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Estudantes do ensino médio querem escola que prepare para o mercado de trabalho

Pesquisa também revela que jovens desejam escolher uma área para aprofundar. Mudanças estão sendo implementadas nas escolas de todo o país com o Novo Ensino Médio.

Estudantes do ensino médio querem escola que prepare para o mercado de trabalho

Uma escola que prepare para o mercado de trabalho e que permita escolher uma área para aprofundar os estudos. Esses são os desejos de, respectivamente, 98% e de 9 em cada dez estudantes do ensino médio, revela pesquisa divulgada na sexta-feira (12) pelo Todos Pela Educação, em parceria com a Fundação Telefônica Vivo, o Instituto Natura e o Instituto Sonho Grande. 

Destaques da pesquisa

- 98% dos estudantes concordam (totalmente ou em parte) que deveria haver opções de formações voltadas para o mercado de trabalho

- 92% concordam (totalmente ou em parte) que deveriam poder escolher áreas para aprofundar seus estudos

- 11% dos jovens disseram não estar matriculados na escola em 2020; 

- 17% afirmaram já ter pensado em abandonar a escola nos 6 meses anteriores à pesquisa. Desses, 48% dizem que pensaram em parar de frequentar a escola para trabalhar

Tais aspirações estão mais próximas de se concretizarem com o Novo Ensino Médio, modelo aprovado em 2017 e que começou a ser implementado de forma ampla na rede pública neste ano. Com o objetivo de compreender as opiniões e os anseios dos estudantes e garantir que as mudanças estejam alinhadas às suas necessidades, o Datafolha ouviu 7.798 alunos das 27 Unidades da Federação entre fevereiro e abril. 


“As mudanças curriculares em curso, trazidas pelo chamado Novo Ensino Médio, precisam ser aprimoradas e implementadas pelas próximas gestões, juntamente com outros fatores estruturais, como a expansão das escolas em tempo integral, a valorização e a formação de professores, avanços na infraestrutura e na gestão escolar e o apoio dado pelas Secretarias de Educação às escolas”, afirmou Gabriel Corrêa, líder de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação.


Ensino médio deve conversar com a realidade e as necessidades dos jovens 

A mesma iniciativa de ouvir os estudantes tiveram o Serviço Social da Indústria (SESI) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) no ano passado, quando mais de 2 mil estudantes foram entrevistados sobre elementos chave da educação e do novo modelo.  

Para o diretor do SESI e do SENAI, Rafael Lucchesi, há grande expectativa dos jovens com a transição de um modelo passivo-reprodutivo, com número excessivo de disciplinas que não conversavam entre si e com a realidade dos estudantes e do mundo contemporâneo, para um novo modelo, alinhado ao dos países desenvolvidos.


“Acabou o modelo de empilhamento de disciplinas, que passam a se integrar em áreas de conhecimento. Com os itinerários, facilitamos escolhas e viabilizamos a profissionalização com a opção da formação técnica e profissional. O Brasil é o segundo país com a pior taxa de formação técnica e profissional entre os formandos do ensino médio”, lembra Lucchesi.

Evasão, abandono e necessidade de trabalhar 

Os levantamentos mostram um lado perverso do antigo modelo, a falta de identificação e de engajamento dos jovens. Segundo ambos os levantamentos, 17% dos entrevistados pensaram em largar a escola. Desses, 48% dizem que o motivo é a necessidade de trabalhar, segundo o Datafolha. O Todos pela Educação lembra que a pandemia e o fechamento das escolas por um longo período contribuíram para intensificar esse fenômeno. 

Outro dado mostra o quanto os alunos se dividem entre os estudos e o trabalho.  Entre os estudantes de Ensino Médio de escolas públicas, 32% trabalham fora de casa. Entre os que trabalham, os principais motivos são: 71% para ter independência financeira dos pais e 20% para ajudar financeiramente a família. 

A educação profissional, que passa a ser ofertada como um dos itinerários formativos, deverá ser um incentivo para manter esse aluno na escola. Isso porque, além de frequentar o ensino regular, o estudante poderá se qualificar para a vida profissional, concluindo com um curso de qualificação ou técnico que tem um efeito renda maior que a formação básica de nível fundamental e médio.  

Também é a oportunidade dele testar afinidade com a área, até mesmo para uma formação futura de nível superior, se assim desejar. Vale lembrar que apenas 24% dos jovens de 18 a 24 anos têm acesso ao Ensino Superior, segundo o IBGE; o que reforça a importância da educação profissional.  

O interesse já existe: 22% dos estudantes querem fazer um curso técnico após o Ensino Médio (12% só o curso técnico e 10% conciliando com trabalho). Agora é preciso superar os desafios para uma implementação efetiva do modelo, que considere a realidade local e os anseios dos jovens. Nesse sentido, há um avanço: o SENAI fechou parceria com 12 estados para oferta do itinerário de f....  

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