IA e nuvem pública são forças complementares, diz CTO da NetApp

NetApp busca reforçar posicionamento de gerenciador de dados com serviço voltado à estruturação de dados para aplicações de IA.

Gavin Moore, VP e CTO EMEA e Latam da NetApp (Imagem: divulgação)

Conhecida por décadas como uma empresa de storage on-premises, a NetApp percebeu cedo que a centralidade dos dados estava migrando para a nuvem pública. Há cerca de dez anos, a companhia tomou uma decisão estratégica: construir sua próxima fase de crescimento em cima desse modelo. “Queríamos simplificar o uso dos dados e garantir que o cliente pudesse operar sempre na plataforma certa para a aplicação certa”, diz Gavin Moore, vice-presidente e CTO da NetApp para EMEA e América Latina.

Na visão de Moore, esse movimento preparou a NetApp para atravessar uma nova virada tecnológica: a chegada da inteligência artificial (IA). Com a maior parte das ferramentas de IA disponível exclusivamente em ambientes de nuvem, torna-se não apenas necessário, mas economicamente mais racional, concentrar ali parte relevante do desenvolvimento e dos testes, afirma o executivo.

“Se a empresa quiser rodar um piloto, não vai investir US$ 5 milhões em infraestrutura sem antes comprovar a viabilidade do projeto. A nuvem, portanto, estará presente em algum ponto da jornada, pode não fazer parte da solução final, mas será usada em alguma etapa do caminho”, defende.

A declaração vem acompanhada da nova fase da NetApp que, ao longo do último ano, buscou reforçar seu posicionamento como gerenciadora de dados, para além do armazenamento, com foco em auxiliar clientes no desenvolvimento de aplicações de IA. Para tal, no final de 2025, a companhia lançou o AI Data Engine, ferramenta que prepara os dados para que eles sejam utilizados em treinamentos de IA.

“Sabemos que 80% do tempo consumido em projetos de IA é dedicado ao gerenciamento de dados. E ajudaremos nossos clientes a reduzir esse tempo. A ideia principal é que, quando as empresas precisarem preparar seus dados e entender onde tudo está, esse trabalho já estará feito.”

Ao divulgar suas previsões para 2026, a NetApp aposta que o ano será marcado pela convergência entre inteligência artificial, nuvem híbrida e segurança digital. Em seu relatório, a organização reforça que, nas empresas, o diferencial competitivo não estará no tamanho ou na idade dos modelos, mas na qualidade dos dados. O movimento inclui ainda integrações com hiperescalas, nuvens soberanas e neoclouds.

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A análise de cenário reflete os últimos anúncios da empresa que, em dezembro do ano passado, ampliou sua colaboração de longa data com a F5, organização focada na proteção de aplicativos. O objetivo é preparar e proteger os clientes para a era pós quântica. Além disso, a empresa tem utilizado inteligência artificial para detectar acessos incomuns a dados ou tráfego de rede atípico em suas plataformas.

“Nossa história gira em torno de dados e de como gerenciamos, organizamos, protegemos e extraímos valor deles. Essa é a nossa essência, é o que queremos fazer, é o que consideramos nosso diferencial.”

Reforma dentro de casa

Dentro de casa, o ano de 2025 foi de reestruturação e atualização para a companhia. Além de atualizar suas plataformas de ERP e CRM para integrar inteligência artificial, a NetApp também utilizou a tecnologia para facilitar o trabalho de seu setor comercial, com o treinamento e uso de uma que identifica o melhor preço para oferecer em uma proposta.

“É claro que a negociação fica por conta do vendedor, mas fazemos milhares de negócios o tempo todo e percebemos que há uma enorme quantidade de informações com as quais podemos aprender”, conta.

A tecnologia, no entanto, é apenas o começo. Segundo Moore, assim como seus clientes, a NetApp ainda tem um caminho a percorrer em termos de cultura e inovação. Desde sua chegada na organização em 2024, o executivo tem procurado incentivar uma cultura aberta ao erro e mais propensa ao risco.

“Acreditamos que estamos preparados para fazer algo incrível, mas é preciso ter a mentalidade de ir atrás da novidade. Fizemos algumas mudanças internas e estamos trabalhando arduamente, mas a cultura não pode ser mudada apenas com IA.”

NetApp no Brasil

Para 2026, Moore vê a presença da NetApp no Brasil com otimismo. Sem divulgar expectativas ou números locais, o executivo afirma que o País é um mercado muito importante para a companhia e que os negócios têm crescido desde seu retorno com equipes locais. “Percebemos que, por vendermos por meio de parceiros e distribuidores aqui, nossos clientes apreciaram muito quando instalamos uma base no País.”

Ainda assim, ainda há muito trabalho a ser feito. Diante da competitividade acirrada entre players de tecnologia, a empresa adotou uma estratégia mais agressiva, mantendo a carteira de clientes existente, mas com foco maior em desbravar novos mercados. Para isso, Moore fala da adição de parcerias especializadas, com maior penetração em cada setor.

“Temos parceiros com atuação regional e especializações claras, do setor público ao varejo. O Brasil é um mercado estratégico para a NetApp, e isso exige inteligência na forma como estruturamos e conquistamos novos negócios”, finaliza.

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