Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIV

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"Novo sistema fiscal assusta empresas por burocratização"

A partir de janeiro todas as empresas terão que enviar — em alguns casos diariamente — o histórico dos empregados para a Receita Federal.


O Sistema de Escrituração Fiscal Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas, batizado como eSocial, causou arrepio a empresários pelo número de informações que terão que ser incluídos no sistema. Criado pelo Ato Declaratório nº 5, da Receita Federal, o sistema que veio para simplificar, poderá aumentar a burocracia e o custo administrativo, segundo as empresas.

O novo modelo é mais um projeto do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), instituído em 2007, do qual resultou, por exemplo, a nota fiscal eletrônica e o Sped fiscal. Dessa vez, o sistema estabelece o envio de forma digital por parte das empresas das informações cadastrais de todos os empregados. O sistema vai substituir o envio de nove obrigações que hoje são feitas mensal e anualmente — como o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte(Dirf), Guia de Recolhimento do FGTS e informações a Previdência Social (GFIP) — por apenas um envio.

Só que além dessas informações, já tradicionais, o Ato Declaratório estabelece que a partir de janeiro todas as empresas terão que enviar — em alguns casos diariamente — o histórico dos empregados, com informações que vão desde a admissão até a demissão, passando pelos atestados médicos e as advertências. Ao todo, as empresas terão que enviar à Receita Federal 44 tipos de informações por empregado.

“O projeto que foi criado com os louváveis objetivos de facilitar o cruzamento de dados e combater a sonegação fiscal, veio com efeito colateral. Da forma que está desenhado na fase atual, acaba por criar obrigações desmedidas às empresas, gerando maior burocracia e custo”, diz o diretor-adjunto sindical da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Adauto Duarte.

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A Fiesp pretende encaminhar ao governo documento sugerindo alterações nessa que é a primeira versão do eSocial. “Por cautela, vamos sugerir que o governo entre com o sistema conforme previsto, apenas unificando as informações que já são repassadas e, depois, através do dialogo tripartite, se construam as novas obrigações”, comenta Duarte, alegando que as empresas precisam avaliar se os custos adicionais vão ou não afetar sua competitividade.

Entre os novos custos para as empresas, o diretor cita o alto valor de atualização dos sistemas informáticos de folha salarial, que terão que ser compatíveis com o eSocial, e o investimento no treinamento dos empregados. “Além disso, no início haverá a convivência dos vários sistemas, como por exemplo o eSocial e o Caged. Nesse período de transição, as empresas terão que arcar com o custo do envio de informações em duplicidade”.

Para Victória Sanches, gerente especialista em soluções da unidade de negócios de Tax & Accounting da Thomson Reuters no Brasil, apesar de o novo módulo trazer um impacto inicial para as empresas, ele representará um importante ganho, especialmente para o trabalhador. “Ele poderá entrar com seu CPF e terá lá registrada toda a sua vida laboral. Não enfrentará tudo o que enfrenta hoje para, por exemplo, fazer aposentadoria”, diz a consultora, que participa do GT 48, o grupo de trabalho que vem implantando o Sped desde sua criação.

Ela alerta, no entanto, que a complexidade do sistema exige que desde já as empresas adaptem seus sistemas ao eSocial: “São muitas informações novas. Não é algo que você vire uma chavinha e o sistema estará implantado. Envolve mudança de cultura e mudança de processos”.

Publicado em 31/07/2013 no Brasil Econômico.

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Comentário de petrúcio josé rodrigues em 3 agosto 2013 às 10:14

A "BURROCRACIA" NESTE NOSSO PAIS, É ALGO CONGÊNITO.

VEJAM QUE, COM GETÚLIO VARGAS, HAVIAM MUITAS BRIGAS E  EMBATES, ACERCA DO ASSUNTO.

ISTO PERDUROU ATÉ  A REVOLUÇÃO DE 64.

A FEBRE  DO GANHAR MAIS, PERMITIU OU MELHOR, IMPUSERAM OS POLITICOS DA  EPÓCA (DELFIM NETE, PRATINIS DE MORAIS, E MUITOS OUTROS)M PARA  QUE AFROUXASSE A SAGA CONTRA "BURROCRACIA".  ASSIM TODO CLASSE POLÍTICA PEDERIA.

A TENDÊNCIA É: NÃO RACIONALIZAR, PARA QUE MUITOS OUTROS POSSAM SER ALOCADO NAS BRECHAS  DA "BURROCRACIA", E ASSIM GARANTE-SE UM CABIDE  ELEITOREIRO (POLÍTICO), COM BASTANTE PODER, ATÉ DE DECISÃO.

ESTÁ  EXPLICADO, PORQUE O PT(MADAME) AMA TANTA OS BOLSISTAS,MENSALEIROS E OUTROS BICHOS NOCIVOS. 

Comentário de Antonio Silverio Paculdino Ferre em 2 agosto 2013 às 16:47

Encargos para as empresas são fáceis de criar. Esses funcionários nunca viram uma guia de imposto e só aumentam a burocracia, para roubarem e gerar empregos públicos. O que acontece no Brasil é que toda empresa, tem que aumentar a area administrativa, antes de aumentar a produção.

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