Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

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Eleição em São Paulo: Vitória de Haddad é, sem dúvida, vitória de Lula — e mostra que o PSDB ou renova, ou morre. Mas não absolve os crimes do PT, não

O candidato eleito do PT em São Paulo, Fernando Haddad, ao votar acompanhado da filha, Camila (Foto: Reinaldo Marques)

Amigas e amigos do blog, mesmo com a apuração mal iniciada, é inquestionável e mais do que nítida a vitória do ex-ministro da Educação Fernando Haddad, candidato do PT, na eleição que define o novo prefeito de São Paulo.

O fato de eu, pessoalmente, ser um crítico do projeto hegemônico (a qualquer custo) do comando do PT e do corte estalinista e pouco amante da democracia de vários de seus principais dirigentes, não muda também a constatação de se tratar de uma clara, claríssima vitória de Lula.

Ele atropelou as primárias do PT, tirou Haddad do bolso do colete, pisou no orgulho da pré-candidata até então mais bem qualificada nas intenções de voto — a então senadora e hoje ministra Marta Suplicy — e confiou em seu inegável e poderoso instinto político: o partido precisaria sair da dupla Marta-Mercadante se queria ter chances de vitória. Precisaria ousar. Precisaria de uma cara nova. E precisaria de um candidato palatável para a classe média da capital.

Como disse a comentarista Cristiana Lôbo, da GloboNews — fazendo a ressalva de que iria irritar profundamente os petistas, como sei que eu próprio farei agora –, um candidato com um certo ar tucano.

Pois deu certo: Haddad saiu de miseráveis 3% das intenções de voto para bater um nome controvertido, mas poderoso — o de um ex-deputado, ex-senador, ex-ministro, ex-prefeito, ex-governador e duas vezes ex-presidenciável, como José Serra.

Claro que com as concessões sabidas, como o beija-mão, antes impensável, a Maluf, o apoio no segundo turno dos Chalitas da vida, o voto da Igreja Universal (não tenham dúvida).

Haddad está eleito. Sua campanha, como a de Serra, não primou pela elevação da discussão, mas ganhou limpamente.

Mas, IMPORTANTE: a eleição de Haddad, mesmo com o papel crucial jogado por Lula, não absolve mensaleiro, não. Não custa lembrar que Haddad está limpo do mensalão — isso não é pouco, no PT de hoje. Como disse o ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal:

– As urnas não absolvem de crimes capitulados no Código Penal.

A tese combatida pelo ministro, lançada por Lula, é falsa, hipócrita, sórdida e mentirosa. Que fique bem claro aqui o que penso dela.

Vitorioso Haddad,  minhas preocupações sobre os planos hegemônicos do PT, aqui expressadas em longo post e muito debatidas pelos leitores, mudaram com sua vitória?

Não. De todo modo, vamos aguardar sua atuação na Prefeitura e sua atuação política, com a esperança de que surpreenda aos que combatem o estalinismo existente dentro do PT.

O ex-presidente Fernando Henrique conversa com uma eleitora em seu local de votação em São Paulo: para ele, o PSDB precisa renovar-se (Foto: Ale Frata / Frame)

Quanto ao PSDB, a derrota de Serra deixa evidente que o partido precisa, com urgência, pensar em renovar-se, como aliás, disse hoje mesmo, com sua habitual sabedoria, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Renovar-se, sim — renovar sua mensagem, exprimir com clareza qual é, hoje, seu projeto para o Brasil, e tratar com mais ousadia o quadro eleitoral em sua principal fortaleza, o Estado de São Paulo. Como já comentaram colegas jornalistas, não é possível para o partido continuar com apenas dois candidatos para todos os cargos que aparecem — Serra, que agora, presume-se, vá entrar em longa fase de recolhimento, e o governador Geraldo Alckmin.

O partido tinha um leque de nomes novos, quase desconhecidos (como Haddad), mas com bons currículos e bom potencial eleitoral, para disputar o lugar do prefeito Gilberto Kassab (PSD). Poderia correr riscos, ainda mais sabendo que, do outro lado, havia alguém que jamais recebera o batismo das urnas.

Mas, não. O próprio comando do partido insistiu muito para que o relutante Serra — com sólido capital de votos, acompanhado, contudo, de preocupantes índices de rejeição — aceitasse ir para a briga.

O mau resultado para os tucanos na cidade mais rica, mais populosa e mais importante do Brasil é um duríssimo baque e um aviso: renova, diz a que veio, mexe em sua estrutura, repense suas candidaturas — ou morre. A agonia pode ser longa, o partido pode ir se arrastando ainda por várias eleições, mas, politicamente, a morte, a continuar assim, é inevitável.

Fonte:http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/

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Comentário de petrúcio josé rodrigues em 29 outubro 2012 às 9:08

O oportunismo político está se  extinguindo para malufe's  e  companhia. nessa leva estarão os clones  do sarney, que perderão forças  até  se  anularem. veremos isto com nossos próprios olhos.

houve uma  renovação no quadro político, que afirmo ser maravilhoso.

nossos meninos  estão chegando, e, nossas  chances se evidenciam, e, um novo patamar de retidão são múltiplas doravante.

o malifismo perdeu sua  função. quem sabe  dona  dilma  como boa samaritana possa assisti-lo.

acho que  a vacina do mensalão, pode  deixa-la sem ânimo para  tal.

continuo a  afirmar que, com mais  dois pleitos estaremos substituindo o VIL (mensaleiros e outras classes)  PELO PRECIOSO(retidão).

portanto,  é muito bom que  tenhamos  vigilância  continuada, porque, muitos partidos  fortes  serão engolidos por partidos novos, com propostas responsáveis. os que serão engolidos estão:psdb, pt e pmdb. ASSIM DESTUIR-SE-A TODOS  OS  CACIQUE E  TAMBÉM O FAMOSO "CABRESTO", TÃO BEM  VIVIDO E EXECUTADO PELO PT.

Comentário de Romildo de Paula Leite em 29 outubro 2012 às 8:38

    Após a vitória de Fernando Haddad, de qual cofre Maluf receberá as chaves?

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