executivo foi encontrado para comentar o assunto, mas a DINHEIRO conseguiu contato com uma das proprietárias do imóvel, que disse estar “traumatizada diante dos atrasos nos pagamentos de aluguéis”. “E olha que reduzimos o valor do metro quadrado de R$ 50 para R$ 38, considerado barato para a região.”

Sendo assim, a família decidiu vender o terreno e não mais alugá-lo. Algumas quadras adiante, na Rua Santa Justina, uma loja de serviços da Chevrolet transferiu suas atividades para o bairro vizinho de Moema, onde o custo do aluguel é menor. Procurado, o Grupo Nova, proprietário da concessionária, não comentou o assunto porque o “responsável está em férias”. A reviravolta no ambiente de negócios também atingiu o bairro do Itaim Bibi, pegando de surpresa o empresário catarinense Cassio Russo, sócio da rede de paleterias mexicanas Nieveria.

A loja aberta na Rua Clodomiro Amazonas, em outubro de 2014, não conseguiu celebrar o primeiro aniversário. A explicação para o insucesso inclui o valor elevado do aluguel (metro quadrado a R$ 80) e a falta de clientes. “A situação do mercado atual no Brasil não nos favoreceu”, afirma Russo. “A crise tem reflexos em produtos considerados supérfluos.” As varejistas de calçados e acessórios de moda Shoestock e Mya Hass também fecharam suas unidades em setembro do ano passado, na Vila Olímpia e na Vila Nova Conceição, respectivamente.

A Mya Haas deixou a área nobre da Zona Sul, mas ainda mantém uma unidade no valorizado bairro do Jardim Anália Franco, na Zona Leste da capital, assim como sua operação de comércio eletrônico. No caso da Shoestock, rede criada em 1986, o caso é mais grave, pois a empresa fechou todas as lojas e encerrou suas atividades por causa da crise. Procuradas, as empresas não se manifestaram. “Ponto bem localizado em bairro nobre não é garantia de sucesso”, afirma Claudio Tiegui, diretor de Inteligência de Mercado da Associação Brasileira de Franchising (ABF). “Na crise, custa muito mais caro trazer o cliente para dentro da loja.”

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