Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIV

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Mulheres Bem Sucedidas Têm Menos Chance de Ser Felizes no Amor?

As possibilidades que se abriram para as mulheres aparentemente tiveram um efeito colateral na vida afetiva. Mas será que esse é o x da questão?

A essência do feminino é procurar o bem-estar; a maioria busca alguém que a faça feliz, não importa a posição social
Foto: Getty Images

As garotas superpoderosas andam se estranhando com as princesas cor-de-rosa, como diz a antropóloga Mirian Goldenberg. As duas são facetas das mulheres que hoje têm mais de 30 anos, alto nível de escolaridade, realização profissional - e também o ideal de amar ou casar com um cara que seja bacana como elas. Bacana, no senso comum, é o homem tão ou mais estudado e bem-sucedido que elas.

Essas são as mulheres que, instaladas hoje em patamares mais elevados da pirâmide social, olham para o lado e para cima e se dão conta de que suas opções de encontro amoroso dentro desse parâmetro se reduziram muito. A solução, têm dito estatísticos e outros especialistas, é casar "para baixo".

Recentemente, um cruzamento de informações do IBGE mostrou que o número de universitárias solteiras supera em 54% a quantidade de homens na mesma situação - nos grupos menos instruídos, a diferença não passa de 10%. Espalhou-se logo a conclusão de que diploma, veja só, é atestado de fracasso afetivo para o time feminino.

Valores em conflito

Um estudo recente do centro de pesquisa americano Pew Research mostrou que grande parte dos entrevistados considera a relação em que o homem e a mulher trabalham melhor do que aquela em que a esposa é responsável pela casa e pelos filhos, cabendo ao marido a tarefa de provedor.

No entanto, a maioria acha fundamental para um homem, e não para uma mulher, ter condições de sustentar a família antes de formar uma, conforme assinala D'Vera Cohn, redatora sênior do instituto. Sinal de que a sociedade se apega ainda à visão tradicional sobre os papéis masculinos e femininos, mesmo que se comporte de forma liberal em relação ao casamento.

Para complicar, ganhou força o clichê de que os homens se acomodaram de vez e as mulheres estão com a bola toda; por isso, não encontram um par. Frustradas, muitas adotam o mantra "homem tem medo de mulher independente" para justificar o desencontro.

Pressão social

Existe um juízo de valor embutido na ideia de que casar com quem está um degrau acima é o bom, o desejável, e que "olhar para baixo" significaria, então, abrir exceção para não ficar sozinha. "A essência do feminino é compartilhar, procurar o bem-estar; a maioria busca alguém com quem possa ser feliz, não importa a posição social", diz a socióloga Celia Belem, de São Paulo. Na prática, claro, existem desafios a ser vencidos.

Em muitos países, vê-se de forma mais prática o fato de a mulher trabalhar e o homem ficar em casa. Na Austrália, o crescimento do número de mulheres chefes de família e homens que assumem a vida doméstica tem chamado a atenção dos institutos de pesquisa, revela Marian Baird, coordenadora de estudos do The Women and Work Research Group, em Sydney.

É fato que as mulheres ainda estão sendo criadas com dois pesos e duas medidas - buscam independência na carreira, ficam à espera de um amor à moda antiga -, e isso gera confusão e frustração. Mas esses dilemas são mais confortáveis do que os que vivíamos quando estávamos todas lá embaixo, na base da tal pirâmide, menos educadas, menos autônomas e com menor poder aquisitivo. "Não conheço mulher que queira voltar no tempo e ser igual à mãe ou à avó", diz Mirian Goldenberg. As superpoderosas e as princesas cor-de-rosa vão ter de entrar em acordo.
 

Fonte:http://mdemulher.abril.com.br/

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Comentário de Textile Industry em 21 abril 2012 às 22:18

As "garotas tipo" vão mudar o mundo
Com isso, vão permitir que os homens mudem seu jeito de ser

IVAN MARTINS É editor-executivo de ÉPOCA (Foto: ÉPOCA)

Saiu na revista Time desta semana uma notícia capaz de apavorar os tradicionalistas: nos Estados Unidos, as mulheres entre 20 e 30 anos estão ganhando mais dinheiro do que os homens na mesma idade. Não se trata de uma projeção sobre o futuro. Está acontecendo já, neste momento. Sem fazer barulho, as garotas americanas ultrapassaram os caras na competição por salário e renda. Faz alguns anos que elas vinham se dando melhor na escola e, mais recentemente, começaram a se diplomar em maior número, mesmo em carreiras tradicionais como medicina e direito. Agora, começaram a ganhar mais. Se não houver alguma interrupção imprevista, a mudança vai se aprofundar e permanecer.

Alguns talvez fiquem surpresos com a notícia. Eu não. Nos últimos anos, tenho visto levas de garotas talentosas e dedicadas chegar aos ambientes de trabalho armadas com sorrisos perfeitos – uma marca cintilante dessa geração – e de uma atitude profissional que varia do sutilmente insolente ao descaradamente insubordinado. Elas são bem preparadas, têm ambição de subir na vida e trabalham duro. Pode demorar mais tempo, mas a tendência é que elas repitam aqui no Brasil o que já estão fazendo nos Estados Unidos – virando o jogo.

