Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XVI
Palestra no IT Forum Marketing questiona isolamento entre áreas e propõe integração estratégica entre CMOs e CTOs.
Imagem: Divulgação/ IT ForumDurante o IT Forum Marketing, realizado no Distrito Itaqui, a coordenadora do curso de Administração da ESPM-SP, Erika Buzo Martins, alertou para um dos principais gargalos das empresas modernas: a falta de comunicação efetiva entre as áreas de marketing e tecnologia.
Na palestra “O bom e velho MKT no novo mundo da tecnologia”, ela defendeu que os fundamentos tradicionais do marketing continuam essenciais, mas precisam dialogar com as novas realidades digitais.
“O marketing está se isolando em silos e ficando cada vez mais operacional, mais executor, menos decisor”, afirma Erika. A coordenadora baseia sua análise em conversas com CEOs de grandes empresas.
Uma das principais reclamações dos executivos é que o marketing tem sido reduzido a “fazer uma campanhazinha”, enquanto finanças e vendas assumem papéis estratégicos. Este cenário evidencia a dificuldade de comunicação entre CMOs e CTOs/CIOs, que muitas vezes trabalham em silos separados dentro das organizações.
Utilizando a metáfora de uma árvore que se transforma nas estações mas mantém suas raízes, Erika defende que os princípios básicos permanecem válidos. “Vender a coisa certa para a pessoa certa no lugar certo, pelo preço certo, falando a coisa certa. Isso não vai mudar nunca”, enfatiza.
A professora critica a proliferação de nomenclaturas que mascaram a falta de domínio dos conceitos fundamentais. Na ESPM-SP, isso se traduz na reformulação da grade curricular, removendo termos como “disruptivo” e “contemporâneo” para focar no essencial.
Um dos pontos centrais da discussão é o papel da inteligência artificial no marketing. Erika reconhece a utilidade de ferramentas como ChatGPT, mas alerta para os riscos da dependência excessiva. “GPT não faz milagre”, declara.
Para CTOs e CIOs, o insight é relevante: a tecnologia deve potencializar a capacidade humana de diferenciação, não substituí-la. “Quando trabalho no marketing, trabalho para convencer o cliente de como sou melhor e diferente de alguém. Se ele pega aquilo que a inteligência artificial gera e coloca como seu diferencial, aquilo pode ser replicado para centenas de empresas”, explica.
Durante reuniões, a coordenadora ouve de executivos: “A gente tem uma infinidade de dados, mas não sabe o que fazer com eles”. Esta observação reflete uma frustração comum entre CTOs que implementam sistemas sofisticados apenas para ver os insights permanecerem subutilizados pelas equipes de marketing.
O problema não está na tecnologia, mas na capacidade de análise crítica para transformar dados em estratégias efetivas. “Falamos sobre a importância de dados, dados e dados (…) mas e aí, o que você faz? Reúne e pede para a IA analisar e dar a resposta. Acho que não é bem por aí”, pontua.
A educadora defende uma “cultura orientada a dados e propósito”, centrada no cliente e orientada pela tecnologia, com foco na co-criação de soluções. “Não acho que conseguimos chegar a lugar nenhum sozinhos. Se trabalhamos em time, se co-criamos juntos, conseguimos ir muito mais distante”, argumenta.
A ESPM-SP aplica essa filosofia na prática, oferecendo disciplinas como “Inteligência de Marketing” e certificações em ferramentas como Tableau e Power BI, sempre mantendo o foco nos fundamentos tradicionais.
A palestra encerra com uma provocação direta aos executivos de tecnologia: “Tecnologia muda o mundo. O marketing continua dizendo o porquê. Como vocês estão ajudando com isso? Qual é a ponte que vocês estão fazendo?”
Para CTOs, CIOs e CMOs, a mensagem é clara: a convergência entre marketing e tecnologia não é mais opcional, é uma necessidade estratégica para empresas que querem se manter competitivas. “No amor ou na dor, a gente muda. Não é mais fácil movimentar antes?”, questiona Erika, sinalizando que a integração proativa é preferível à mudança forçada pelas circunstâncias.

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