Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XVI

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No calote argentino, quem paga é o carteiro brasileiro

A história dos fundos de pensão das estatais brasileiras é, em grande parte, uma coletânea de ingerência política, maus investimentos e casos policiais.

Para o horror (e a ruína) dos aposentados e trabalhadores que dependem dos fundos, nunca falta criatividade aos seus gestores para encontrar novas formas de perder dinheiro — de preferência da forma mais imbecil ou venal possível.

A mais nova bizarrice vem do Postalis, o fundo de pensão dos Correios, nos últimos anos um fundo notoriamente aparelhado pelo PMDB.

A Bloomberg descobriu que, sabe-se lá por que cargas d’água, um fundo exclusivo do Postalis havia investido em — segura essa — títulos da dívida argentina.

Quando a Argentina ficou inadimplente na semana passada, seus títulos despencaram, levando o fundo do Postalis a perder 52% de seu capital, ou a bagatela de 198 milhões de reais.

Em se tratando de perder dinheiro, o Postalis, além de inovador, é reincidente.

O fundo do Postalis que sofreu o prejuízo com a Argentina, o “Brasil Sovereign II Fundo de Investimento de Dívida Externa FIDEX”, já havia sido vítima de seu próprio gestor, indicado pelo PMDB e processado pelas autoridades americanas em 2012.

Tem mais.  O Postalis tinha 135 milhões de reais investidos no Banco BVA, que quebrou. Desse total, só 45 milhões foram recuperados até agora.

Depois da porta arrombada, o Postalis disse que está “tomando as medidas legais cabíveis” para mitigar suas perdas com a Argentina.

A melhor medida ‘cabível’, como se sabe, teria sido o governo manter o balcão de negócios longe dos fundos de pensão.

Cerca de 130 mil funcionários e aposentados dos Correios precisam do Postalis para ter uma velhice mais estável.

No PMDB, 79 deputados e 20 senadores precisam de votos para continuar tendo um mandato.

Por Geraldo Samor

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