Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

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Indústria têxtil prevê crescer 4%, apesar dos importados

Fonte:|dci.com.br|

SÃO PAULO - A perspectiva do setor têxtil em 2010 é obter um crescimento de 4% em relação a 2009, segundo o Sindicato Têxtil de São Paulo (Sindtêxtil-SP). No entanto, as importações de produtos vindos da China, de Bangladesh e do Camboja ainda preocupam o setor, pois em 2005 o número era de US$ 3,7 milhões e em 2009 o Brasil importou US$ 110 milhões, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

Segundo a Abit, apenas Bangladesh exportou até outubro US$ 12 bilhões no setor têxtil e atualmente é considerado um dos principais fornecedores do setor no mercado mundial. Já a China vende malha para o Brasil a US$ 13,63 por quilo, enquanto outros países cobram US$ 19,73, ou seja, a China vende a preço 30,91% menor. A diferença no preço do vestuário de malha chega a 133%: 96% no tecido de malha, 93% na calça jeans e 30% no tecido denim.

Segundo o presidente do Sindtextil-SP, Rafael Cervone Netto, a China tem este tipo de atitude no mercado mundial porque não absorve a mercadoria que fabrica. "A China produz muito mais do que consome. Hoje há um excesso de oferta chinesa nos Estados Unidos, na Europa, e, é claro, em nosso país também, o que afeta o mercado interno", explicou Netto.

Dados da Abit demonstram a importância do setor para a economia, que representa uma força produtiva de 30 mil empresas instaladas por todo o território nacional, companhias de todos os portes que empregam mais de 1,65 milhão de trabalhadores e geram, somadas, um faturamento anual de R$ 43 bilhões. O segmento tem investido US$ 1 bilhão anualmente há dez anos para alavancar o setor. "Em 2010 continuaremos com o investimento. Mas em 2008, quando ainda não se previa a crise, chegamos a investir US$ 1,5 bilhão em 12 meses", afirmou o presidente.

Para o próximo ano, o Sindicato Têxtil de São Paulo prevê um acordo com o governo em que a indústria brasileira ficará responsável pela confecção dos uniformes das Forças Armadas e uniformes das escolas do ensino fundamental que totalizam a venda de 2,8 milhões de kits com 14 peças - antes importados da China.

As empresas alinhadas com o sindicato também apostam no crescimento do mercado e em alguma medida do governo em relação aos produtos importados. A gigante francesa Rhodia planeja fazer um investimento de R$ 200 milhões no Brasil até 2014 e segundo o presidente mundial da empresa, Jean-Pierre Clamadieu, parte desse investimento será aplicado na linha de fios têxteis. "Vamos apostar no setor, pois este ano, apesar da crise, fechará com um incremento de 4% em relação ao ano passado", explicou. Ele não divulgou, porém, qual será a porcentagem aplicada. Quando questionado sobre os maiores desafios da empresa no próximo ano, o presidente da Rhodia da América Latina, Marcos De Marchi, responde que "a questão primordial agora é se o Brasil pode ser uma plataforma para exportação, e a questão da valorização do dólar". A Vicunha Têxtil, empresa pertencente ao Grupo Franco Matos Tintêxtil, planeja em 2010 reforçar a atuação no segmento índigo e brim - atividade na qual a empresa é líder e é também a maior companhia da América Latina. Em 2009, a companhia deixou de atuar na área de malharia, que representava 20% dos negócios, para focar no segmento de índigo e brim, além de fibras e filamentos. "Resolvemos concentrar em um mercado que atualmente é mais vantajoso para a companhia como um todo", afirmou o diretor-geral superintendente da Vicunha Têxtil, Marcel Imaizumi.

O que preocupa a empresa em 2010 também é a importação e o câmbio. "A importação de tecidos e confecções irá afetar todo o segmento têxtil se não houver controle adequado dessas práticas, que muitas vezes são até ilícitas. Mas o câmbio baixo para 2010 deve manter a tendência de estímulo às importações", explicou Imaizumi. Ele também afirma que o câmbio é um grande desafio do próximo ano e que o déficit da balança comercial deverá ser de acima de US$ 2 bilhões

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