Deixo aos economistas e sociólogos a tarefa de especular sobre as consequências práticas dessa mudança. Da minha parte, além de bater palmas (levemente aturdido), só tenho a declarar minha preocupação com os impactos afetivos da nova situação.

Eu me pergunto o que vai acontecer nas relações entre homens e mulheres quando elas se tornarem as donas do dinheiro e dos empregos de prestígio. Como se comportarão os homens quando elas – e não eles - tiverem o dinheiro necessário para pagar a conta do restaurante, reservar hotéis e comprar carros? O que vai acontecer quando o salário das mulheres for o maior na maioria das casas e o emprego masculino se tornar o menos importante da família? Será que os homens ficarão em casa quando as crianças estiverem doentes ou não puderem ir à escola por qualquer outra razão? Imaginem...

A reportagem da revista Time conta uma coisa engraçada. Ela diz que as mulheres jovens que já vivem a situação de ter mais dinheiro e mais poder que os homens ocultam isso daqueles em quem estão interessadas. Se elas têm um carro muito caro, arrumam um jeito de escondê-lo para não assustar o pretendente. Se o emprego delas é muito especial, disfarçam isso atrás de um título genérico. Uma delas disse à revista que compra ingressos para shows bacanas, mas diz ao namorado que ganhou os convites na firma porque ele não teria dinheiro para ir aos shows e ficaria humilhado se ela sempre pagasse as entradas.

Esses truques femininos sugerem que o ego masculino, de um modo geral, ainda não lida bem com mulheres poderosas.

Nós fomos criados para ser o capitão do time, o comandante da tropa e, ao menos materialmente, o chefe da família. Quando essas coisas mudam, algo se altera dentro de nós, e pode não ser para melhor. Um homem que perdeu o seu lugar de prestígio social pode não ser o homem a que as mulheres estão acostumadas ou desejam. Em tese, as garotas são educadas a procurar nos homens características que denotem segurança e sucesso. Se elas são atraídas por machos alfas, o que acontecerá quando elas, em toda parte, forem mais alfas do que eles?

Eu não sei, mas por algumas razões não estou tão preocupado.

A principal delas é que essa enorme mudança está sendo construída devagarzinho, de forma profunda, há muito tempo. As meninas de 20 anos que estão por ai - que eu costumo chamar de “Geração Tipo”, por causa daquela palavrinha que se repete a cada meia dúzia de palavras que elas falam... – são muito mais independentes e assertivas do que as garotas da mesma idade da minha geração. Claro, sempre houve mulheres de personalidade, mas elas nunca foram tantas como agora, ou nunca se mostraram tão claramente. Os caras da idade delas estão acostumados. Eles convivem, conversam, discutem e (quando crianças) até saem no braço como iguais. As relações afetivas se desenvolvem desde cedo num contexto em que a dominação masculina é mais frágil, ou mesmo inexistente. Para mim, as mudanças de comportamento das garotas parecem drásticas e repentinas, para os homens jovens são parte do mundo em que eles cresceram. Eles se apaixonam por essas mulheres imperativas desde a adolescência – e parecem estar perfeitamente adaptados a elas. 

É provável, portanto, que caiba às mulheres da Geração Tipo a tarefa de patrocinar a grande mudança masculina desde a saída das cavernas – a perda do protagonismo social absoluto. Discute-se muito que a vida das mulheres mudou enormemente nas últimas décadas e que não teria havido mudanças correspondentes na vida dos homens. Agora que a mudança vem chegando (e o caminhão é enorme), fica evidente que ela só poderia ocorrer com a ajuda das mulheres.

Para os homens descubram a sua própria sensibilidade, é essencial que as mulheres assumam parte das tarefas que ajudaram a moldar a dureza masculina. Competir, impor-se socialmente, ganhar a vida num mundo frequentemente áspero não são coisas que se faz apenas com sorrisos e docilidade. As mulheres da Geração Tipo demonstram saber disso.

Para que os homens assumam parte maior das tarefas práticas e emocionais das mulheres, é necessário que elas saiam de casa e abracem as responsabilidades que antes cabiam apenas a eles. Quando os homens deixam de ser os principais provedores da família, abre-se a possibilidade de que eles venham a se tornar pais mais atenciosos, donos de casa mais ativos e até companheiros mais cuidadosos e perceptivos.

Não haveria como pedir aos homens que mudassem sem que as mulheres mudassem também – e agora isso ficou claro. Mulheres que saem abrem espaço para homens que ficam. Mulheres assertivas permitem parceiros tímidos. Mulheres menos emocionais permitem homens mais emotivos. Mulheres duras criam as condições para a existência de homens frágeis.

As garotas da Geração Tipo, concientemente ou não, estão criando as condições de mudança. Com seus sorrisos cintilantes e seus modos às vezes abruptos, elas vieram para mudar o mundo. Espera-se que em benefício delas mesmas e também dos homens.

Fonte:|http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/ivan-martins/noticia/2012/0...

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