Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

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FILE - Festival Internacional de Linguagem Eletrônica

A arte usa a tecnologia para dialogar com o nosso tempo: é isso o que afirma Paula Perissinotto, organizadora do FILE, em cartaz em São Paulo.

Instalação Pink Cloud: tocar o tecido, tocar as nuvens. 


Como a gente já falou neste post, o FILE - Festival Internacional de Linguagem Eletrônica - está em cartaz desde a última terça-feira em São Paulo, no Centro Cultural FIESP. O propósito do festival é mostrar a arte em sintonia com a tecnologia, em instalações, animações, games e video art.

 

O ponto alto do FILE é a interação e conversa do expectador com as obras - às vezes se tornando parte delas, como no tecido que projeta nuvens que se mexem conforme ele é tocado, de Hyunwoo Bang e Yunsil HeoE, é claro, o festival é fonte intensa de referências criativas para o design, vistas em primeira mão.

 

Entrevistamos Paula Perissinotto, organizadora do FILE, sobre o intercâmbio entre arte e tecnologia e a presença de artistas brasileiros nesse cenário.





Tendere: Qual é o público esperado para o FILE?

Paula Perissinotto: O FILE tem um público de aproximadamente 1000 pessoas por dia, podendo elevar nos finais de semana . Ficaremos em exposição de 23/07 a 01/09, seis semanas em que esperamos por volta de 50.000 visitantes. 

 

T: Qual a importância da linguagem eletrônica para a arte atual?

PP: A tecnologia vem se inserindo na sociedade deste meados dos século XIX, em seguida no século XX, com o fordismo. Vivemos o auge da era da mecânica e desde meados do século XX, quando passamos da era da mecânica para a era dos circuitos, a linguagem eletrônica passou a ser um desafio para artistas que exploraram esta ferramenta no que tange o seu uso crítico e criativo. A relevância desta pesquisa estética com base no universo digital se dá exatamente no ato da busca da arte dialogar com a dinâmica do mundo do século XXI.

 

A relevância desta pesquisa estética com base no universo digital se dá exatamente no ato da busca da arte dialogar com a dinâmica do mundo do século XXI. 

 

 

 

T: O FILE apresenta trabalhos de artistas de diversos países. Qual a presença dos artistas brasileiros nesse cenário de arte digital?

PP: Este ano, a exposição conta com obras de animação, jogos e com uma presença expressiva de 05 instalações de brasileiros na galeria de arte do Sesi:

 

 

A obra Fala, dos artistas Leonardo Crescente e Rejane Cantoni, trata-se de uma máquina de falar autônoma e interativa, desenhada para estabelecer comunicação e sincronização automáticas entre humanos e máquinas, e entre máquinas e máquinas. Na instalação, um microfone faz a interface com um “coro” de quarenta celulares. Todos os aparelhos estão em estado de escuta para captar vozes e outras sonoridade A máquina de falar autônoma analisa as informações e estabelece equivalência com sua memória. Caso positivo, a máquina gera um resultado audiovisual com um significado semântico similar ao som captado, ou seja, fala e exibe nas telas uma palavra idêntica ou semelhante ao da palavra escutada. Caixas de som e visualização de palavras nas telas dos aparelhos celulares possibilitam um “diálogo”, e aos humanos, escutar e ver a conversa maquina.

A obra Heart Pillow, dos artistas Bernardo Schorr e Maria Paula Saba, que desenvolveram um artefato transumano que reproduz os batimentos cardíacos de uma pessoa remotamente e em tempo real. Ele permite que a própria pulsação da vida seja transferida para um objeto de uso cotidiano – um travesseiro –, que assim funciona como uma extensão corporal do usuário e como um mimetismo da própria vida, brincando com nossas percepções sobre como a vida pode ser definida. Ele suscita questões interessantes sobre o significado das palavras “emoção” e “afeição” e seu grau de efetividade em relação aos vários modos de interação que podem surgir a partir de um objeto ampliado. “Heart Pillow” pode ser usado em quaisquer situações nas quais possa ser interessante ou útil transferir batimentos cardíacos para um objeto de uso cotidiano, como ligar um casal que está separado, acalmar bebês recém-nascidos com a sensação conhecida da frequência cardíaca de sua mãe ou como uma extensão do eu em um objeto, como meio de reflexão.

Os artistas Ricardo Barreto & Maria Hsu com a obra Martela, um mecanismo robótico que propõe uma forma de arte cujo meio é o “tato-toque”. O tato é um sentido independente dos demais e possui uma inteligência, uma imaginação e memória próprias; uma percepção e sensação que lhes são exclusivas. É sabido, por todos, da hegemonia nas artes, bem como em outras disciplinas, da visão e da sonoridade. A Tactila é uma forma de arte que se dá no tempo e, portanto, pode ser gravada e possuir diversas formas de notação para posteriores execuções. Por esta razão, o seu desenvolvimento se tornou possível somente agora, com o modo mecatrônico e mecânico digital (robótica), compatíveis com as linguagens de máquina.

A obra Nanocriogênio Três da artista Anna Barros, em que expressa a relação entre entre a arte e a ciência, no âmbito da nanoarte e da nanotecnologia, buscando atualizar na arte qualidades pertencentes à escala nano, possibilitando sua experiência por parte do fruidor. Explora o universo híbrido e multidisciplinar próprio dessa ciência, realizando-se no ambiente real e no virtual, tendo vídeos de animações em 3D, quatro placas de cobre, matrizes da minha primeira exposição individual de gravuras, e uma forma circular de gelo, processo industrial de congelamento. 


Vivian Berto

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