Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XVI
Eduardo López minimiza receios sobre interferência dos EUA enquanto anuncia investimentos bilionários em soberania de dados no Brasil.
Eduardo López, presidente Google Cloud América Latina. Imagem: DivulgaçãoO Google Cloud realizou nesta quarta-feira (10) seu maior evento no Brasil, o Google Cloud Summit Brasil, anunciando investimentos estratégicos que colocam o país no centro de suas operações na América Latina.
Em meio às crescentes tensões geopolíticas globais, Eduardo López, presidente do Google Cloud para América Latina, surpreendeu ao afirmar que “não vê os clientes latino-americanos tão preocupados com as questões geopolíticas”, contrastando com a percepção de analistas sobre vulnerabilidades na dependência tecnológica externa.
A principal novidade é a instalação dos TPUs v6 (Tensor Processing Units) na região de nuvem de São Paulo — os primeiros chips especializados em inteligência artificial da Google a operarem em território nacional. Chamados de Trillium, esses processadores representam um salto de 4x no desempenho computacional e 67% de melhoria na eficiência energética comparado à geração anterior.
“Pela primeira vez, organizações brasileiras poderão executar aplicações como o Gemini com latência ultrabaixa, essencial para inferência de IA em tempo real”, explicou Thomas Kurian, CEO global do Google Cloud, destacando que o Brasil é “um dos mercados de tecnologia que mais cresce no mundo”. A partir de novembro, será possível processar dados com o Gemini 2.5 Flash inteiramente em território brasileiro, sem que as informações deixem o país.
A avaliação otimista de López contrasta com análises especializadas sobre a dependência tecnológica brasileira. Alexandre Arns Gonzales, do DiraCom, alerta para a vulnerabilidade estrutural do país: “Quase toda a administração pública federal utiliza o Microsoft Teams; muitas universidades brasileiras também usam esse serviço ou ambientes da Google para tarefas administrativas básicas”.
Para Gonzales, essa dependência cria riscos concretos: “Se os Estados Unidos decidirem intensificar a ofensiva que vêm adotando desde julho, corremos o risco de ver a administração pública federal, o Judiciário e até setores do Legislativo sem acesso a informações e memórias básicas necessárias para operar.”
Embora López minimize as preocupações geopolíticas dos clientes, os próprios anúncios da empresa sugerem o enfoque na soberania. Entre os lançamentos mais significativos está o “Gemini for Government”, uma plataforma dedicada ao setor público brasileiro que permite criar agentes de IA customizados mantendo rigorosos padrões de segurança e soberania de dados.
O produto já conta com clientes estratégicos sensíveis às questões de autonomia nacional. A Receita Federal utiliza o Gemini no Google Cloud para automatizar inspeções de bagagem no Aeroporto de Guarulhos, enquanto o Serpro, empresa estatal de tecnologia, adotou a plataforma através do Google Distributed Cloud (GDC).
“As possibilidades geradas por tecnologias como computação em nuvem e IA tornam essencial que o Brasil esteja na vanguarda da inovação”, declarou Alexandre Gonçalves de Amorim, presidente do Serpro. “Através da parceria com o Google Cloud, encontramos uma maneira de alcançar o progresso sem sacrificar a soberania nacional.”
Apesar de não perceber preocupações generalizadas no mercado, López foi categórico ao explicar os mecanismos de proteção contra possível interferência governamental dos EUA. “Toda informação de um cliente tem uma chave de segurança de criptografia que é do dono, o cliente. Portanto, se alguém me pedir uma informação, o que tenho é uma coisa que ninguém vai entender, porque a informação é do cliente.”
O executivo argentino enfatizou que, mesmo sob eventual pressão governamental americana, a empresa manteria os protocolos: “Não fazemos isso não só porque somos uma empresa americana, mas por uma questão de segurança da informação e privacidade dos clientes.”
López revelou que a estratégia da empresa está diretamente alinhada com as demandas nacionais por autonomia tecnológica. “Os investimentos que estamos fazendo no Brasil têm a ver com a soberania da informação”, declarou, destacando que a expansão da infraestrutura local responde diretamente às políticas governamentais.

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