Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XVI

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Doha e etanol dominam discussão comercial Brasil-EUA

WASHINGTON (Reuters) - O presidente norte-americano, Barack Obama, vai visitar o Brasil no próximo fim de semana para reforçar os laços de Washington com a maior potência econômica da América Latina, onde a China ultrapassou os Estados Unidos como principal parceiro comercial.


Os dois governos tiveram na última década frequentes atritos por causa de questões comerciais, principalmente por causa dos rumos da Rodada de Doha do comércio global e da tarifa norte-americana sobre a importação de álcool combustível.

Os principais produtos de exportação dos Estados Unidos para o Brasil incluem o carvão, querosene, peças de aeronaves, motores a diesel e produtos químicos. No sentido contrário, o Brasil exporta aos norte-americanos petróleo, aço, café, celulose, aviões e pneus, entre outros.

A seguir, alguns tópicos comerciais em discussão entre Brasil e EUA:

RODADA DE DOHA - No momento em que os 153 países da Organização Mundial do Comércio (OMC) tentam novamente concluir as negociações comerciais globais iniciadas há nove anos em Doha, Brasília e Washington continuam tendo discordâncias.

O Brasil pleiteia cortes profundos em subsídios e tarifas agrícolas dos países ricos, e resiste à pressão dos EUA sobre grandes países em desenvolvimento para abrirem mais os seus mercados industriais e de serviços à concorrência estrangeira.

Na semana passada, o representante comercial dos EUA, Ron Kirk, disse que Washington espera a adesão do Brasil ao Acordo da Tecnologia da Informação, de 1996, que eliminou as tarifas entre os 73 países que respondem por mais de 97 por cento do comércio mundial de produtos de tecnologia da informação.

O Brasil se opõe à insistência dos EUA para que as principais economias emergentes aceitem acordos setoriais como parte do resultado final da Rodada de Doha. O governo brasileiro diz que a adesão aos acordos setoriais deveria ser voluntária.

ETANOL - O Brasil, segundo maior produtor mundial de etanol depois dos Estados Unidos, continua queixando-se das elevadas tarifas que bloqueiam o acesso do seu produto ao mercado norte-americano.

Os Estados Unidos permitem o acesso com isenção de direitos para o etanol à base de açúcar produzido em vários países da América Latina e Caribe, como parte de programas de preferências comerciais. Mas o etanol do Brasil está sujeito a um imposto de 54 centavos de dólar por 1 galão (0,143 dólar por litro), além de uma tarifa de 2,5 por cento.

A recente alta dos preços do açúcar tornaram mais rentável para os usineiros do Brasil produzir açúcar em vez de álcool, o que reduziu parcialmente a tensão nessa frente.

Os Estados Unidos e o Brasil também trabalharam conjuntamente durante os últimos anos para promover o desenvolvimento de biocombustíveis.

ALGODÃO - O Brasil ganhou no ano passado um histórico processo na OMC contra os subsídios norte-americanos aos seus produtores de algodão. Como parte de uma solução temporária, os Estados Unidos concordaram em pagar ao Brasil 147 milhões dólares anualmente para ajudar os produtores de algodão brasileiros, com assistência técnica, marketing e pesquisa de mercado. Em troca, o Brasil suspendeu o direito de retaliação num valor de 829 milhões dólares, à espera de uma solução permanente, que depende de discussões a serem feitas no Congresso dos EUA em 2012.

DIREITOS DE PROPRIEDADE INTELECTUAL - A disposição do Brasil para suspender direitos de patente para assegurar o acesso da sua população a medicamentos genéricos importantes tem causado tensões ao longo dos anos, e motivado queixas de laboratórios farmacêuticos norte-americanos. O ministério brasileiro da Saúde estima que, graças à dureza levada pelo país à mesa de negociações, o Brasil tenha economizado 1,1 bilhão de dólares em medicamentos.

Os EUA também se queixam de que a região da Tríplice Fronteira (com Argentina e Paraguai) é "um antro de pirataria e falsificação."

MOEDA - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, cunhou no ano passado o termo "guerra cambial" para descrever a situação em que os governos tentam manter suas moedas artificialmente desvalorizadas para beneficiar seus exportadores.

Parte dessa irritação é dirigida contra os Estados Unidos, que planejam duplicar suas exportações até 2014 e tem adotado uma política monetária que levou à desvalorização do dólar.

As autoridades dos EUA têm tentado se juntar aos EUA contra a política cambial da China, já que ambos os países afirmam que o yuan está artificialmente desvalorizado.

Como o real está fortalecido, afetando a balança comercial brasileira, o Brasil busca intensificar esforços antidumping, e advertiu que poderia aplicar barreiras não-tarifárias sobre certos produtos.

No ano passado, quando o comércio bilateral totalizou cerca de 60 bilhões de dólares, o Brasil teve déficit comercial de 11,4 bilhões com os Estados Unidos. O resultado é bastante diferente do registrado em 2005, quando o Brasil teve um superávit de 9,4 bilhões dólares com os EUA.

 

FONTE: Reuters

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